sábado, 27 de maio de 2017

Genro de Trump queria canal direto de comunicação com a Rússia

O genro e assessor do presidente Donald Trump, Jared Kushner, pediu ao embaixador da Rússia em Washington, Serguei Kislyak, a criação de um canal de comunicação direta com o Kremlin durante o período de transição entre a eleição e a posse, revelou o jornal The Washington Post citando fontes dos serviços secretos dos Estados Unidos.

De acordo com mensagens interceptadas pela inteligência dos EUA, o embaixador Kiskyak comunicou a seus superiores em Moscou o pedido feito por Kushner  em encontros na Trump Tower em 1º e 2 de dezembro. A base ficaria dentro de instalações diplomáticas russas, com o objetivo evidente de evitar o monitoramento pelas autoridades americanas.

O ex-assessor de Segurança Nacional do governo Trump, general Michael Flynn, demitido por mentir ao vice-presidente sobre contatos com Kislyak, participou das reuniões, só admitidas em março pela Casa Branca, que tentou minimizar sua importância. Flynn está no centro da investigação do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, sobre a interferência da Rússia na eleição presidencial americana.

Kislyak teria ficado surpreso com a possibilidade de autorizar o uso do equipamento de telecomunicações da embaixada russa por causa dos riscos de segurança tanto para a Rússia quanto para a equipe de Trump. Nem os encontros nem as comunicações entre americanos foram vigiadas.

Para os serviços de inteligência dos EUA, o caso revela a enorme ingenuidade de Kushner ao tentar envolver um governo estrangeiros e adversário numa trama para enganar as autoridades americanas.

O FBI vigia constantemente os diplomatas, embaixada e consulados russos nos EUA e a Agência de Segurança Nacional (NSA) monitora suas comunicações internacionais. Se um funcionário da equipe de Trump entrasse e saísse várias vezes da Embaixada da Rússia, seria motivo de "grande preocupação" dos serviços secretos.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Terroristas matam 28 cristãos em ataque a ônibus no Egito

Pelo menos 28 cristãos coptas foram mortos hoje no Egito num ataque terrorista a um ônibus quando iam para um mosteiro na província de Mínia, no Centro do país, noticiou o jornal egípcio Al Ahram.  Nenhum grupo reivindicou a autoria do atentado. A maior suspeita é a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e Levante, que prometeu intensificar suas ações. 

No Domingo de Ramos, 9 de abril de 2017, ataques a duas igrejas cristãs mataram 45 pessoas e o Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pela ação. Depois desses atentados, o ditador Abdel Fattah al-Sissi decretou estado de emergência por três meses. Agora, convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional para esta noite.

Hoje, o ônibus foi cercado por três veículos utilitários esportivos de onde saíram atiradores que metralharam o ônibus. Outras 25 pessoas saíram feridas.

A Província do Sinai do Estado Islâmico é um grupo extremista muçulmano egípcio que aderiu à organização terrorista. Em 31 de outubro de 2015, um mês depois que a Rússia entrou na guerra civil da Síria a pretexto de combater o Estado Islâmico, um avião da companhia aérea russa Metrojet foi derrubado na Península do Sinai e todas as 224 pessoas a bordo morreram. A Província do Sinai do Estado Islâmico reivindicou a autoria.

Os cristãos coptas são cerca de 10% da população do Egito, estimada em 92 milhões de habitantes. É o maior grupo cristão do Oriente Médio, onde todos os cristãos são alvos frequentes de jihadistas.

Durante o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anteontem no Vaticano, o papa Francisco se queixou do massacre e da expulsão de cristãos do Oriente Médio. Quase 2 mil anos depois da crucificação de Jesus Cristo, os cristãos estão sendo expulsos da região, berço de três das cinco grandes religiões da humanidade (judaísmo, cristianismo e islamismo).

Em retaliação ao ataque ao ônibus, a Força Aérea do Egito bombardeou bases e centros de treinamento de um grupo jihadista ligado à rede terrorista Al Caeda na cidade de Derna, na vizinha Líbia.

EUA cresceram mais do que anunciado no primeiro trimeste de 2017

O crescimento da economia dos Estados Unidos foi revisado para cima, de 0,7% para 1,2% ao ano na segunda estimativa do Escritório de Análises Econômicas. A maioria dos analistas esperava uma revisão para 0,9%.

A primeira estimativa indicava uma queda forte em relação aos 2,1% ao ano registrados no último trimestre do ano passado. Mesmo assim, 1,2% é o ritmo de crescimento mais fraco desde o começo de 2016.

A revisão para cima se deveu a dados melhores sobre investimento não residencial em capital fixo, consumo pessoal e gastos governamentais.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Clubes chineses terão de pagar dobro por jogadores de fora

Por uma nova regra imposta pelo governo, os clubes de futebol da China terão de pagar duas vezes pelo preço jogador estrangeiro. Uma soma equivalente aos direitos do jogador será depositada num fundo criado para promover o desenvolvimento do futebol chinês, noticiou hoje a agência Bloomberg.

É mais uma tentativa de conter os gastos excessivos dos clubes chineses. Em 2016, eles gastaram mais de US$ 450 milhões com jogadores.

A China ultrapassou a França e se tornou o quinto maior mercado para jogadores de futebol, depois da Inglaterra, Espanha, Alemanha e Itália, as maiores ligas europeias. Mas os clubes faturaram apenas US$ 220 milhões no ano passado. O déficit preocupa as autoridades.

"Todos os clubes devem sustentar o interesse geral no desenvolvimento saudável dos negócios do futebol na China", declarou uma nota oficial. A promoção do futebol chinês é uma prioridade do presidente Xi Jinping.

Programa de saúde de Trump vai deixar 23 milhões sem cobertura

A reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos feita pelo Partido Republicano para acabar com o programa do governo Barack Obama para garantir cobertura universal vai deixar 23 milhões de americanos sem seguro-saúde em dez anos, advertiu ontem o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), um órgão bipartidário.

No primeiro ano, 14 milhões devem perder a cobertura de saúde. Em médio e longo prazos, os prêmios do seguro-saúde devem aumentar muito para idosos e pessoas com doenças preexistentes.

O primeiro projeto, apresentado pelo presidente da Câmara, deputado Paul Ryan, nem chegou a ser colocado em votação. Na época, o CBO estimou que 24 milhões perderiam a cobertura de saúde.

A proposta aprovada na Câmara, que deve ser alterada no Senado, pretende reduzir o déficit público federal em US$ 119 bilhões em dez anos, US$ 32 bilhões a menos do que o projeto anterior.

"O CBO estava errado antes quando analisou o impacto do programa de Obama sobre custos e cobertura e errou de novo", declarou o secretário (ministro) da Saúde, Tom Price.

Ryan alegou que o partido está no caminho certo ao "reduzir os prêmios e reduzir o déficit". Os prêmios devem ser reduzidos para as pessoas mais jovens e mais saudáveis, com prejuízo para idosos, deficientes e portadores de doenças crônicas.

Na sua proposta orçamentária, além de dar por certa a aprovação da reforma da saúde como passou na Câmara, o governo Trump está propondo cortes de US$ 900 bilhões em dez anos no Medicaid, o programa de saúde para os mais pobres, para ajudar a financiar um corte de imposto trilionário para os ricos, inclusive para si mesmo.

Com esta reforma radical para acabar com a Lei de Cobertura de Saúde a Preços Acessíveis, do governo Obama, e os cortes de impostos de Trump, os republicanos correm grande risco de enfrentar uma revolta do eleitorado nas eleições intermediárias de 2018. Podem perder a maioria na Câmara e no Senado.

Síria anuncia morte de ministro da Guerra do Estado Islâmico

Forças leais à ditadura de Bachar Assad afirmaram ontem ter matado o ministro da Guerra e outros líderes da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, na guerra civil da Síria. O ministro era Abu Mussab al-Massari, o quarto homem na hierarquia do grupo, noticiou o jornal saudita Asharq al-Awsat. 

O local exato da morte não foi revelado. Ao todo, 13 líderes do Estado Islâmico (EI) teriam sido mortos em operações a leste da cidade de Alepo, no Norte da Síria. A morte de Al-Massari é uma grande perda para a Batalha de Rakka, a capital do califado proclamado pelo EI em junho de 2014

Em março do ano passado, um bombardeio aéreo dos Estados Unidos na Síria matou o então ministro da Guerra do EI, Abu Omar al-Chichani, Omar, o Checheno. O EI só confirmou a morte em julho e disse que tinha sido em Chircate, perto de Mossul, no Sul do Iraque.

O Estado Islâmico enfrenta inimigos em três frentes no Norte da Síria: as forças e milícias leais a Assad, com o apoio da Força Aérea da Rússia; as Forças Democráticas Sírias, curdas e árabes, com cobertura da Força Aérea dos EUA; e rebeldes etnicamente turcos do Exército da Síria Livre apoiados pela Turquia.

A Força Aérea da Síria bombardeou ontem a cidade de Derá, no Sul da Síria, declara zona de segurança no plano de paz recentemente anunciado pela Rússia, a Turquia e o Irã. Foram pelo menos 12 ataques aéreos em que foram jogadas nove bombas de barril em áreas da cidade dominadas por rebeldes, em meio a violentos combates entre o regime e o Comitê de Libertação do Levante.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Homem-bomba de Manchester tinha recém-chegado da Líbia

O terrorista suicida que matou 22 pessoas na saída de um show da cantora pop americana Ariana Grande dois dias atrás, em Manchester, na Inglaterra, tinha voltado há poucos dias de uma viagem de três semanas à Líbia, terra natal de seus pais. Também esteve na Síria.

A polícia do Reino Unido estava convencida de que Salman Abedi estava ligado a uma rede terrorista, provavelmente o Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Um irmão dele preso na Líbia confirmou a suspeita, afirmou a milícia líbia que o deteve. O pai também foi preso na Líbia. Oito pessoas foram presas na Inglaterra, na maioria, líbios.

Como de costume, o Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade pelo atentado. Em muitos casos recentes, os terroristas agiram por conta própria sob a inspiração do EI e suas múltiplas peças de propaganda encontradas na Internet, sem relação operacional com a milícia.

Desta vez, pela sofisticação da bomba e do colete suicida usado no ataque, as autoridades britânicas concluíram que ele não pode ter feito tudo sozinho. Um irmão dele, Hashim Abedi, foi preso na Líbia em conexão com o atentado em Manchester e confessou que os dois eram membros do EI.

A Líbia é mais um caso de anarquia generalizada, de colapso do Estado, depois da queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011. Kadafi caiu numa intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e de aliados árabes, com o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para evitar o massacre dos rebeldes que lutavam contra a ditadura na chamada Primavera Árabe.

Desde a queda de Kadafi, a Líbia não tem um governo central que controle todo o território nacional. As diversas milícias que derrubaram o coronel disputam o poder. Ninguém faz turismo na Líbia. Viaja a este país do Norte da África quem quer aderir a milícias jihadistas.

O mesmo colapso do Estado aconteceu no Líbano, nos anos 1970s; no Afeganistão, nos anos 1990s; na Somália, desde 1991; no Iraque, depois da invasão americana de 2003; e na Síria, a partir do início da guerra civil, em 2011.

Neste vácuo político, proliferam as milícias irregulares e o terrorismo. Na Líbia, houve uma proliferação de grupos jihadistas como Ansar al-Suna, responsável pelo ataque contra o Consulado dos Estados Unidos em Bengázi, em 11 de setembro de 2012, quando o embaixador e outros três cidadãos americanos foram mortos.

