sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Rejeição a Trump passa de 60%

O presidente Donald Trump bateu novo recorde de impopularidade. Em uma nova pesquisa feita para o jornal The Washington Post e a rede de televisão ABC, 60% desaprovam seu governo. Só 36% o aprovam.

A maioria apoia a investigação do procurador especial Robert Mueller sobre um possível conluio da campanha eleitoral de Trump com o Kremlin e entende que o presidente tenta interferir na investigação.

Quase metade (49%) dos americanos quer que o Congresso dos Estados Unidos abra um processo de impeachment para afastar Trump da Presidência, enquanto 53% veem obstrução de justiça e não querem que o presidente demita o ministro da Justiça e procurador-geral, William Sessions. 

Cerca de 46% são contra o impeachment e 35% não observam nenhuma tentativa de obstruir a justiça.

Na campanha para as eleições intermediárias de 6 de novembro, Trump tenta reivindicar o sucesso pelos resultados da economia para impulsionar o Partido Republicano, ameaçado de perder a maioria na Câmara. Mas 47% dos americanos reprovam sua administração da economia, enquanto 45% aprovam.

Se o Partido Democrata reconquistar a maioria na Câmara, poderá abrir um processo de impeachment. Pela Constituição americana, basta maioria absoluta. Mas a condenação no Senado exige dois terços dos votos. Parte da bancada republicana teria de abandonar o presidente.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Rússia e Síria preparam ofensiva contra último reduto rebelde

Com o apoio da Força Aérea e da Marinha da Rússia, as forças leais ao ditador Bachar Assad e milícias aliadas, inclusive iranianas, devem lançar a qualquer momento uma ofensiva contra o último reduto rebelde na guerra civil da Síria, na província de Idlibe, no Noroeste do país, noticiou a agência Reuters. Cerca de 10 mil rebeldes ligados grupos jihadistas estão cercados na região.

A Rússia deslocou navios de guerra capazes de disparar mísseis. Em Moscou, o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, advertiu os Estados Unidos a não reagirem à ação contra "terroristas", como o regime sírio chama seus inimigos na guerra civil.

Lavrov falou em "abscesso purulento". Essa linguagem médica é usada militarmente para desumanizar o inimigo e assim justificar mortos e massacres. A Rússia entrou diretamente na guerra civil síria em 30 de setembro de 2015, quando seu aliado Assad parecia perdido, e virou o jogo.

No caso, a maioria dos rebeldes pertence a grupos jihadistas como o Exército da Conquista, uma aliança que inclui a rede Al Caeda, e tem o apoio da Turquia. O presidente Recep Tayyip Erdogan entrou em contato com a Rússia e o Irã, que também apoia Assad, para evitar uma massacre que parece iminente.

Através da subsecretária Heather Nauert, porta-voz do Departamento de Estado, os EUA "manifestaram preocupação não apenas com um possível ataque químico, mas com qualquer tipo de escalada da violência em Idlibe que ponha em riscos os civis e a infraestrutura".

Com a carta branca que Trump deu aos generais do Pentágono, a Força Aérea dos EUA arrasou Rakka, a capital do califado proclamado em 2014 pela organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Recentemente, cancelou uma ajuda de US$ 200 milhões para reconstruir a região e pediu aos aliados no Oriente Médio, especialmente a Arábia Saudita, para pagar a conta.

Em sete anos e meio, mais de 500 mil pessoas morreram na guerra civil da Síria. Cerca de 6 milhões de pessoas fugiram do país.

Trump prometeu acordo de paz a Kim Jong Un

No histórico encontro de cúpula de 12 de junho em Cingapura, o presidente Donald Trump prometeu ao ditador Kim Jong Un que os Estados Unidos assinariam um acordo de paz com a Coreia do Norte, pondo fim oficial à Guerra da Coreia (1950-53). Por esta razão, o regime comunista norte-coreano resiste à proposta de aceitar unilateralmente um cronograma de desnuclearização, informou o boletim de notícias Vox.