Em entrevista à CNN, o pesquisador alemão Peter Neumann, diretor do Centro Internacional de Estudos de Radicalização e Violência Política e professor do King's College, de Londres, observou que há uma comunidade líbia no Reino Unido de refugiados da ditadura de Kadafi. Muitos se radicalizaram, especialmente depois da queda de Kadafi.

O EI aproveitou o vácuo para criar uma base na Líbia, especialmente depois que começou a perder territórios na Síria e no Iraque, onde chegou a dominar uma área habitada por 8 milhões de pessoas e fundou um califado em junho de 2014. Também entrou no Afeganistão.

Na Líbia, o EI massacrou cristãos egípcios e montou uma base em Sirte, a terra natal de Kadafi, destruída por milícias líbias e pela Força Aérea dos EUA. Pelo jeito, continua vivo e atuante.

A lição maior de tudo isso é que uma intervenção militar por razões humanitárias, realizada a pretexto de proteger uma população ameaçada por um ditador, precisa ser complementada por uma série de medidas de reconstrução e reconciliação nacional para conquistar a paz.

Faltou o trabalho das missões de paz da ONU, que é sempre limitado se não houver uma recuperação econômica do país, como mostra o trabalho liderado pelo Exército Brasileiro no Haiti.

Índia pode ter ultrapassado a China em população

A Índia pode ser hoje o país mais populoso do mundo, na frente da China, de acordo com as estimativas do demógrafo independente chinês Yi Fuxian, professor da Universidade de Wisconsin em Madison, nos Estados Unidos, informou o jornal britânico Financial Times.

Yi acredita que o governo chinês superestimou o número de nascimentos no país em 90 milhões entre 1990 e 2016. Assim, no fim do ano passado, a China teria 1,29 bilhão de habitantes, em vez dos 1,38 bilhão da estatística oficial, enquanto a Índia teria 1,33 bilhão pelos dados do governo indiano.

Com a política do filho único, adotada em 1979 para conter o crescimento demográfico e relaxada oficialmente em 2015, a China começa a enfrentar sua crise populacional. Em 2012, pela primeira vez, a população em idade de trabalhar diminuiu.

É um sinal de envelhecimento antes do país se tornar rico como as economias capitalistas mais avançadas.

A política do filho único teria acelerado a chegada da China ao ponto da virada de Arthur Lewis, um economista britânico. É o momento em que se esgota a oferta de mão de obra do êxodo rural, dos trabalhadores que saem da agricultura e do campo em busca de empregos na indústria e nas cidades.

Esse "dividendo demográfico" está chegando ao fim. A partir daí, os salários começam a subir e com eles o custo de produção.

A China não terá condições de manter os extraordinários ganhos de produtividade dos últimos 30 anos. Vai se tornar uma economia madura e depender do desenvolvimento tecnológico para continuar avançando. As companhias chinesas são hoje as que mais registram patentes no mundo. Não há razão para que não consiga. Mas um eventual déficit demográfico deve pesar.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Reino Unido entra em estado de alerta máximo contra terrorismo

A primeira-ministra britânica, Theresa May, decretou hoje estado de alerta máximo no Reino Unido, depois do atentado terrorista que matou 11 pessoas ontem em Manchester, na Inglaterra. Isso significa que as forças de segurança e os serviços secretos temem a realização de novos ataques.

O terrorista suicida se explodiu às 22h35 (18h35 em Brasília) de ontem, na saída de um show da cantora pop americana Ariana Grande. Ele foi identificado como Salman Abedi, de 22 anos, filho de imigrantes da Líbia nascido em Manchester.

Foi o pior atentado terrorista na Europa desde que um caminhão atropelou a multidão e matou 86 pessoas no feriado de 14 de julho, data nacional da França, na cidade de Nice. No Reino Unido, foi o pior desde os quatro ataques coordenados contra o sistema de transportes de Londres, com 52 mortes, em 7 de julho de 2005.

Pela natureza da bomba e do colete suicida, a Scotland Yard acredita que Abedi deve estar ligado a uma rede ou pelo menos a uma célula terrorista. Não teria agido sozinho como os chamados "lobos solitários", células terroristas de um homem só e portanto dificílimas de detectar.

A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou hoje a autoria do atentado, mas costuma cantar vitória sempre. Pode ter inspirado o ato sem ter relações operacionais com o homem-bomba.

Com uma população de 3 milhões de muçulmanos, na maioria descendentes de imigrantes de antigas colônias do Império Britânico, muitos dos quais se sentem marginalizados, o Reino Unido tem 3 mil suspeitos de ligações com o extremismo muçulmano. É gente demais para os serviços secretos vigiarem.

Assim, novos atentados no Reino Unido e na Europa são inevitáveis. À medida que o Estado Islâmico é derrotado nos campos de batalha do Oriente Médio e vê o sonho de recriar o califado ser adiado, resta o terrorismo para mostrar que está vivo e manter a propaganda para atrair novos recrutas. A maioria dos atentados acontece no Oriente Médio, mas ações contra alvos ocidentais têm muito mais impacto.

Dois ministros do Tribunal Supremo rejeitam Constituinte de Maduro

Dois ministros do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela são contra a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte sem voto popular, proposta do presidente Nicolás Maduro para tentar sair da crise política que ameaça o regime chavista.

Em declaração divulgada pela Telecaribe, o ministro Danilo Mojica declarou que o projeto deve ser submetido a um "mecanismo de democracia direta" como um referendo para receber o aval do eleitorado. "Caso contrário, seria uma Constituinte absolutamente espúria por vir do fruto de um árvore envenenada", o que "compromete a soberania popular e a aniquila", acrescentou, de acordo como jornal venezuelano El Nacional.

Mojica apoiou a posição da procuradora-geral, Luisa Ortega Díaz. Há uma semana, ela repudiou a Constituinte de Maduro lembrando que a Constituição da República Bolivarista da Venezuela "foi elaborada por um Assembleia Nacional Constituinte convocada através de um referendo consultivo e ratificada mediante um referendo constitucional", e é "a maior herança do presidente Hugo Chávez".

Horas mais tarde, em entrevista à rádio Éxitos FM, a ministra Marisela Godoy se associou à procuradora-geral e a seu colega de TSJ dizendo não "importa" ser criticada: "Neste momento, apoio sem nenhum temor à procuradora-geral, que não é uma funcionária qualquer."

Maduro está pressão das ruas e de uma Assembleia Nacional dominada pela oposição. No ano passado, o Conselho Nacional Eleitoral e o TSJ, subservientes ao regime, vetaram a convocação de um referendo para revogar o mandato.

Desde o início do mês passado, ao menos 47 pessoas foram mortas em manifestações de protesto, saques e confrontos com a polícia, em meio à pior crise econômica da história independente da Venezuela.

Depois do fracasso da tentativa do TSJ de anular os poderes da Assembleia Nacional, sob pressão das ruas, Maduro decidiu convocar uma Constituinte formada por entidades e movimentos sociais controlados pelo regime chavista.

A Venezuela marcha rumo a um golpe militar ou uma guerra civil. As divisões internas do regime refletidas na dissidência da procuradora-geral e de dois ministros do STJ dão a esperança de um afastamento de Maduro pelos próprios chavistas, com a ascensão do ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, o atual homem-forte, ou de um político mais moderado, capaz de negociar a transição política e a saída da crise econômica.

Polícia britânica identifica autor do atentado em Manchester

A Scotland Yard, polícia do Reino Unido, identificou hoje Salman Abedi, um britânico de de 22 anos e origem líbia, como o terrorista suicida responsável pelo atentado que matou 22 pessoas e deixou outras 59 feridas ontem em Manchester, no Noroeste da Inglaterra, na saída de um show da cantora pop americana Ariana Grande.

O chefe de polícia de Manchester, Ian Hopkins, declarou que o atentado foi cometido por um homem só com "um artefato explosivo improvisado". A polícia tenta descobrir se ele tinha uma rede de apoio ou qualquer contato direto com algum grupo terrorista. Um homem de 23 anos foi preso

Hoje a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante assumiu a responsabilidade pelo atentado através de sua agência de propaganda Amaq, mas sempre faz isso. Nos casos mais recentes, pode ter inspirado os terroristas, mas não tinha relações operacionais com ele.

A Arena de Manchester, com capacidade para 21 mil espectadores, estava lotada por um público predominantemente infanto-juvenil. A vítima mais jovem tinha apenas oito anos.

Cristina Serra, mulher do treinador do Manchester City, Pepe Guardiola, e suas duas filhas, María e Valentina, estavam no show, mas não foram feridas. O Ministério das Relações Exteriores informou que não há brasileiros entre as vítimas.

O salafismo, a corrente ultrapuritana do Islã seguida pelos jihadistas, prega o retorno aos valores e hábitos da Arábia no século 7, quando o profeta Maomé fundou o islamismo. É contra a música, a dança e a exposição do corpo.

Estado Islâmico reivindica autoria do atentando em Manchester

Através de sua agência de propaganda na Internet, a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante afirmou hoje que o atentado cometido ontem em Manchester, na Inglaterra, foi obra de um de seus "soldados", mas não revelou detalhes sobre a identidade ou tipo de explosão.

Eram 22h35 (18h35 em Brasília), quando um terrorista suicida se detonou na saída de um concerto da cantora pop americana Ariana Grande na Arena de Manchester. Vinte e duas pessoas foram mortas e 59 hospitalizadas. A polícia já identificou o homem-bomba, mas ainda não revelou seu nome para não prejudicar a investigação.

Foi o maior atentado terrorista no Reino Unido desde um ataque coordenado contra o sistema de transporte de Londres, em 7 de julho de 2005, quando 52 pessoas foram mortas.

O Estado Islâmico costuma assumir a autoria de todos os ataques cometidos por jihadistas. A maioria dos casos recentes pode ter sido inspirada pelo grupo, mas não foram detectadas relações operacionais, que incluiriam treinamento, ajuda financeira e na fabricação de bombas.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Irã acusa Trump de iranofobia

A República Islâmica do Irã reagiu hoje ao discurso do presidente Donald Trump em Riade, na Arábia Saudita, convocando 50 países de maioria muçulmana sunita a formar uma aliança antiterrorista com os Estados Unidos. 

Foi um "encontro teatral", ironizou o presidente reeleito, Hassan Rouhani, enquanto o Ministério do Interior do Irã acusava o presidente americano de "iranofobia", noticiou a televisão americana CNN.

"Você não pode resolver o problema do terrorismo simplesmente dando o dinheiro do povo a uma superpotência", declarou Rouhani hoje em entrevista em Teerã, referindo-se à compra de US$ 110 bilhões em armas dos EUA pela monarquia saudita.

Mais cedo, o porta-voz da chanceleria iraniana, Bahram Kassemi, criticou Washington por suas políticas, que descreveu como "belicismo, intervenção, iranofobia e venda de armas inúteis e perigosas aos maiores patrocinadores do terrorismo".

Em seu discurso, Trump acertou ao alertar os países muçulmanos sunitas que precisam combater o terrorismo para garantir um futuro de paz e prosperidade, mas culpou isoladamente o Irã por apoiar e fomentar o terrorismo no Oriente Médio.

"Desafortunadamente", lamentou o porta-voz iraniano, "estamos sob políticas agressivas e hostis do estadista americano, estamos assistindo a um renovado fortalecimento dos grupos terroristas na região e um erro de cálculo das ditaduras que apoiam estes grupos."

Embora o Irã apoie grupos como a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) e o Movimento de Resistância Islâmica (Hamas) palestino, a maior ameaça hoje vem do salafismo jihadista, que tem sua origem no wahabismo, a corrente do islamismo seguida e incentivada pela Arábia Saudita.

Desde que o embargo ao Ocidente multiplicou os preços do petróleo, em 1973, a monarquia saudita faz um proselitismo político para difundir sua corrente fundamentalista do Islã. Suspeita-se que muitos príncipes das monarquias petroleiras do Golfo Pérsico financiem grupos salafistas jihadistas como a rede terrorista Al Caeda e o Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Ataque terrorista mata 22 pessoas em show em Manchester

Uma explosão durante um show da cantora americana Ariana Grande em Manchester, no Reino Unido, causou 22 mortes e deixou mais de 60 feridos. A polícia britânica está tratando o caso como terrorismo, informou a televisão americana CNN.

Cerca de 20 mil pessoas assistiram ao concerto na Arena de Manchester, no centro da cidade de 500 mil habitantes situada no Noroeste da Inglaterra. Ariana, de 23 anos, atrai um público adolescente.

Testemunhas disseram que houve uma grande explosão na entrada do ginásio esportivo logo depois do final do show, quando as pessoas estavam deixando o local, às 22h35 pela hora local (18h35 em Brasília). Todos saíram correndo e gritando.

A polícia encontrou um pacote suspeito nos arredores e acabou de destruí-lo numa explosão controlada, mas depois disse que eram apenas roupas, noticiou a televisão pública britânica BBC.

A principal linha de investigação é de um atentado terrorista suicida cometido por um homem só, que seria confirmado horas mais tarde. Resta saber quem é ele, como virou um radical, qual é sua rede de apoio, quem o treinou, financiou ou forneceu os meios para praticar o crime.

Os partidos políticos deploraram o ataque e suspenderam a campanha para as eleições parlamentares de 8 de junho. A primeira-ministra Theresa May decretou luto nacional e convocou uma reunião de emergência do ministério para amanhã de manhã.

Em 22 de março deste ano, Londres foi alvo de um ataque terrorista. Um homem atropelou mais de 50 pessoas na ponte de Westminster, matando quatro, e tentou invadir o Parlamento Britânico. Khalid Masood, de 52 anos, ainda matou um policial antes de ser morto.

O atentado em Manchester foi o pior ato terrorista no Reino Unido desde que uma série de explosões coordenadas matou 52 pessoas no sistema de transportes da capital britânica, em 7 de julho de 2005.

Vantagem conservadora cai para nove pontos no Reino Unido

Depois da divulgação de um manifesto com forte guinada à esquerda, o Partido Trabalhista, o maior da oposição, reduziu para nove pontos percentuais a vantagem do Partido Conservador em pesquisas sobre as eleições parlamentares de 8 de junho no Reino Unido, informou hoje o jornal britânico The Independent.

De acordo com a pesquisa do instituto Survation, os conservadores da primeira-ministra Theresa May tem 43% das preferências do eleitorado contra 34% para os trabalhistas, liderados por Jeremy Corbyn, considerado um radical de esquerda.

No manifesto, além do aumento dos gastos sociais, Corbyn promete estatizar os correios, o sistema ferroviário, a rede de distribuição de energia elétrica e as empresas de água e esgotos.

Os trabalhistas cresceram por serem considerados mais confiáveis em educação e apoio a famílias com filhos pequenos, enquanto os conservadores são considerados melhores para administrar a economia e negociar a saída da União Europeia, aprovada em referendo em 23 de junho de 2016.

A pesquisa ouviu  1.034 adultos em 19 e 20 de maio.

Outra pesquisa, do instituto YouGov, apresentou mais ou menos o mesmo resultado. Os conservadores tiveram o apoio de 44% e os trabalhistas conseguiram o melhor resultado até agora, 35%.

"Com os manifestos lançados oficialmente e o debate aberto entre os partidos nos meios de comunicação, é possível que isso tenha algum efeito sobre as intenções de voto", comentou o instituto Survation ao divulgar seus últimos números.

domingo, 21 de maio de 2017

Coreia do Norte testa míssil de médio alcance

Uma semana depois de anunciar que conseguiu desenvolver um míssil nuclear de longo alcance, a ditadura comunista da Coreia do Norte testou neste domingo um míssil balístico de médio alcance. O foguete teleguiado foi lançado da base de Pukchang e voou 500 quilômetros até cair no Mar do Japão.

"Este míssil, testado em fevereiro, tem alcance menor do que os dos três testes anteriores", comentou a assessoria da Casa Branca.

O regime stalinista de Pionguiangue descreveu o teste como um sucesso e declarou estar pronto para iniciar a fabricação em larga escala do míssil de médio alcance.

Depois de cinco testes nucleares e dezenas de testes de mísseis balísticos, onze só neste ano, violando resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Coreia do Norte aumentou a tensão com seus inimigos históricos, os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão, e entre os EUA e a China.

"A Coreia do Norte está muito perto de desenvolver a tecnologia que necessita para miniaturizar armas atômicas para instalar numa ogiva de míssil", comentou recentemente em Seul o Ministério da Defesa sul-coreano.

No Japão, o ministro-chefe da Casa Civil, Yoshihide Saga, lamentou o que chamou de "ações provocativas repetidas" e "inaceitáveis". Para o novo presidente da Coreia do Sul, Moon Jae In, é mais um desafio à sua tentativa de reabrir o diálogo com o Norte.

O desenvolvimento de um míssil nuclear balístico de longo alcance é uma ameaça direta aos EUA, como o presidente Barack Obama advertiu o sucessor Donald Trump durante o período de transição entre a eleição e a posse. Trump pressiona a China a enquadrar o regime stalinista de Pionguiangue.

A China, por sua vez, pressiona a Coreia do Sul, insatisfeita com a instalação de um sistema americano de defesa antimísseis capaz de ser usado contra mísseis chineses no futuro, em caso de conflito entre as superpotências.

Trump propõe a muçulmanos aliança para combater o terrorismo

Em discurso na Arábia Saudita em sua primeira viagem ao exterior como presidente dos Estados Unidos, Donald Trump fez hoje um apelo aos países muçulmanos para que formem uma nova "coalizão" para combater o jihadismo dos extremistas islâmicos.

Depois de fazer duras acusações ao Islã como um todo durante a campanha eleitoral e de tentar proibir a entrada nos EUA de cidadãos de sete países muçulmanos, proibição rejeitada na Justiça, Trump adotou um tom mais moderado e conciliador.

"Não estamos aqui para dar lições. Não estamos aqui para dizer a outros povos como viver, o que fazer ou como praticar sua fé. Estamos aqui para oferecer uma parceria baseada em interesses e valores comuns", declarou Trump, diante dos líderes de mais de 50 países de maioria muçulmana.

O presidente americano descreveu o desafio como uma luta entre "o bem e o mal" e não um conflito religioso, afirmando que 95% das vítimas do terrorismo são muçulmanos: "Os terroristas não louvam a Deus; louvam a morte."

"Se não nos erguermos numa condenação uniforme a esta matança, seremos julgados não apenas pelo nosso povo, não apenas pela história, mas seremos julgados por Deus", desafiou Trump. "Heróis não matam inocentes, os salvam."

Assim, prosseguiu o presidente dos EUA, combater o terrorismo é de interesse imediato dos países do Oriente Médio: "Um futuro melhor só é possível se nossas nações expulsarem os terroristas e os extremistas. Expulsem-nos. Expulsem dos lugares de oração, de sua terra sagrada e da face da Terra."

Trump evitou a expressão "terrorismo radical islâmico". Durante a campanha, ele acusou repetidamente o presidente Barack Obama e sua adversária, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, de não falarem a expressão por não a considerarem politicamente correta.

Na luta para ser eleito, Trump chegou a dizer: "O Islã nos odeia". Também falou que é impossível distinguir entre seguidores pacíficos e violentos da religião muçulmana.

Suas críticas hoje se dirigiram principalmente ao Irã, que não é um país árabe, é persa, tem maioria xiita e é o maior adversário da Arábia Saudita na disputa pela liderança regional no Oriente Médio: "Durante décadas, o Irã alimentou as chamas do conflito sectário e do terror", acusou Trump.

"Enquanto o regime iraniano não quiser ser um parceiro para a paz, todas as nações com consciência devem trabalhar juntas para isolar o Irã, negar fundos para o terrorismo e rezar pelo dia em que o povo iraniano tiver o governo justo e correto que merece", exortou o presidente.

Ao contrário de Obama, Trump não criticou a falta de democracia e o desrespeito aos direitos humanos no mundo árabe. Em troca, exaltou o Oriente Médio, "rico em belezas naturais, culturas vibrantes e quantidades maciças de tesouros históricos. Deve cada vez mais se tornar um dos grandes centros globais de comércio e oportunidades."

O presidente dos EUA assinou contratos para a venda de armas à Arábia Saudita no valor de US$ 110 bilhões. É a maior venda de armas ao exterior da história dos EUA. Ao todo, a visita a Riade envolve negócios estimados em US$ 380 bilhões.

Ainda hoje, Trump visita o recém-criado Centro Global para Combate a Ideologias Extremistas. A Arábia Saudita é a pátria do wahabismo, a corrente ultrapuritana do Islã que é a base ideológica do salafismo jihadista, seguido por fanáticos que sonham em recriar o mundo no modelo da Arábia no século 7, a época do profeta Maomé, como a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Amanhã, Trump segue para Israel, onde deve visitar Jerusalém e Telavive. Na terça-feira, vai à Cisjordânia encontrar o presidente da Autoridade Nacional Palestina, em seu esforço para reiniciar as negociações de paz árabe-israelenses, à Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, construída no local onde Jesus Cristo foi enterrado, e ao Muro das Lamentações, a única parede que resta do Templo de Jerusalém, destruído pelos romanos no ano 70 depois de Cristo.

O papa Francisco recebe Trump no Vaticano na quarta-feira. No mesmo dia, o presidente segue para Bruxelas, na Bélgica, onde na quinta-feira se encontra com dirigentes da União Europeia e participa de uma reunião de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA.

De volta à Itália, Trump participa na sexta-feira e no sábado de uma reunião do Grupo dos Sete (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá), as maiores potências industriais capitalistas liberais.

sábado, 20 de maio de 2017

Irã reelege o presidente moderado Hassan Rouhani

Com mais de 80% dos votos apurados na eleição presidencial realizada ontem no Irã, o presidente Hassan Rouhani obteve uma vantagem insuperável e está reeleito, informou o jornal liberal israelense Haaretz citando fontes oficiais do Irã. 

"Acabou. Rouhani é o vencedor", resumiu um funcionário iraniano citado pelo Haaretz. Seu adversário da linha dura, Ebrahim Raisi, denunciou fraude e ainda não reconheceu a derrota.

Mais de 40 milhões de iranianos votaram na sexta-feira, a folga religiosa semanal dos muçulmanos. Com 37 milhões de votos apurados, o aiatolá moderado Rouhani, de 68 anos, lidera com 21,6 milhões contra 14 milhões para o linha-dura Raisi, de 56 anos.

O comparecimento foi de cerca de 70%, semelhante ao de 2013, quando Rouhani foi eleito prometendo se reaproximar do Ocidente para negociar o fim das sanções econômicas, recuperar a economia do país e aumentar as liberdades públicas.

Quatro anos depois, o regime dos aiatolás não mudou. O Conselho dos Guardiães da Revolução vetou mais de mil candidatos à Presidência da República Islâmica do Irã.

"Votei em Rouhani para evitar a vitória de Raisi. Não quero um linha-dura como meu presidente", declarou Ziba Ghomeyshi em Teerã. "Esperei cinco horas na fila para votar."

Em 2015, o Irã fechou um acordo com as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar seu programa nuclear militar por dez anos, em troca do levantamento das sanções internacionais.

Como a recuperação da economia foi fraca por causa dos baixos preços do petróleo, a oposição fez campanha denunciando a corrupção e a desigualdade. Mas a eleição acabou virando um referendo sobre o acordo nuclear com os Estados Unidos e as outras grandes potências - e Rouhani venceu.