Depois de Cingapura, o secretário de Estado, Mike Pompeo, tentou pelo menos três vezes impor um cronograma para entregar 60% das armas nucleares dentro de seis a oito meses. A ditadura stalinista de Pyongyang recusou. A Coreia do Norte teria cerca de 65 bombas atômicas e mísseis de longo alcance capazes de atingir os EUA, uma garantia de sobrevivência do regime.

Assim, as negociações estagnaram. Trump vem responsabilizando a China, com que trava uma guerra comercial para reduzir um déficit comercial de US$ 375 bilhões no ano passado. Mas suspendeu a última visita do secretário Pompeo a Pyongyang depois de receber uma carta em tom hostil. Na visão da Coreia do Norte, o presidente americano está renegando o acordo.

A Coreia foi ocupada pelo Japão de 1910 a 1945. Em 9 de agosto de 1945, depois das bombas atômicas em Hiroxima e Nagasaki, a União Soviética de Josef Stalin declarou guerra Japão, ocupou quatro ilhas Kurilas e o Norte da Península Coreana.

Em 1948, quando o mundo estava dividido novamente, dessa vez pela Guerra Fria, surgiram a República Popular Democrática da Coreia (Norte) e a República da Coreia no Sul. Como se vê pelos nomes, ambas reivindicam a soberania sobre toda a península.

A guerra começa em 25 de junho de 1950, quando a Coreia do Norte, liderada pelo Grande Líder Kim Il Sung, invadiu o Sul. Os EUA reagiram em defesa da Coreia do Sul. Como a URSS estava boicotando as Nações Unidas por causa da não admissão da República Popular da China (comunista), o Conselho de Segurança aprovou a guerra, dando aos EUA um mandato para reunificar a Península Coreana.

Quando os EUA cruzaram o paralelo 38º Norte, marco da divisão entre as duas Coreias, em setembro de 1950, o 4º Exército da China, comandado por Lin Piao, cruzou o Rio Yalu e entrou na guerra, empurrando os EUA, Coreia do Sul e aliados para baixo do paralelo 38º N.

Houve uma guerra entre os EUA e a China dentro da Guerra da Coreia, e a China ganhou. Conquistou seu objetivo estratégico de empurrar as forças americanas para longe de sua fronteira com a Coreia do Norte. Cerca de 5 milhões de pessoas morreram.

Até hoje, não foi assinado um acordo de paz definitivo. Historicamente, o Norte sempre se negava a negociar o Sul, chamando-o de fantoche dos EUA. A negociação direta com Washington sempre foi o sonho do regime comunista norte-coreano. Trump concordou, mas não cumpre os termos do acerto verbal feito pelos dois líderes.

O presidente estaria disposto a assinar uma declaração de paz, mas foi contido pelo secretário da Defesa, general James Mattis, e pelo assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, por duas razões.

Primeiro, a Coreia do Norte já fez várias promessas de abandonar seu programa nuclear militar, então os EUA querem ter certeza de que desta vez será para valer. Segundo, encerrada a Guerra da Coreia, o regime comunista de Pyongyang pode exigir a retirada total dos 28,5 mil soldados americanos baseados na Coreia do Sul.

Mesmo que a ameaça nuclear norte-coreana acabe, como prometeu Trump prematuramente, os EUA querem manter sua presença militar na Coreia do Sul por causa da China, a superpotência em ascensão e a grande rival estratégica hoje e no futuro próximo.

Além das armas nucleares, um conflito na Península Coreana pode provocar uma guerra entre os EUA e a China. As concessões que Trump fizer serão observadas com atenção pelo Irã. Uma potência nuclear merece respeito.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Economia dos EUA cresceu acima do estimado no 2º trimestre

A economia dos Estados Unidos voltou a surpreender positivamente. Na segunda estimativa do crescimento no segundo trimestre de 2018, divulgada hoje pelo Departamento do Comércio, a taxa de crescimento subiu de 4,1% para 4,2%. A média das expectativas dos economistas era 4%. É o maior índice desde o terceiro trimestre de 2014.

Neste ritmo, o mercado considera praticamente certa uma alta na taxa básica de juros na reunião do Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central americano. Mas espera uma redução neste ritmo de crescimento, considerado insustentável.