Os resultados oficiais devem ser anunciados ainda neste sábado. No fim da apuração, o presidente foi reeleito com 57% dos votos.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Procuradora-geral rejeita convite para Constituinte na Venezuela

Em um duro golpe contra o presidente Nicolás Maduro, a procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, rejeitou um convite para participar de uma Assembleia Nacional Constituinte, sob o argumento de que esse processo só vai agravar a crise porque a atual Constituição "não é aperfeiçoável".

"Na opinião de quem subscreve, para resolver a crise indiscutível e sem precedentes que o país atravessa, não é necessário, pertinente nem conveniente levar a cabo uma transformação do Estado nos termos que deveria supor uma nova Constituição", declarou a procuradora em carta de resposta a Maduro.

Luisa Ortega citou o artigo 347 da Constituição da República Bolivarista da Venezuela para dizer que o propósito de uma Constituinte é transformar o Estado e criar um novo ordenamento jurídico: "Em lugar de proporcionar equilíbrios ou gerar um clima de paz, o exposto estimo que aceleraria a crise, tendo em vista além do mais o caráter setorial e corporativo - de representação indireta - previsto no decreto ditado pelo Executivo."

A carta foi enviada em 17 de maio ao ex-vice-presidente e atual ministro da Educação, Elías Jaua, presidente da comissão presidencial encarregada de organizar a Constituinte. O convite era para uma reunião ontem no Palácio de Miraflores, sede do governo, na qual seriam explicados os motivos, as linhas programáticas e os métodos de escolha dos constituintes.

"Como assinalei publicamente dias atrás, na opinião de quem subscreve, a Constituição de 1999 não é aperfeiçoável, além de ser o maior legado do presidente Hugo Chávez", acrescentou a procuradora-geral. "Esta Constituição surgiu com o objetivo de transformar o sistema político e realizar mudanças no momento em que se percebia o esgotamento do modelo iniciado em 1958", data da carta anterior.

Suécia abandona acusação de crimes sexuais contra Assange

Seis meses depois de entrevistar o anarquista australiano Julian Assange na embaixada do Equador em Londres, onde ele estava refugiado, a Procuradoria da Suécia decidiu arquivar o inquérito sobre crimes sexuais supostamente cometidos por ele. Mas as autoridades britânicas advertem que ele pode ser preso por violar os termos de sua liberdade condicional.

Assange era suspeito desde 2010 de ter cometido estupro e outros crimes sexuais na Suécia. Como fundador do sítio de vazamento de documentos de governos e grandes empresas WikiLeaks, ele divulgou provas de crimes de guerra e centenas de milhares de documentos dos departamentos de Estado e da Defesa dos Estados Unidos.

Como temia ser extraditado para a Suécia e de lá para os EUA, depois de perder vários recursos contra o mandado de prisão pan-europeu emitido pela procuradoria sueca, em maio de 2012, Assange se refugiu na Embaixada do Equador no Reino Unido.

Entre seus múltiplos desafios, Assange declarou que aceitaria ser julgado pela Justiça dos EUA se o soldado Bradley Manning, preso por roubar os arquivos secretos, fosse libertado. No fim de seu governo, o presidente Barack Obama reduziu a pena de Chelsea Manning, seu novo nome depois que mudou de um tratamento para mudar de sexo. Ela foi solta nesta semana.

Recentemente, o WikiLeaks ajudou a divulgar documentos pirateados pela Rússia para prejudicar as candidaturas de Hillary Clinton, nos EUA, e Emmanuel Macron, na França.

Na sacada da embaixada equatoriana, hoje Assange fez pose de vencedor: "A guerra propriamente dita está apenas começando."


Trump disse a russos que demissão de Comey aliviaria a pressão

Quando recebeu o ministro do Exterior, Serguei Lavrov, e o embaixador da Rússia em Washington, Serguei Kislyak, na Casa Branca, em 10 de maio de 2017, o presidente Donald Trump disse a eles que a demissão do diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, tinha aliviado uma grande pressão.

"Acabei de demitir o chefe do FBI. Ele era um louco, um maluco", comentou Trump, de acordo um documento resumindo o encontro divulgado pelo jornal The New York Times. "Enfrentei uma grande pressão por causa da Rússia. Isso foi retirado. Eu não estou sendo investigado."

O documento, baseado em notas tomadas durante a reunião, reforça a suspeita de que a demissão do diretor do FBI foi motivada pelo inquérito presidido por ele sobre a interferência indevida da Rússia na eleição presidencial dos EUA e um possível conluio da candidatura Trump com os russos.

Isso caracteriza obstrução de justiça. É motivo suficiente para abertura de um processo de impeachment do presidente.

Pior ainda: a investigação sobre a Rússia se aproxima de um funcionário da Casa Branca próximo de Trump, noticiou o jornal The Washington Post.

A Casa Branca não questionou a veracidade do documento citado pelo NY Times. Em nota, o porta-voz Sean Spicer alegou que Comey colocou uma "pressão desnecessária" sobre o governo Trump, prejudicando as relações diplomáticas com a Rússia em questões como a Síria, a Ucrânia e o Estado Islâmico.

"Ao posar grandiosamente e politizar a investigação sobre as ações da Rússia, James Comey criou uma pressão desnecessária na nossa capacidade de negociar com a Rússia", afirmou a nota oficial. "A investigação teria continuado e obviamente a demissão de Comey não acabaria com ela. Mais uma vez, a verdadeira história é que nossa segurança nacional foi minada pelo vazamento de conversas privadas e altamente confidenciais."

O encontro com os russos criou ainda mais problemas para Trump, quando o jornal The Washington Post revelou que o presidente passou ao russos informações ultrassecretas descobertas pelo serviço secreto de Israel.

Outro funcionário do governo defendeu Trump sob o argumento de que as conversas faziam parte da tática de negociação do presidente para mostrar aos russos que sua política de reaproximação com a Rússia tinha um elevado custo pessoal.

Depois de divulgação de um memorando interno do FBI em que Comey acusa Trump de pressioná-lo a encerrar a investigação sobre o general Michael Flynn, ex-assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, o Departamento de Justiça nomeou o ex-diretor do FBI Robert Mueller como procurador especial. Ele vai presidir o inquérito sobre a Rússia, a eleição e um possível conluio com a candidatura Trump.

Ontem, no seu primeiro comentário a respeito, em entrevista coletiva na Casa Branca, Trump declarou ser vítima da "maior caça às bruxas da história" dos EUA. Mas ele mesmo admitiu, em entrevista à rede de televisão NBC, que demitiu Comey por causa da investigação sobre a Rússia: "Quando decidi fazer isso, disse a mim mesmo, você sabe, essa história da Rússia com Trump é uma história fabricada."

Hoje, Trump embarcou para sua primeira viagem ao exterior. Começa pela Arábia Saudita, onde os EUA esperam vender US$ 110 bilhões em armas e articular uma aliança de países árabes sunitas contra o Irã e o terrorismo islâmico. Depois, vai a Israel, à Itália e à Bélgica.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Trump nega pressão sobre diretor do FBI para encerrar inquérito

Na sua primeira entrevista coletiva desde a nomeação de um procurador especial para investigar a interferência da Rússia na eleição presidencial em conluio com sua candidatura, o presidente Donald Trump rejeitou há pouco ter qualquer ligação suspeita com o governo russo.

O presidente também negou ter pressionado o então diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, James Comey, a encerrar a investigação sobre o caso.

"A investigação toda é a maior caça às bruxas da história", reclamou Trump, em entrevista ao lado do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos. "Não há nenhum conluio com os russos, não da minha parte nem da minha campanha. Só posso falar por mim."

Esta última frase foi interpretada como admissão de uma possibilidade de envolvimento de alguém de sua campanha.

Trump demitiu Comey em 9 de maio. Alegou que o diretor do FBI estava fazendo um mau trabalho e não estava qualificado para o cargo, no quarto ano de um mandato de dez anos.

Nesta semana, o jornal The New York Times revelou um memorando interno do FBI em que o ex-diretor registra a pressão do presidente para encerrar o inquérito sobre o general Michael Flynn, ex-assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, demitido em fevereiro por ter mentido ao vice-presidente sobre contatos com os russos.

A denúncia caiu como uma bomba em Washington. Até mesmo deputados e senadores do Partido Republicano admitiram a possibilidade de abertura de um processo de impeachment de Trump.

Ontem, o subprocurador-geral dos EUA, Rod Rosenstein, decidiu nomear o ex-diretor do FBI Robert Mueller como procurador independente para investigar as relações da campanha de Trump com a Rússia.

Hoje, em reunião a portas fechadas no Senado, Rosenstein declarou saber que Comey seria demitido antes de redigir o memorando do Departamento de Justiça usado pela Casa Branca como pretexto para justificar a demissão.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Procurador especial vai investigar relações de Trump com a Rússia

O subprocurador-geral dos Estados Unidos, Rod Rosenstein, nomeou hoje o ex-diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation) Robert Mueller como procurador independente para investigar a interferência indevida da Rússia na eleição presidencial americano e um possível conluio entre a campanha de Donald Trump e o Kremlin.

Mueller foi diretor-geral do FBI, a polícia federal dos EUA, de 2001 a 2013, quando foi substituído por James Comey, demitido por Trump em 9 de maio de 2017. Ele chefiou as investigações sobre os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

Ontem, o jornal The New York Times revelou um memorando interno do FBI em que Comey acusa o presidente de pressioná-lo para encerrar o inquérito sobre seu ex-assessor de Segurança Nacional, general Michael Flynn, acusado de mentir sobre contatos com os russos.

Comey foi a uma reunião na Casa Branca da qual participaram o vice-presidente Mike Pence e o secretário da Justiça e procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions. Depois do encontro, Trump dispensou o vice-presidente e o procurador-geral para ficar sozinho com Comey.

Isso caracterizaria obstrução de justiça, ao lado do relato de que Trump pediu ao então diretor-geral do FBI que parasse a investigação sobre Flynn sobe o argumento de que "ele é um cara legal" e "não faz nada de errado".

Desde a demissão de Comey, a oposição democrata exige a indicação de um procurador independente para presidir o inquérito. A obstrução de justiça é um crime grave, capaz de levar ao impeachment de um presidente dos EUA. Rosenstein alegou que a nomeação de um procurador especial é de "interesse público".

Maduro autoriza uso de força militar contra manifestações

Em uma escalada na repressão contra a onda de protestos de rua, o presidente Nicolás Maduro autorizou as forças de segurança da Venezuela a atacar os manifestantes que há um mês e meio protestam diariamente contra seu governo, exigindo a convocação de eleições diretas. 

Em 47 dias de conflito nas ruas das grandes cidades venezuelanas, pelo menos 42 pessoas foram mortas, a maioria por milícias ligadas ao chavismo, não diretamente pelo regime. Cerca de 13 mil saíram feridas e 2.371 foram presas.

Maduro mandou o comandante da Guarda Nacional Bolivariana (GNB), general Antonio Benavides Torres, ativar imediatamente a segunda fase do Plano Operacional Guaicaipuro e o Plano Estratégico Operacional Zamora, que implicam o uso de armas e forças militares contra manifestações pacíficas. O anúncio foi feito pelo general na cidade de San Cristobal.

O risco é de um banho de sangue. A Venezuela vive a pior crise econômica desde a independência, com queda de 20% do produto interno bruto nos últimos dois anos, inflação superior a 800% ao ano e desabastecimento generalizado, de mais de 80% dos produtos básicos.

Com o fracasso do diálogo, inclusive da iniciativa do papa Francisco, a Venezuela segue rumo a uma tragédia anunciada. O regime chavista faliu o país. Geralmente, quando a situação econômica se deteriora a tal ponto, o governo cai, mas algumas ditaduras sobrevivem, como é o caso de Robert Mugabe, no Zimbábue.

No clima atual de crise profunda e radicalização, é difícil uma mudança de regime sem um derramamento de sangue ainda maior. A Venezuela marcha para um golpe militar ou uma guerra civil.

Bolsa de Nova York cai 372 pontos com escândalo de Trump

Na maior queda desde setembro, o Índice Dow Jones da Bolsa de Valores de Nova York sofreu hoje uma baixa de 372,82 pontos (1,8%), fechando em 20.606,93. A causa foi o risco de que a acusação de obstrução de justiça feita pelo ex-diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, ao presidente Donald Trump leve a um processo de impeachment.

As ações, o dólar e o rendimento dos títulos da dívida pública americana caíram, devolvendo os ganhos obtidos desde a vitória de Trump, diante da expectativa de que a aprovação das reformas do governo para desregulamentar a economia e cortar impostos seja prejudicada.

Hoje, a Comissão de Inteligência do Senado convocou o ex-diretor do FBI James Comey para depor publicamente sobre a acusação ao presidente. Também quer ver o relato de Comey de um encontro com Trump na Casa Branca.

Em memorando interno do FBI revelado ontem pelo jornal The New York Times, Comey afirma que Trump lhe pediu para encerrar o inquérito sobre o general Michael Flynn, ex-assessor de Segurança Nacional da Casa Branca demitido em fevereiro por mentir sobre contatos com o embaixador da Rússia.

Trump também está sendo duramente criticado por ter revelado ao ministro do Exterior e ao embaixador da Rússia em Washington informações ultrassecretas descobertas por um espião de Israel infiltrado na organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

A indiscrição ameaça o agente e a cooperação entre os serviços secretos dos dois países, mas o presidente tem o direito de desclassificar informações confidencias.

Desde a demissão de Comey, em 9 de maio de 2017, a oposição democrata exige a nomeação de um procurador independente para investigar a interferência da Rússia na eleição presidencial americana e um possível conluio da campanha de Trump com o Kremlin.

Alguns líderes republicanos, como o senador John McCain, candidato derrotado pelo presidente Barack Obama na eleição de 2008, passaram a pedir a convocação de uma comissão parlamentar de inquérito.

Agora, as bancadas do Partido Democrata e até mesmo um deputado republicano falam em impeachment, se for comprovada a tentativa de obstruir a justiça.

Conservadores ampliam vantagem no Reino Unido

O Partido Conservador, da primeira-ministra Theresa May, aumentou sua vantagem sobre o Partido Trabalhista, o maior da oposição, nas pesquisas sobre as eleições parlamentares de 8 de junho de 2017, indica uma pesquisa divulgada ontem pelo instituto Kantar Public.

Enquanto os conservadores ganharam três pontos percentuais, chegando a 47% das preferências do eleitorado, os trabalhistas caíram um ponto para 29%. O Partido Liberal-Democrata perdeu três pontos e tem agora 8%, e o Partido da Independência do Reino Unido (UKIP) baixou dois pontos para 6%.

May chegou ao poder depois do plebiscito que aprovou a saída do país da União Europeia, em 23 de junho de 2015, e derrubou o então primeiro-ministro David Cameron. Com a divisão fratricida entre os partidários da Brexit (saída britânica), May, que apoiaria Cameron por lealdade, ascendeu à liderança do partido.

Sua principal missão é negociar o divórcio com a UE. Desde então, a líder conservadora mostrou estar pronta para aceitar uma "saída dura", que incluiria a retirada do Reino Unido do mercado comum europeu.

A convocação de eleições antecipadas foi uma tentativa de consolidar o poder internamente, já que May virou primeira-ministra vem passar pelo teste de eleições gerais, e de fortalecer sua posição negociadora na Brexit.

Para ficar no mercado comum, os sócios europeus exigem que o Reino Unido mantenha a livre circulação de bens, capitais e pessoas. Uma das principais razões da vitória do não à Europa foi o desejo de recuperar o controle total sobre as fronteiras e a imigração.

A primeira-ministra não quer abrir mão do controle sobre a imigração. Serão negociações difíceis, como ficou claro num encontro com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Os britânicos não querem pagar pelos compromissos assumidos, uma conta estimada em 60 a 100 bilhões de euros.

Outra pesquisa, divulgada anteontem pelo instituto Panelbase, mostrou uma pequena redução da vantagem conservadora depois da divulgação do manifesto de campanha do Partido Trabalhista, mas ainda é confortável, de 13 pontos. Os conservadores teriam 41% dos votos contra 29% para os trabalhistas.

O manifesto trabalhista é o mais à esquerda desde 1983, quando o partido fazia oposição à primeira-ministra Margaret Thatcher. Sob intensa pressão por causa da perspectiva de uma derrota esmagadora, o líder Jeremy Corbyn optou por ir mais para a esquerda.

Corbyn prometeu não aumentar o imposto de renda, a não ser para os 5% mais ricos, reestatizar o transporte ferroviário e empresas de serviços públicos como água e energia elétrica, construir 1 milhão de novas residências, limitar o reajuste dos aluguéis com base na inflação, acabar com a cobrança de anuidade nas universidades e reduzir as dívidas do crédito educativo.

Apesar da expectativa de uma vitória avassaladora, May não deve melhorar sua posição negociadora diante da UE. A Alemanha e outros países europeus estão determinados a deixar claro que o Reino Unido não terá relações melhores com a Europa fora do bloco. Corbyn está decidido a manter a liderança da oposição mesmo com uma derrota arrasadora.

Até hoje, só três líderes trabalhistas conseguiram vitórias que dessem ao partido maioria absoluta na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

Clement Atlee derrotou o primeiro-ministro Winston Churchill, líder heróico do país na Segunda Guerra Mundial, logo depois do fim da guerra, em 1945, prometendo um Estado do bem-estar social.

Harold Wilson foi a estrela do partido nos anos 1960s, mas é acusado pela derrocada que levou a uma onda de greves no "inverno do descontentamento", inclusive de lixeiros e coveiros, abrindo caminho para a ascensão de Thatcher, em 1979.

Tony Blair levou os trabalhistas de volta ao poder em 1997 depois de 18 anos de governos conservadores. Ele levou o partido para o centro, abolindo a cláusula do estatuto que previa a estatização dos meios de produção, mas desagradou à esquerda e ao eleitorado como um todo ao apoiar a invasão do Iraque pelos EUA em 2003.

Com a queda de Blair, o fracasso de seu sucessor, Gordon Brown, e a crise econômica de 2008, os conservadores voltaram ao poder com David Cameron. Ele convocou o plebiscito sobre a UE para tentar acabar com a guerra interna do Partido Conservador, iniciada com a queda de Thatcher, em 1990. Acabou dividindo o país, ameaçado de fragmentação com a possível independência da Escócia. Perdeu o poder não pacificou o partido nem o país, que se prepara para uma turbulenta saída da UE.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Coreia do Norte é maior suspeita do mega-ataque cibernético

A Coreia do Norte é a principal suspeita pelo mega-ataque cibernético da sexta-feira passada, quando mais de 300 mil computadores de 150 países foram infectados pelo vírus Quero chorar e correram risco de ter todos seus dados apagados, revelaram hoje empresas de segurança dos Estados Unidos e da Rússia.

Os EUA estão convencidos de que algum agente ou funcionário terceirizado roubou de dentro da Agência de Segurança Nacional (NSA) os instrumentos de espionagem usados pelos piratas norte-coreanos. Eles usaram uma brecha na segurança descoberta pela NSA para criar a ferramenta usada na sexta-feira.

Para as empresas de segurança cibernética americana Symantec e russa Kapersky, alguns códigos usados para criar o vírus Quero chorar apareceram em programas desenvolvidos pelo grupo Lazarus. Foram usados para atacar a companhia cinematográfica Sony Pictures em novembro de 2014. Era um protesto contra o filme de ficção A Entrevista, em que havia uma conspiração para matar o ditador norte-coreano, Kim Jong Un.

"Este grupo é muito ativo desde 2002", observou um pesquisador da Kapersky. "Lazarus é uma fábrica de vírus que produz novas amostras graças a uma grande quantidade de fornecedores independentes."

Os piratas cibernéticos ganharam até agora apenas US$ 66 mil com pagamentos do resgate exigido para recuperar as máquinas. Eles pediram pagamento em bitcoins, uma moeda virtual que a maioria das pessoas não sabe como funciona.

A mesma quadrilha é suspeita pelo assalto cibernético ao Banco de Bangladesh, o banco central daquele país, em fevereiro de 2016. Na época, a Reserva Federal (Fed) de Nova York, a delegacia regional do banco central dos EUA em Nova York, onde o Banco de Bangladesh tinha uma conta, recebeu através da rede Swift pedidos de retirada de US$ 951 milhões.

Quando o Fed de Nova York descobriu, suspendeu as últimas 30 transações, num total de US$ 850 milhões. O prejuízo foi de US$ 101 milhões.

O diretor-geral da Orange Cyberdefense, empresa de segurança cibernética do grupo de telecomunicações francês Orange, Michel Van Den Berghe, adverte: "Vai haver um segundo ataque com variações dos vírus."

Para se defender, a recomendação dos especialistas é manter sempre atualizado o programa operacional. Os computadores atingidos trabalham com o sistema Windows, da Microsoft, que em março liberou uma atualização capaz de barrar a ação maligna do vírus Quero chorar. Quem atualizou não teve problemas.

O país mais afetado foi a Rússia, onde muita gente usa programas pirateados, que não recebem as últimas atualizações de segurança e foram presa fácil da ciberpirataria. Irritado, o presidente Vladimir Putin acusou os EUA de terem produzido o vírus dentro de seu aparelho de segurança.

Trump pediu a diretor do FBI fim da investigação sobre general Flynn

Com pelo menos um novo escândalo por dia, o governo Donald Trump marcha rapidamente para o discrédito e um possível impeachment. Hoje de manhã, soube-se que o serviço secreto aliado que descobriu uma informação ultrassecreta passada pelo presidente à Rússia era de Israel . 

À tarde, o jornal The New York Times noticiou que Trump pressionou o ex-diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, a encerrar uma investigação sobre o general Michael Flynn, ex-assessor de Segurança Nacional, demitido por mentir sobre contatos com os russos.

"Ele é um cara legal", alegou o presidente ao tentar acobertar possíveis crimes cometidos pelo ex-assessor. "Espero que você deixe essa passar." Comey respondeu: "Concordo que ele é um cara legal", mas não assumiu nenhum compromisso capaz e relatou a conversa num memorando interno do FBI.

Se confirmado, isso caracteriza tentativa de obstrução de Justiça. É motivo suficiente para a abertura de um processo de impeachment de Trump. O FBI investiga a interferência da Rússia na eleição presidencial nos EUA e um possível conluio da campanha de Trump com o Kremlin. O ex-assessor está envolvido no possível conluio, mas é alvo de outra investigação.

Primeira grande baixa do governo Trump, Flynn foi demitido em 13 de fevereiro por mentir ao vice-presidente Mike Pence, negando ter discutido as sanções internacionais à Rússia num encontro com o embaixador russo em Washington, Serguei Kislyak, ocorrido durante o período de transição entre a eleição e a posse de Trump. O próprio serviço secreto, que vigia contatos internacionais de altos funcionários, o denunciou. Ele estaria negociando uma delação premiada.

Um dia depois da demissão de Flynn, o presidente pediu ao então diretor-geral do FBI que encerrasse o inquérito. De acordo com o memorando, Trump disse a Comey que Flynn não havia feito nada errado.