O consumo pessoal avançou em 1,9% em 12 meses, levemente acima do 1,8% do primeiro trimestre. A taxa básica de juros está numa faixa de 1,75% a 2% ao ano. A expectativa é de mais dois aumentos neste ano e três em 2019. Os juros devem subir 0,25 ponto percentual na reunião de setembro do comitê de política monetária do Fed.

A maior economia do mundo cresce desde o terceiro trimestre de 2009. Com o corte da alíquota do  imposto de renda para empresas de 35% para 21% aprovado pelo governo Donald Trump, ganhou um impulso forte, embora temporário.

A longo prazo, os cortes de impostos podem aumentar o déficit orçamentário e a dívida pública. Os títulos da dívida externa dos EUA com 10 anos de prazo passaram a pagar juros de 3% ao ano. Antes, pagavam 2%.

Parlamento do Irã censura presidente por causa da crise econômica

O Majlis, o Parlamento do Irã, censurou ontem o presidente Hassan Rouhani por culpar a retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear pela situação do país ao defender a atuação de seu governo no combate à crise econômica.

Relativamente moderado dentro do regime fundamentalista iraniano, Rouhani representa a facção da República Islâmica que pretende manter as relações econômicas com o resto do mundo.

O líder iraniano busca uma resposta pragmática à decisão do presidente Donald Trump de romper o acordo assinado em 2015, no governo Barack Obama, entre as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia), a Alemanha e o Irã para congelar o programa nuclear militar iraniano por dez anos.

A moção de censura indica que o presidente está perdendo poder e pode ser alvo de um processo de impeachment. Os ministros do Trabalho e da Economia caíram nas últimas semanas por causa da crise, que tende a se agravar quando as sanções impostas por Trump entrarem em vigor.

Nos últimos meses, houve várias manifestações de protesto, inclusive uma greve no grande bazar de Teerã, a capital do Irã, mas, ao contrário do que aconteceu em 2009, depois da reeleição fraudulenta do presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad, não há uma oposição organizada.

Se Rouhani for impedido e houver novas eleições, a linha dura tem nova chance de tomar o Poder Executivo num momento importante. O Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, está com 79 anos.

De qualquer maneira, o rompimento do acordo e as sanções de Trump contribuíram para fortalecer a linha dura e a Guarda Revolucionária Iraniana, o braço armado do regime, que manda cada vez mais no país e tem interesse em fazer a bomba atômica como garantia contra possíveis ataques dos EUA e de Israel.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

EUA mantêm próxima manobra militar conjunta com a Coreia do Sul

Diante da estagnação das negociações de desnuclearização com a Coreia do Norte, os Estados Unidos não têm planos de suspender os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, declarou hoje o secretário da Defesa, James Mattis, noticiou a agência Bloomberg.

Depois do histórico encontro de cúpula com o ditador Kim Jong Un em Cingapura, em 12 de junho, num gesto de boa vontade, o presidente Donald Trump cancelou manobras militares conjuntas previstas para aquela época.

Na semana passada, depois de receber uma carta em termos agressivos, Trump mandou o secretário de Estado, Mike Pompeo, cancelar uma visita à capital norte-coreana e acusou a China de atrapalhar as negociações para desnuclearizar a Península Coreana.

Em viagens anteriores a Pyongyang, Pompeo propôs ao regime comunista da Coreia do Norte que aceite um cronograma de desarmamento nuclear que incluiria a entrega de 60% das bombas atômicas dentro de seis meses.

A Coreia do Norte resiste. Rejeita um "desarmamento unilateral" sem contrapartida. Exige a assinatura de um tratado de paz que ponha fim à Guerra da Coreia (1950-53).

NOTA: No dia seguinte, o presidente Donald Trump desautorizou o secretário da Defesa e manteve a suspensão das manobras militares conjuntas com a Coreia do Sul. Voltou a culpar a China e advertiu que as manobras podem ser retomada em escala muito maior.