No início da noite, a Casa Branca desmentiu a versão do ex-diretor do FBI: "Embora o presidente tenha repetidamente expressado sua visão de que o general Flynn é um homem decente que serviu e protegeu nosso país, o presidente nunca pediu ao Sr. Comey ou a qualquer outra pessoa para acabar com investigação alguma, inclusive qualquer investigação envolvendo o general Flynn."

Informação ultrassecreta revelada por Trump à Rússia veio de Israel

Os serviços secretos dos Estados Unidos advertiram Israel em janeiro que informes de inteligência passados ao governo Donald Trump poderiam vazar para a Rússia. Hoje o jornal The New York Times revelou que a fonte do segredo contados aos russos pelo próprio Trump foi Israel.

A informação é que a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante está planejando colocar bombas em computadores portáteis para explodir aviões. Levou os EUA a proibir o transporte desses computadores em voos saídos do Oriente Médio.

O segredo foi divulgado por Trump durante encontro com o ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, e o embaixador russo em Washington, Serguei Kislyak, em 10 de maio. Em princípio, o governo israelense se negou a confirmar ter sido a fonte, mas dois agentes secretos disseram ao portal de notícias americano BuzzFeed News que Israel avisou os EUA sobre a nova ameaça à aviação comercial.

Para os serviços de inteligência de Israel, os "piores temores foram confirmados". Na sua primeira viagem ao exterior como presidente, Trump visita Israel em 22 e 23 de maio, onde certamente será cobrado pela indiscrição.

Nas últimas duas décadas, os serviços secretos dos EUA e de Israel intensificaram a cooperação tendo como principais alvos o Irã, a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) palestino. Juntos, lançaram um ataque cibernético que atrasou o programa nuclear iraniano.

Pela lei americana, o presidente tem o direito de desclassificar qualquer informação confidencial. No caso, sem consultar o aliado que a forneceu corre o risco de entregar o agente e desmontar o plano que permitiu se infiltrar na máquina assassina do Estado Islâmico.

Até agora, o Estado Islâmico evitou ataques diretos contra Israel.

Assessor de Trump diz que Muro das Lamentações não fica em Israel

Durante reuniões para preparar a primeira visita do presidente Donald Trump a Israel, o assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Herbert McMaster, afirmou duas vezes que "o Muro das Lamentações não fica em território israelense". O governo Trump negou que seja sua posição oficial.

"Os comentários sobre o Muro Ocidental não foram autorizados e não representam a posição dos EUA nem, com certeza, do presidente", declarou um alto funcionário americano citado pelo jornal conservador israelense The Times of Israel.

Ao acertar detalhes da viagem a ser realizada em 22 e 23 de maio, McMaster teria rejeitado um pedido do primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu para acompanhar o presidente na visita ao Muro das Lamentações, alegando que o Muro Ocidental "não fica em seu território. É parte da Cisjordânia.

O Muro Ocidental ou Muro das Lamentações é só o que resta do Templo de Jerusalém, destruído por uma invasão romana no ano 70 depois de Cristo. Por isso, é chamado de Muro das Lamentações, onde os judeus rezam e lamentam a destruição do templo.

Hoje o muro fica junto à Esplanada das Mesquitas. Os israelenses chamam de Monte do Tempo e os árabes de Santuário Nobre, de onde o profeta Maomé teria ascendido ao céu depois da morte. Está situado no setor oriental (árabe) de Jerusalém, ocupado por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Como a direita israelense e os judeus ortodoxos sonham em reconstruir o templo, os muçulmanos temem que pretendam derrubar as mesquitas para fazer isso. Uma visita ao muro do então líder da oposição em Israel, Ariel Sharon, em 28 de setembro de 2000, deflagrou a Segunda Intifada (revolta das pedras) e acabou com uma iniciativa do presidente americano Bill Clinton de promover um acordo de paz definitivo entre palestinos e israelenses.

Até hoje, nenhum presidente dos EUA visitou o Muro das Lamentações no exercício do mandato porque a situação de Jerusalém precisa ser resolvida nas negociações de paz. A maioria dos países mantém suas embaixadas em Telavive por rejeitar a anexação do setor oriental de Jerusalém em Israel.

Na campanha para a Casa Branca, Trump prometeu mudar a embaixada dos EUA para Jerusalém. Havia expectativa de um anúncio no primeiro dia de governo. Em encontro dias atrás com Netanyahu para preparar a visita de Trump, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, explicou que a medida não foi tomada para não prejudicar as negociações.

O primeiro-ministro respondeu que a transferência "ajudaria o processo de paz" ao "acabar com o sonho palestino de que Jerusalém não é a capital de Israel". Netanyahu lidera um governo de ultradireita que depende do apoio de colonos instalados ilegalmente na Cisjordânia ocupada. Vários ministros, como Naftali Bennett, do partido Casa Judaica, falam simplesmente em anexar o território.

Historicamente, a direita israelense sempre foi contra a devolução dos territórios ocupados em 1967. Enquanto negocia para ganhar tempo, amplia a colonização para criar uma política de fato consumado. Em 2005, depois de dar uma guinada para o centro em busca da paz, o primeiro-ministro linha-dura Ariel Sharon, retirou as forças israelenses da Faixa de Gaza.

Dois anos depois, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), um grupo extremista muçulmano assumiu o controle da Faixa de Gaza depois de derrotar a Fatah (Luta) numa guerra civil palestina. Desde então, usa o território para atacar Israel, que contra-atacou em três guerras contra o Hamas.

As guerras em Gaza são citadas como exemplo pela direita israelense do risco que o país correria se os palestinos controlassem a Cisjordânia.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Trump é acusado de passar informações ultrassecretas à Rússia

Durante reunião com o ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, e o embaixador russo em Washington, Serguei Kislyak, em 10 de maio, o presidente Donald Trump revelou informações ultraconfidenciais, acusou hoje o jornal The Washington Post. 

Essas informações seriam capazes de comprometer a fonte que descobriu que a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante planeja usar computadores portáteis para cometer atentados contra aviões comerciais.

A informação veio do serviço secreto de Israel, que conseguiu penetrar na máquina assassina do Estado Islâmico e não autorizou os Estados Unidos a repassá-la à Rússia. É tão sensível que os detalhes não foram revelados nem a países aliados e têm acesso restrito mesmo dentro dos serviços secretos dos EUA.

Para qualquer funcionário do governo americano, discutir o assunto com um país adversário seria ilegal. O presidente tem poder para desclassificar material secreto, mas não se espera que faça isso para contar vantagem sobre a "grande inteligência" que recebe todo dia sobre a ameaça terrorista, especialmente diante um país hostil aos interesses americanos.

O embaixador Kislyak está no centro da investigação sobre a interferência da Rússia na eleição presidencial dos EUA. O primeiro assessor de Segurança Nacional de Trump, general Michael Flynn, foi demitido por mentir ao vice-presidente Mike Pence sobre um encontro com Kislyak durante o período de transição. O ministro da Justiça e procurador-geral, Jeff Sessions, se declarou impedido de presidir o inquérito sobre a interferência russa por não ter revelado um encontro com Kislyak.

Um dia antes do encontro com os russos, o presidente demitiu o diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, James Comey, ao que tudo indica por investigar um possível conluio da campanha de Trump com a Rússia.

Como Trump está em guerra com a imprensa americana, não havia jornalistas dos EUA quando foram tiradas as fotos do encontro. Foram os russos que fizeram. Isso viola outra regra de proteção da segurança nacional dos EUA: nenhum estrangeiro pode entrar no Salão Oval da Casa Branca, o escritório do presidente, com equipamentos eletrônicos.

No início da noite, o assessor de Segurança Nacional de Trump, Herbert McMaster, fez uma breve declaração no jardim da Casa Branca para tentar desmentir a notícia: "O presidente e o ministro do Exterior revisaram ameaças comuns de organizações terroristas, inclusive à aviação. Em momento algum, foram discutidos métodos ou fontes de inteligência, e não foram reveladas operações militares que ainda não fossem conhecidas publicamente."

Franco-atiradores de Maduro matam mais duas pessoas na Venezuela

Mais duas pessoas foram mortas hoje na Venezuela, elevando para pelo menos 41 o total de mortos desde o início de uma onda de protestos contra o presidente Nicolás Maduro no início do mês passado. Dois jovens manifestantes do estado de Táchira foram atingidos por atiradores leais ao regime chavista.

Luis Alvarez, de 17 anos, foi baleado e morte quando participava de manifestação em Palmira, no município de Guássimo, em Táchira. Diego Hernández, de 32 anos, foi atingido no peito no município de Capacho Nuevo.

A Venezuela se orgulha de possuir as maiores reservas mundiais de petróleo. No momento, vive a pior crise econômica de sua história independente, com queda de 20% do produto interno bruto nos últimos dois anos e inflação de 720% ao ano em 2016.

Desde que o Tribunal Supremo de Justiça, subserviente ao regime, tentou cassar os poderes da Assembleia Nacional, controlada pela oposição, os manifestantes saíram às ruas para exigir o fim do regime e a convocação de eleições diretas para tirar o país da crise.

Em resposta, Maduro convocou uma Assembleia Nacional Constituinte a ser formada por representantes de entidades pelegas fiéis ao chavismo. A oposição rejeitou a medida e tenta forçar o regime a ceder com manifestações de protesto diárias. Várias tentativas de mediação, inclusive do Vaticano, fracassaram.

Além da Guarda Nacional Bolivarista, milícias chavistas conhecidas como coletivos reprimem os protestos. Os milicianos são responsáveis pela maioria das mortes. Acuado, Maduro ameaça armar mais 500 mil pessoas. As Forças Armadas não devem aceitar. Seria um desafio a seu poder. Hoje os militares são o principal sustentáculo do regime chavista.

Hugo Chávez era coronel do Exército quando tentou dar o golpe contra o presidente Carlos Andrés Pérez, em 1992. Sua revolução bolivarista sempre teve uma inspiração militar. Chávez perdeu militarmente em 1992 e no golpe contra ele, em 2002, mas venceu politicamente. Seu governo tinha menos de 300 militares nomeados para cargos políticos.

Enfraquecido e sem o carisma do caudilho, que morreu em 5 de março de 2013, seu herdeiro Maduro praticamente entregou o poder às Forças Armadas nomeando mais de 900 militares para cargos político-administrativos.

O homem-forte do regime hoje é o general Vladimir Padrino López, chefe do Estado-Maior do Exército sob Chávez e atual ministro da Defesa e comandante estratégico e operacional das Forças Armadas Nacionais Bolivaristas. Este último cargo foi criado sob medida por Maduro.

Rouhani lidera pesquisa mas enfrenta união da linha dura no Irã

O presidente Hassan Rouhani, tido como demorado, é o favorito, mas, de acordo com as pesquisas, deve ser obrigado a disputar um segundo turno na eleição presidencial na República Islâmica do Irã e corre até risco de perder. As forças conservadoras estão se unindo contra ele no primeiro turno.

Para aumentar as chances dos conservadores, o prefeito de Teerã, Mohammad Ghabalif, anunciou hoje que está abandonando a disputa.

No primeiro turno, daqui a quatro dias, em 19 de maio de 2017, 42% devem votar em Rouhani, indica uma sondagem feita por telefone em 7 e 8 de maio pela Agência de Pesquisas Estudantes Iranianos (ISPA). Em seguida, vem o clérigo linha-dura Ebrahim Raisi, com 27% e Ghalibaf, com 25%. Se o prefeito conseguir transferir seus votos para Raisi, Rouhani perde.

Outra pesquisa, feita por telefone entre 8 e 11 de maio, pela agência Perspectivas Internacionais sobre a Opinião Pública (IPPO), deu 29% a Rouhani, 12% a Ghabalif e 11% a Raisi, com margem de erro de 3,72%.

Cerca de 28% disseram estar indecisos e 20% não quiseram participar. Como mais da metade dos seus eleitores não pretendem mudar o voto, os pesquisadores admitem a possibilidade de vitória do presidente no primeiro turno, mas a união dos conservadores é uma grande ameaça.

A República Islâmica do Irã foi um dos primeiros regimes revolucionários a convocar eleições, mas muitos candidatos são vetados por conselhos de aiatolás, anciães e sábios do regime.

Rouhani, de 68 anos, estudou na Universidade Caledônia de Glasgow, na Escócia. Concorre pelo Partido da Moderação e do Desenvolvimento. Está longe de ser considerado liberal como o ex-presidente Mohamed Khatami (1997-2005). Foi eleito em 2013 prometendo uma reaproximação com o Ocidente, o fim das sanções internacionais e da crise econômica.

Sua eleição permitiu o acordo com as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para desarmar o programa nuclear iraniano. Esse acordo é denunciado pela linha dura como uma "traição" e um "sinal de fraqueza".

As sanções foram parcialmente suspensas e o país voltou ao mercado internacional, mas a situação econômica é difícil. Na campanha, os dois principais candidatos se acusaram mutuamente pela desigualdade e a corrupção.

Raisi, de 56 anos, formado no seminário da cidade sagrada de Kom, concorre pelo partido Sociedade do Clero Combativo. Ele ameaça romper o acordo nuclear e quer reavivar o fervor revolucionário. Defende a "autossuficiência" para só se relacionar com países que não questionem a revolução islâmica.

Na última vez que a eleição presidencial iraniana foi para o segundo turno, em 2009, a linha dura se uniu. Sob a liderança do Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, garantiu a reeleição do presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad e derrotou a Revolução Verde liderada pelo ex-primeiro-ministro Mir Hussein Mussavi. Tudo indica que houve fraude eleitoral.

EUA acusam Síria de matar milhares e cremar cadáveres

A ditadura de Bachar Assad está enforcando 50 prisioneiros por dia na prisão militar de Saidnaia, a 45 quilômetros de Damasco, a capital da Síria, e queimando os corpos, denunciou hoje o Departamento de Estado americano.

Ao apresentar as fotos de alterações na prisão militar para instalar um crematório, o secretário de Estado adjunto para o Oriente Médio, Stu Jones, acusou Assad de "cair a um novo nível de depravação" com o apoio de seus maiores aliados, a Rússia e o Irã.

Os Estados Unidos colocam em dúvida a proposta de criação de zonas de segurança acertada pela Rússia, a Turquia e o Irã nas negociações de paz lideradas pelo Kremlin em Astana, a capital da ex-república soviética do Casaquistão. E até mesmo a intenção de Assad de fazer a paz.

No mês passado, o presidente Donald Trump ordenou o bombardeio de uma base aérea síria de onde saíram aviões responsáveis por um ataque com armas químicas, mas não tem uma estratégia nem uma proposta de paz para acabar com a guerra civi no país.

Dos 400 mil mortos em seis anos de guerra civil na Síria, pelo menos 60 mil morreram em prisões, estima o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental ligada à oposição, com sede em Londres, que monitora a guerra civil no país.

Um relatório da organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional denunciou que entre 2011 e 2015 ao menos 13 mil pessoas foram enforcadas na prisão militar de Saidnaia, descrita como um "matadouro".

Na entrevista coletiva desta segunda-feira na Casa Branca, o porta-voz de Trump, Sean Spicer, declarou que os EUA querem "trabalhar com a Rússia e o Irã para encontrar uma solução para a situação na Síria", se estes países "reconhecerem que o regime de Assad cometeu atrocidades e usarem sua influência para acabar com elas".

"A Síria nunca será segura e estável com Assad no poder", mas não confirmou se o governo Trump exige uma mudança de regime.

Macron nomeia primeiro-ministro de centro-direita

Um dia depois de assumir a Presidência da França, Emmanuel Macron apontou hoje o deputado Édouard Philippe, do partido conservador Os Republicanos, para futuro primeiro-ministro. A indicação confirma a intenção de atrair deputados de centro-direita e de centro-esquerda para tentar conquistar maioria na Assembleia Nacional nas eleições parlamentares de 11 e 18 de junho.

Philippe, de 46 anos, é prefeito de Havre desde 2014 (na França, é possível acumular os cargos de deputados e prefeito). Estudou na Faculdade de Ciências Políticas de Paris (Science Po) e na Escola Nacional de Administração, duas instituições tradicionais de ensino superior do país.

De 2007 a 2010, Philippe foi diretor da companhia francesa de energia nuclear Areva. Desde 2016, era porta-voz do ex-primeiro-ministro Alain Juppé, de quem é aliado há 15 anos.

Macron, de 39 anos, é o mais jovem chefe de Estado da França desde Napoleão Bonaparte, coroado imperador em 1804, aos 34 anos. Durante a campanha, tentou quebrar a divisão direita-esquerda que marca a política do país desde a Revolução Francesa de 1789.

Eleito sem ter um grande partido, para ter maioria parlamentar, Macron precisa atrair deputados tanto dos Republicanos quanto do Partido Socialista, ambos duramente abalados por não conseguir chegar ao segundo turno da eleição presidencial.

Partido de Merkel ganha eleições no maior estado da Alemanha

A reeleição de Angela Merkel em 22 de setembro de 2017 para um quarto mandato como chanceler (primeira-ministra) da Alemanha é cada vez mais provável. Seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), ganhou ontem as eleições na Renânia do Norte-Vestfália, o estado mais populoso da Alemanha, reduto tradicional do Partido Social-Democrata (SPD).

Pelas projeções da televisão alemã ZDF, a direitista CDU venceu com 33,3% dos votos contra 31% do SPD, de centro-esquerda que caiu oito pontos percentuais em relação às eleições anteriores. O Partido Liberal-Democrata (FDP), de centro-direita, ficou em terceiro com 12%. É um possível parceiro numa aliança com a CDU para formar um governo de coalizão.

A Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita anti-imigração e antieuro, entrou no parlamento regional com 8% dos votos. Já está presente em 13 dos 16 estados alemães.

Os sociais-democratas também perderam nos últimos dois meses as eleições nos estados do Sarre e de Schleswig-Holstein. A quatro meses e meio das eleições, um atentado terrorista, um agravamento da crise de refugiados ou problemas na Zona do Euro podem abalar a opinião pública e alterar as pesquisas. Mas, num mundo conturbado, Merkel é uma garantia de estabilidade.

Seu maior rival, Martin Schulz, do SPD, ex-presidente do Parlamento Europeu, não desiste e cita o novo presidente da França, Emmanuel Macron, que amanhã se encontra com Merkel na sua primeira viagem ao exterior como chefe de Estado.

"Meu amigo Macron estava mal nas pesquisas há cinco meses e agora é presidente", declarou Schulz ao saber da derrota tentando animar a militância para as eleições de setembro.

Com dívida pública elevada e desemprego de 7,5%, acima de média nacional de 5,8%, a Renânia do Norte-Vestfália é chamada pejorativamente de "Grécia da Alemanha", em referência à crise da dívida grega, que ameaçou a própria existência do euro anos atrás.

Nas eleições parlamentares de 2013, a aliança CDU-CSU (União Social-Cristã) recebeu 42% dos votos e elegeu 311 deputados, cinco a menos do que a maioria absoluta. Como o FDU não atingiu o mínimo legal de 5% para entrar na Câmara Federal, Merkel acabou fazendo uma grande coalizão para governar com o SPD.

domingo, 14 de maio de 2017

Netanyahu pede transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém

Ao receber o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que a transferência da embaixada dos Estados Unidos em Israel para Jerusalém vai ajudar o esforço pela paz com os palestinos, em vez de prejudicá-lo.

A maioria dos países do mundo não reconhece Jerusalém como capital de Israel e mantém suas embaixadas em Telavive por causa da ocupação do setor árabe (oriental) da cidade desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Durante a campanha eleitoral, Donald Trump prometeu levar a embaixada americana para Jerusalém como gesto para agradar Israel e a direita religiosa, afastando-se das suspeitas de simpatia por grupos supremacistas brancos neonazistas. Havia uma expectativa de que fosse uma das primeiras medidas anunciadas depois da posse.

Vários governos árabes advertiram que mexer na questão acirraria os ânimos num momento de estagnação do processo de paz em que jovens palestinos têm atacado, especialmente com facas. Trump então recuou.

Na visita a Israel, Tillerson explicou ao primeiro-ministro linha-dura que o governo dos EUA teme que uma mudança da embaixada inflame os ânimos, reacendendo o conflito israelo-palestino. Imediatamente, Netanyahu declarou que a transferência contribuiria para o processo de paz, mesmo que a maioria dos observadores políticos discorde.

"Realocar a Embaixada Americana não vai prejudicar o processo de paz", declarou em nota o escritório do primeiro-ministro de Israel, "vai ajudar ao corrigir uma injustiça histórica e acabar com a fantasia palestina de que Jerusalém não é a capital de Israel."

Para os muçulmanos, Jerusalém também é uma cidade sagrada. O movimento nacional palestino pretende instalar a capital da Palestina independente no setor oriental de Jerusalém. A direita israelense considera isso inaceitável.

O futuro de Jerusalém é uma das questões que impedem a paz entre palestinos e israelenses. Os outros são: a criação de um Estado Nacional palestino, as fronteiras deste novo país, a situação dos territórios árabes ocupados e o direito de retorno dos refugiados palestinos expulsos de suas casas desde a fundação de Israel, em 1948.

sábado, 13 de maio de 2017

Coreia do Norte testa míssil balístico

Dias depois da eleição de um novo presidente na Coreia do Sul, o regime comunista da Coreia do Norte responde à proposta de diálogo com um teste de míssil balístico. O foguete teleguiado voou cerca de 700 quilômetros até cair no mar, informou o Estado-Maior das Forças Armadas sul-coreanas.

De acordo com o Comando do Pacífico das Forças Armadas dos Estados Unidos, não parece ter sido teste de um míssil balístico intercontinental. Os EUA temem que a ditadura stalinista de Pionguiangue desenvolva um míssil nuclear capaz de atingir o território americano.

O míssil foi disparado às 5h de domingo (17h em Brasília) pela hora local em Kusong, perto da fronteira da Coreia do Norte com a China.

Em fevereiro, houve outro lançamento na hora em que o presidente americano, Donald Trump, se encontrava com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe. Era um míssil de médio alcance.

Durante a campanha, o novo presidente sul-coreano, Moon Jae In, defendeu a retomada do diálogo com o Norte, mas advertiu que as provocações de Pionguiangue ameaçam levar a um aumento das sanções internacionais, como querem os EUA.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Maduro demite ministra da Saúde que divulgou dados negativos

O presidente Nicolás Maduro demitiu ontem a ministra da Saúde da Venezuela, Antonieta Caporale, depois da divulgação de um boletim epidemiológico apontando um aumento de 30% na mortalidade infantil e de 66% na mortalidade materna nos dois últimos anos.

A médica foi substituída pelo farmacêutico Luis López Chejade, de 43 anos, que foi vice-ministro de Hospitais e secretário da Saúde do estado de Arágua, ligado ao vice-presidente Tareck El Aissami, considerado um dos expoentes da linha dura do regime chavista.

No ano passado, 11.466 bebês morreram na Venezuela antes de completar um ano de vida e 756 mães morreram até 42 dias depois do parto. Os casos de malária, doença que chegou a ser erradicada no país, aumentaram em 76% para 240.613.