Etiópia prende ex-governador da região de Ogaden

O governo da Etiópia deteve Ahmed Abdi Mohamed Omar, ex-governador de Ogaden, também conhecida como região somaliana, sob as acusações de graves violações dos direitos humanos e de incitar à violência étnica e religiosa, noticiou ontem o boletim de notícias Africa News.

A batalha pelo controle da região de Ogaden é um teste crucial para o primeiro-ministro Abiy Ahmed. Na chefia do governo desde abril, Ahmed tenta tomar o poder de Omer e suas milícias.

No passado, a Etiópia teve problemas para manter o controle sobre a região somaliana, o que levou ao fortalecimento das milícias. Em 12 de agosto, a Frente de Libertação Nacional de Ogaden (FLNO) declarou um cessar-fogo unilateral citando os esforços do primeiro-ministro pela reconciliação nacional.

Uma presença militar forte na conturbada região de Ogaden é importante por causa da situação de anarquia em que vive a vizinha Somália desde 1991. Mas o controle de Adis Abeba sobre a região levou à revolta dos etíopes de etnia somaliana.

A FLNO luta pela autodeterminação da região somaliana desde meados dos anos 1980s. Em resposta, o governo etíope criou a milícia Liyu. Na luta contra a guerrilha, a milícia liderada por Omar cometeu diversos crimes. Ele foi preso, mas tem muitos amigos mais poderosos.

País que mais cresce hoje no mundo, acima de 10% ao ano nos últimos anos, a Etiópia passa por uma transformação profunda. Seu ambicioso primeiro-ministro fez a paz com a Eritreia e tenta fazer o mesmo em Ogaden.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Rei da Arábia Saudita vetou privatização parcial da estatal de petróleo

Nos últimos dois anos, por iniciativa do príncipe-herdeiro, Mohamed ben Salman, a Arábia Saudita preparou a venda de 5% das ações da companhia estatal de petróleo Aramco. A meta era arrecadar US$ 100 bilhões para o plano de modernização Arábia Saudita 2030. Em junho, o sultão Salman ben Abdul Aziz al Saud mandou cancelar a privatização, revelou hoje a agência Reuters.

Seria a maior oferta pública inicial de ações da história. Se chagasse a US$100 bilhões, a empresa estaria avaliada em US$2 trilhões. O rei tomou a decisão depois de ouvir membros da família real, banqueiros e altos executivos do setor de petróleo, inclusive um ex-diretor-geral da Aramco.

A maior advertência desses conselheiros foi que exporia o reino e o buraco negro de seus negócios petrolíferos, sua base de poder. Para ter ações cotadas em bolsas de valores, a empresa teria de revelar suas atividades financeiras em detalhes.

O príncipe Mohamed chegou a desmentir as notícias do cancelamento da privatização, mas todos os analistas acreditam que a palavra do rei é definitiva, apesar de um comitê formado por MbS e os ministros da Energia, da Economia e das Finanças.

É uma perda de poder de jovem príncipe de 32 anos. Desde que assumiu o Ministério da Defesa, em janeiro de 2015, MbS interveio na guerra civil do Iêmen, hoje a mais violenta do mundo, sem conseguir restaurar o governo deposto por rebeldes hutis apoiados pelo Irã. Também promoveu um cerco político, econômico e diplomático ao emirado do Catar, acusando-o de ser próximo do Irã, seu arqui-inimigo.

O príncipe deu às mulheres o direito de dirigir e mandou reabrir os cinemas de seu reino medieval. A Arábia Saudita não está preparada para a modernidade.

Em abril de 2015, Mohamed se tornou o príncipe-herdeiro, destronando o primo Mohamed ben Nayef. Ao se aproximar do governo Donald Trump e mais discretamente de Israel, também arqui-inimigos do regime fundamentalista iraniano, MbS deu a impressão de que aceitaria a decisão americana de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

"O rei está obscecado pelo julgamento da história", comentou uma das fontes da Reuters. Não quer passar a história como o sultão que entregou Jerusalém e vendeu a Aramco.

Rússia prende líder da oposição semanas antes de eleições regionais

A duas semanas das eleições regionais de 9 de setembro, o principal líder da oposição na Rússia, o advogado e blogueiro anticorrupção Alexei Navalny, foi preso no sábado por 30 dias sem justificativa, mas continuou convocando seus seguidores a se manifestar, noticiou a agência Reuters.

O protesto é contra a proposta do ditador Vladimir Putin de aumentar gradualmente a idade mínima para aposentadoria na Rússia, de 60 para 65 homens e de 55 para 63 anos para mulheres.

Com base em processos forjados pelo regime, Navalny foi impedido de disputar a eleição presidencial de março com o ditador.

ONU acusa Forças Armadas de Mianmar de genocídio

As Forças Armadas de Mianmar, a antiga Birmânia, cometeram crimes de guerra e crimes contra a humanidade contra a minoria rohingya, no estado de Rakhine, que configuram genocídio, denunciou um relatório das Nações Unidas, citado pelo jornal inglês The Guardian, pedindo ao Tribunal Penal Internacional (TPI) que abra os devidos processos.

Como o governo de Mianmar não deixou os investigadores da ONU entrarem no país, eles entrevistaram 875 pessoas que fugiram. Essas testemunhas contaram que os militares "mataram indiscriminadamente, violentaram mulheres, atacaram crianças e incendiaram vilas inteiras" em Kakhine, onde vivem os muçulmanos rohingya, e também nos estados de Chan e Kachin, onde há outros grupos étnicos rebeldes.

Os militares mianmarenses são acusados de homicídios, prisão arbitrárias, sequestros, desaparecimento depessoas, tortura, estupro, perseguição e escravização - todos crimes contra a humanidade. No Norte de Rakhine, foram coletadas provas de extermínio em massa e deportação.

"As recomendações claras do relatório mostrou a necessidade óbvia de dar passos concretos para levar à Justiça esses crimes atrozes, em vez de condenações e expressões de preocupação vazias", declarou o diretor para a Ásia da organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos), Brad Adams.

"Este relatório deve eliminar qualquer dúvida sobre a urgência de investigar as responsabilidades por essas atrocidades em massa", acrescentou.

Em um ano de ofensiva militar, cerca de 25 mil rohingyas foram mortos e 700 mil fugiram para Bangladesh. O maior acusado é o comandante-em-chefe das Forças Armadas, general Min Aung Hlaing, que prometeu resolver "o antigo problema bengalês".

Minutos depois da divulgação do relatório, o Facebook tirou da rede 18 contas e 52 páginas ligados aos militares de Mianmar, inclusive uma do general. Eles foram usadas para culpar "terroristas muçulmanos" pelos massacres.

"Queremos impedir que usem nosso serviço para inflamar ainda mais as tensões étnicas e religiosas", declarou o Facebook.

domingo, 26 de agosto de 2018

Chile confisca bens de Pinochet no valor de US$ 1,6 milhão

Depois de 14 anos de investigação, a Justiça do Chile concluiu que o ditador Augusto Pinochet (1973-90) acumulou uma fortuna de US$ 21,3 milhões, sendo US$ 17,8 milhões de origem ilícita e a Corte Suprema ordenou o confiscou bens e propriedades de seus herdeiros no valor de US$ 1,6 milhão, noticiou o jornal espanhol El País.

O tribunal também condenou três ex-oficiais do Exército do Chile que ajudaram a depositar dinheiro em contas secretas no Riggs Bank, nos Estados Unidos. Gabriel Vergara Cifiuentes,  Juan Ricardo MacLean Vergara e Eugenio Castillo Cádiz pegaram quatro anos de prisão com direito a liberdade condicional.

Pinochet entregou a Presidência em 11 de março 1990, mas só deixou o comando do Exército oito meses depois, em 10 de março de 1998. Meses depois, em 16 de outubro, ele foi preso em Londres, quando fazia tratamento numa clínica particular, a pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón, que abriu inquérito sobre os crimes cometidos durante a ditadura militar chilena.

Pelo menos 3.105 pessoas foram mortas durante o governo Pinochet, cerca de 80 mil foram presas e 200 mil chilenos saíram do país. Um plebiscito, em 1988, rejeitou a extensão de seu mandato presidencial conquistado a tiros e bombardeios. Em 14 de dezembro de 1989, Patricio Aylwn foi eleito presidente do Chile com 55% dos votos na primeira eleição democrática desde a vitória de Salvador Allende, em 1970.