Com a queda os preços do petróleo a partir de 2014 e as políticas desastrosas de controle dos preços e do câmbio, a Venezuela enfrenta a pior crise econômica de sua história independente: uma inflação de 800% ao ano, o produto interno bruto caiu mais de 20% em dois anos e há um desabastecimento de mais de 80% dos produtos básicos e de medicamentos.

De acordo com a Federação Médica Venezuelana, os hospitais estão funcionando com apenas 3% dos insumos necessários. O governo insiste em denunciar uma fictícia conspiração internacional com o apoio da elite local, que estaria retendo medicamentos para agravar a situação.

Ontem, Maduro ordenou uma investigação em escolas particulares, que acusou de estimular "antivalores fascistas". Seu governo parece cada vez mais uma ditadura.

Trump ameaça ex-diretor-geral do FBI

Mais um ingrediente veio apimentar hoje o terremoto político causado em Washington pela demissão do diretor-geral do FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, James Comey, chefiava a investigação sobre a interferência da Rússia na eleição presidencial do ano passado. O presidente Donald Trump ameaçou Trump via Twitter, com medo de que as conversas entre os dois tenham sido gravadas.

A imprensa americana revelou ontem que num jantar entre os dois Trump cobrou "lealdade" do então diretor do FBI. Comey teria prometido "honestidade". A hipótese de que a conversa tenha sido gravada foi levantada hoje pelo presidente e aguçou a memória sobre grandes crises presidenciais em Washington.

O golpe definitivo no presidente Richard Nixon, que renunciou em 1974 para escapar de um processo de impeachment pela invasão da sede do Partido Democrata durante a campanha eleitoral de 1972, foi uma decisão da Suprema Corte obrigando-o a entregar à Justiça as fitas com as gravações da Casa Branca.

Se por acaso Trump instalou algum sistema de gravação na Casa Branca, a jurisprudência é que pertencem ao Estado e não ao presidente.

Desde a demissão de Comey, o governo Trump mudou várias vezes a versão oficial sobre a demissão do diretor do FBI. Primeiro, teria agido com base num memorando do subprocurador-geral Rod Rosenstein.

Ele se prestou a fazer um documento acusando Comey de erros na condução do inquérito sobre o uso de correio eletrônico privado pela então secretária de Estado Hillary Clinton, no primeiro governo Barack Obama.

Sob intensa pressão por ter demitido um diretor do FBI que o investigava, Trump afirmou ontem em entrevista à televisão que a decisão dele foi anterior ao memorando do subprocurador.

Diante da tamanha confusão, a oposição democrata exige a nomeação de um procurador independente para investigar as relações entre a campanha de Trump e a Rússia. Dentro do próprio Partido Republicano, nomes respeitados como o senador John McCain defendem a formação de uma comissão especial do Congresso.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Mortalidade materno-infantil dá um salto na Venezuela

Com a profunda crise econômica e a escassez de 85% dos medicamentos, a mortalidade infantil cresceu 30% e a a materna 66% no ano passado na Venezuela. Os casos de malária subiram 76%. Os dados são do Ministério da Saúde e não eram divulgados há dois anos.

A queda nos preços do petróleo e o fracasso da políticas de controle de preços e câmbio do "socialismo do século 21" causaram a pior crise econômica da história da república na Venezuela. Além da inflação de 800% ao ano e da queda de mais de 20% do produto interno bruto nos últimos anos, há um desabastecimento generalizado, de papel higiênico, arroz e óleo de cozinha até medicamentos. O impacto sobre a saúde pública é devastador.

No ano passado, a morte de crianças com até um ano de idade subiu 30% para 11.466 bebês, enquanto o total de mãe que morreram até 42 dias depois do parto aumentou em 66% para 756 mortes.

Desde o início da abril, depois que o Tribunal Supremo de Justiça, dominado pelo regime chavista, tentou fechar a Assembleia Nacional, controlada pela oposição, manifestantes protestam diariamente nas ruas de Caracas e outras cidades venezuelanas exigindo a saída do presidente Nicolás Maduro e a realização de uma nova eleição presidencial. Pelo menos 39 pessoas foram mortas nos protestos.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Diretor do FBI demitido pediu mais dinheiro para investigação

Dias antes de ser demitido, o diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, James Comey, pediu ao Departamento da Justiça mais dinheiro para a investigação sobre a interferência da Rússia na eleição presidencial americana e possível conluio com a candidatura Donald Trump, revelou hoje o jornal The New York Times citando como fonte altos funcionários do Congresso, inclusive o senador Richard Durbin.

O diretor demitido ontem pelo presidente Trump fez o pedido ao subprocurador-geral Rod Rosenstein, autor do memorando do Departamento de Justiça usado para justificar seu afastamento.

"Assim que Rosenstein assumiu, houve um pedido de recursos adicionais para a investigação e, poucos dias depois, ele foi demitido", declarou o senador democrata Richard Durbin. "Penso que a operação de Comey estivesse bafejando a nuca da campanha de Trump e seus assessores, e este foi um esforço para retardar a investigação."

Rosenstein é o mais alto funcionário a supervisionar a investigação. O ministro da Justiça e procurador-geral, Jeff Sessions, declarou-se impedido de presidir o inquérito por ter se encontrado com o embaixador russo em Washington e negado.

O Departamento da Justiça negou que o FBI tenha pedido mais dinheiro. Comey era um alto funcionário independente. Trump preza a lealdade. Na carta de demissão, deixou claro que pelo menos três vezes o diretor demitido teria lhe dito que não estava sendo investigado.

Em 28 de outubro de 2016, 11 dias antes da eleição presidencial, Comey rompeu a tradição do FBI de não se envolver em política. Revelou em carta ao Congresso que tinham sido descobertos mais mensagens da candidata democrata Hillary Clinton no inquérito sobre o uso de uma conta privada de correio eletrônico por ela quando secretária de Estado do primeiro governo Barack Obama.

Comey considerou Hillary "extremamente descuidada" com segredos de Estado, mas decidiu não indiciá-la. Foi um comentário que vai além do esperado para um diretor do FBI.

Na época, Comey foi duramente criticado pelo Partido Democrata, que pediu sua demissão, e elogiado por Trump, que afirmou ter recuperado sua "credibilidade". Em entrevista na semana passada, Hillary atribuiu sua derrota à declaração e à interferência da Rússia na eleição presidencial dos EUA.

Dentro do FBI, quem trabalhou perto de Comey acredita que ele não quis interferir na eleição. As pesquisas apontavam a vitória de Hillary. Ele teria ficado com medo de ser acusado de esconder um fato relevante.

Ao depor no Senado na semana passada, Comey disse se sentir "levemente nauseado" com a sugestão de que possa ter influenciado o resultado da eleição de 8 de novembro. Quando assistia ao depoimento, o presidente teria tomado a decisão de demiti-lo.

O governo Trump usou a confusão no inquérito sobre Hillary para justificar a demissão do diretor do FBI no terceiro de 10 anos de mandato. Pouca gente acredita nisso. Trump leva a lealdade para o laudo pessoal e está irritado com a investigação sobre a Rússia.

Sua atitude foi um tiro pela culatra. Não vai parar a investigação e, no Congresso, até mesmo membros do Partido Republicano, inclusive o senador John McCain, pedem a nomeação de um procurador independente para chefiar o inquérito.

Presidente eleito da Coreia do Sul quer ir a Pionguiangue

Em uma tentativa para tentar retomar o diálogo, o presidente eleito da Coreia do Sul, Moon Jae In, declarou hoje estar pronto a visitar Pionguiangue, a capital da Coreia do Norte, "se houver condições apropriadas".

Moon, um advogado liberal defensor dos direitos humanos, é filho de refugiados do Norte durante a Guerra da Coreia (1950-53). Chega ao poder dois meses depois do impeachment da presidente Park Geun Hye, acusada de corrupção, num momento de grande tensão na Península Coreana.

Desde que ascendeu à liderança do regime comunista norte-coreano, em 2012, o ditador Kim Jong Un, hoje com 33 anos, acelerou os programas de desenvolvimento de armas atômicas e de tecnologia de mísseis. Seu objetivo aparente é ter capacidade de lançar um míssil nuclear em território americano.

Com a chegada de Donald Trump à Casa Branca, o secretário de Estado, Rex Tillerson, advertiu que acabou a "paciência estratégica" dos EUA com a ditadura stalinista de Pionguiangue. Numa de suas tiradas, Trump afirmou estar pronto para encontrar Kim Jong Un, mas isso é impossível sem uma preparação diplomática.

Na prática, Trump ameaçou agir. Estaria examinando a possibilidade de um ataque preventivo contra as instalações nucleares da Coreia do Norte. É fácil destruí-las, mas impossível impedir uma violenta retaliação em que o alvo principal seria a capital sul-coreana, Seul.

Moon está determinado a pacificar a península. Com a crise que levou ao impeachment da presidente Park, a Coreia do Sul ficou fora do jogo diplomático na questão norte-coreana, dominado por EUA e China. O primeiro passo é entrar na parada.

A China está insatisfeita com a instalação na Coreia do Sul do Terminal de Defesa Aérea a Alta Altitude (THAAD). É um sistema de defesa antimísseis dos EUA voltado inicialmente contra a ameaça da Coreia do Norte, mas capaz de ser usado contra a China em caso de confrontação entre as duas superpotências.

Em tese, o novo presidente sul-coreano poderia ceder à pressão de Beijim em troca de garantias de proteção da China, a maior aliada da ditadura de Kim Jong Un. É uma esperança de paz na última fronteira da Guerra Fria. Uma paz verdadeira dependa de uma mudança no regime comunista norte-coreano e a grande dúvida é se isso será possível pacificamente.

terça-feira, 9 de maio de 2017

EUA armam curdos para guerra contra o Estado Islâmico

O presidente Donald Trump aprovou planos para armar os guerrilheiros curdos da principal força terrestre que combate a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante na Síria. A decisão irrita a Turquia, que tem uma grande minoria curda e teme a criação de um Curdistão independente.

É a preparação da ofensiva para retomar Rakka, a capital do Estado Islâmico. A guerrilha curda YPG (Unidades de Proteção do Povo) é um grupo marxista-leninista ligado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que durante décadas travou uma luta armada contra o governo turco. Forma o núcleo das Forças Democráticas Sírias, que também têm árabes, a principal força terrestre aliada dos Estados Unidos.

Com a guinada autoritária do presidente Recep Tayyip Erdogan depois do fracassado golpe de Estado de 15 de julho e da negativa dos EUA de extraditar o clérigo Fetullah Gullen, que Erdogan culpa pelo golpe, a Turquia se aproximou da Rússia e do Irã.

Esses três países propõem a criação de zonas de segurança livres de combates, onde seriam assentados os refugiados sírios, mas o regime sírio se nega a ceder o controle e a Rússia se reserva o direito de continuar atacando o que chama de "grupos terroristas".

A guerra civil do PKK começou em 1984. Em 2013, o grupo declarou um cessar-fogo para negociar com o governo turco. Depois de perder a maioria absoluta na Assembleia Nacional nas eleições de 7 de junho de 2015, Erdogan decidiu reiniciar a guerra civil para recuperar o controle do parlamento.

Desde a queda do ditador Saddam Hussein, em 2003, os curdos do Iraque têm autonomia regional. Se os curdos dominarem o Norte da Síria e o unirem ao Curdistão iraquiano, a Turquia teme a reivindicação de soberania sobre a região Sudeste do país, onde 90% da população são curdos.

A população curda é estimada hoje em 35 milhões de habitantes, dos quais 14,5 milhões estão na Turquia, 6 milhões no Iraque, 6 milhões no Irã e pouco menos de 2 milhões na Síria.