A Justiça do Reino Unido aceitou o pedido de extradição da Espanha, mas o processo foi até a Suprema Corte. O destino do general foi decidido numa reunião América Latina-União Europeia realizada no Rio de Janeiro.

Quando o governo espanhol deixou claro que não havia interesse em processar Pinochet, o que criaria uma questão internacional, o Chile se comprometeu a processar o ex-ditador e o secretário do Interior britânico, decidiu libertar o general, em 2 de março de 2000, alegando que sua saúde estava debilitada e que ele não teria condições mentais de responder a um processo. No mesmo dia, Pinochet deixou a Inglaterra.

Três dias depois de sua chegada, o juiz Juan Guzmán Tapia pediu a suspensão da imunidade parlamentar de Pinochet, que tinha um mandato de senador vitalício, para que fosse julgado pela Caravana da Morte, em que 97 presos políticos foram mortos.

O ex-ditador foi colocado em prisão domiciliar e mais uma vez se livrou do processo alegando demência senil. A Justiça chilena rejeitou um pedido de prisão da juíza argentina María Servini de Cubría por causa do assassinato do general Carlos Prats, o comandante do Exército que antecedeu Pinochet, em Buenos Aires, em 30 de setembro de 1974.

Em 1º de junho de 2001, Pinochet foi internado com urgência no Hospital Militar. Oito dias depois, foi beneficiado nos processos por demência senil. Em 4 de julho de 2002, o ex-ditador foi eximido de culpa por demência senil e renunciou ao mandato de senador vitalício.

Dois anos depois, em 28 de maio de 2004, o Tribunal de Recursos decidiu reabrir os processos, decisão confirmada pela Corte Suprema em 26 de agosto. Desta data até sua morte,  em 10 de dezembro de 2006, Pinochet esteve várias vezes em prisão domiciliar por diferentes processos, da Operação Condor, o desaparecimento de dissidentes em 1975 e o Caso Riggs, que levou agora ao confisco de bens. Mas nunca foi condenado.

Até 2004, a família Pinochet não havia sido investigada por enriquecimento ilícito. Naquele ano, uma subcomissão do Senado dos Estados Unidos que tentava descobrir as fontes de financiamento do terrorismo internacional encontrou contas secretas do ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, e de Pinochet, que tinha US$ 21,3 milhões no Banco Riggs.

Quando o processo foi aberto, há 14 anos, as contas bancárias, 23 imóveis e outras propriedades do ex-ditador foram congeladas. Em 2017, a Justiça restituiu US$ 6 milhões aos herdeiros porque vários casos prescreveram, tiveram a punibilidade extinta por decurso de prazo.

Isso explica por que só foram confiscados US$ 1,6 milhão, se o enriquecimento ilícito foi estimado em US$ 17,8 milhões. Com a sentença da sexta-feira, os herdeiros devem receber mais US$ 3,2 milhões.

sábado, 25 de agosto de 2018

Morre o senador John McCain, herói da Guerra do Vietnã desprezado por Trump

Piloto de avião da Marinha dos Estados Unidos abatido em Hanói na Guerra do Vietnã (1964-71), John McCain ficou cinco anos e meio preso no Vietnã do Norte, onde foi torturado, o que o tornou um ativista contra a tortura, especialmente depois dos atentados de 11 de setembro.

Libertado, foi eleito para a Câmara em 1982 e 1984 e para o Senado pelo estado do Arizona desde 1986. Em 2008, disputou a eleição presidencial pelo Partido Republicano contra Barack Obama. Ele morreu hoje aos 81 anos de um câncer no cérebro.

McCain tinha um tipo de câncer muito agressivo chamado de glioblastoma, descoberto em julho de 2017. Fez radioterapia e quimioterapia para enfrentar a doença. Ontem, a família anunciou que havia suspendido o tratamento.

Mesmo em estado grave, McCain foi ao Senado votar contra a tentativa do presidente Donald Trump de revogar o Lei de Tratamento de Saúde a Preços Acessíveis, o programa do governo Barack Obama para oferecer assistência médica a todos os americanos. Ele não votou, mas apoiou, os cortes de imposto e foi importante para sua aprovação. Manteve a coerência até o fim.

Desde 7 de dezembro do ano passado, quando deu seu último voto, não ia mais ao Senado.

Filho e neto de almirantes, John Sidney McCain III nasceu em 29 de agosto de 1936 na Zona do Canal do Panamá. Era parte de uma família que lutou em todas as guerras dos EUA desde a independência.

Herói do Vietnã, ele se tornou um personagem importante da política americana no ano 2000, quando disputou a candidatura do Partido Republicano à Casa Branca com George Walker, que seria eleito e reeleito.

O senador cruzou os EUA com um ônibus chamado de Expresso do Papo Reto, onde respondia perguntas a diferentes grupos de repórteres e tratava diretamente, sem rodeios, dos problemas da nação. Ganhou a primeira eleição primária, no estado de Novo Hampshire, mas depois de uma derrota na Carolina do Sul deixou de ameaçar a campanha vitoriosa de Bush.

Apesar da derrota, McCain considerou a campanha das primárias "uma grande diversão". Especialista em segurança, defesa e política internacional, era um dos falcões da linha dura no Congresso. Sempre advertia que a Rússia continuava sendo inimiga dos EUA no mundo pós-Guerra Fria.

Em 2008, conquistou a candidatura do partido e indicou a governadora do Alasca, Sarah Palin, para vice-presidente, estridente e despreparada. Seu preferido seria o senador Joe Lieberman. Por causa da idade e da juventude de Obama, aceitou Palin. Os críticos o acusam de ter estimulado o crescimento da ala populista do partido.

Durante a campanha eleitoral de 2016, criticou Trump, chamando o atual presidente de "mal informado" e "impulsivo". No ano passado, alertou para o risco de "um nacionalismo mal passado e espúrio, uma armação de pessoas mais interessados em encontrar bodes expiatório do que em resolver problemas."

Do alto de seu narcisismo, Trump contra-atacou. Desprezou o herói nacional, dizendo que "ele virou herói porque foi capturado, gosto dos que não são presos" e o criticou várias vezes por não votar contra o fim do programa de saúde de Obama.

Com temperamento explosivo, McCain foi movido por sua lealdade às Forças Armadas, o conservadorismo e sua ousadia em combate. Rebelde, tinha problemas com a disciplina militar quando seu avião foi abatido durante um bombardeio a Hanói, a capital norte-vietnamita.

Como seu pai era o comandante-em-chefe das Forças dos EUA no Pacífico, McCain era um prisioneiro de guerra muito especial, um trunfo para o regime comunista vietnamita. Com os dois braços quebrados, foi submetido à tortura. Passou dois anos em confinamento.

Durante os cinco anos de meio de prisão, foi espancado com frequência, uma vez por até dez vietnamitas ao mesmo tempo. Tentou o suicídio duas vezes. Foi solto em março de 1973, quando os EUA fecharam um acordo de paz com o regime comunista do Vietnã do Norte, que em 1975 conquistaria o Sul, acabando com a guerra.

Para milhões de americanos, McCain virou um símbolo da resistência e da coragem, de um espírito de luta que não se entrega mesmo quando fisicamente quebrado e psicologicamente abalado. Nunca mais conseguiu erguer os braços acima do ombro, por causa dos ferimentos sofridos na queda do avião e das torturas que sofreu.

Trump não foi convidado para o enterro. Os ex-presidente George W. Bush e Barack Obama, e o vice-presidente Mike Pence, prestarão as homenagens.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Suprema Corte do Zimbábue aprova resultado da eleição presidencial

Como previsto, a Suprema Corte do Zimbábue considerou hoje legítima a vitória suspeita do presidente Emmerson Mnangagwa na eleição presidencial de julho, com 50,8% dos votos contra 44,3% de Nelson Chamisa.

Mnangagwa, conhecido popularmente como o Crocodilo, era vice-presidente e braço direito do ditador Robert Mugabe, que governou o Zimbábue desde sua independência, em 1980, até o golpe de novembro de 2017, quando foi deposto por Mnangagwa e o então comandante do Exército e atual vice-presidente, general Constantino Chiwenga.

A vitória apertada de um regime golpista nascido no seio de uma ditadura provocou protestos internacionais. O Zimbábue perdeu uma oportunidade de melhorar as relações com o Ocidente. No auge da crise econômica e da hiperinflação criadas pelas políticas de Mugabe, o Zimbábue foi alvo de sanções da Europa e dos Estados Unidos. Precisou recorrer à China.

Dias antes do golpe, o general Chiwenga foi à China para obter o aval do regime comunista chinês para derrubar Mugabe.

Trump cancela encontro EUA-Coreia do Norte por falta de avanço na desnuclearização

Através do Twitter, o presidente Donald Trump enviou mensagem com "os mais calorosas considerações e respeito" ao ditador Kim Jong Un, e manifestou interesse em encontrá-lo em breve, mas suspendeu a viagem que o secretário de Estado, Mike Pompeo, faria à Coreia do Norte por falta de progresso nas negociações para desnuclearizar a Península Coreana. 

Trump culpou a China, com quem está engajado numa guerra comercial, pelas manobras do regime comunista de Pyongyang, acusando Beijim de "não estar ajudando no processo de desnuclearização como antes", noticiou o jornal The Washington Post.

É a primeira que o presidente dos Estados Unidos admite falta de avanços nas negociações para desarmar a Península Coreana desde o histórico encontro de cúpula com Kim em 12 de junho de 2018 em Cingapura. Trump chegou a afirmar que a ameaça nuclear norte-coreana havia desaparecido.

Seria a quarta visita de Pompeo à Coreia do Norte. Em ocasiões anteriores, o secretário de Estado americano propôs ao regime comunista norte-coreano que aceite um cronograma para abandonar suas armas nucleares. Cerca de 60% das armas seriam entregues dentro de seis meses para destruição.

O governo de Pyongyang resiste. Alega que os EUA estão querendo um desarmamento nuclear unilateral sem oferecer contrapartida. Ao mesmo tempo, satélites-espiões americanos revelaram que os centros de pesquisa e desenvolvimento de mísseis e armas nucleares norte-coreanos estão em plena atividade.

Trump escreveu que o "secretário Pompeo deve ir à Coreia do Norte em futuro próxima, provavelmente depois que nossas relações comerciais com a China sejam resolvidas." Atribui a estagnação das negociações à China. Ignora que esse vaivém é o padrão de comportamento do regime stalinista de Pyongyang desde que começou sua chantagem atômica, depois do fim de sua maior patrocinadora, a União Soviética, em 1991.

Ministro da Justiça dos EUA rebate ataques do presidente Trump

Sob pressão depois que seu ex-advogado e um ex-chefe da campanha eleitoral foram condenados, o presidente Donald Trump atacou ferozmente o secretário da Justiça e procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, por não controlar as investigações. 

Sessions respondeu que enquanto for secretário o Departamento da Justiça "não será influenciado impropriamente por considerações políticas", informou a agência de notícias Associated Press (AP).

Em entrevista à televisão americana Fox News, que apoia o Partido Republicano e o movimento conservador, Trump tentou se defender das acusações de crimes imputadas a ele pelo advogado Michael Cohen. O presidente criticou o instituto da delação premiada, usado especialmente para desmantelar organizações mafiosas, afirmou que os réus mentem para reduzir suas penas.

O pai do advogado pressionou o filho dizendo que não havia sobrevivido ao Holocausto do povo judeu na Segunda Guerra Mundial para ter seu nome manchado por Trump, revelou o jornal The Wall Street Journal.

Foi mais um show do narcisismo de Trump, no estilo depois de mim, o dilúvio. Ele declarou que o impeachment de um presidente que está fazendo um governo tão bom, na opinião dele, "causaria um colapso do mercado" e "todo o mundo ficaria muito pobre".

Trump está furioso com Sessions porque ele se considerou impedido de supervisionar o inquérito sobre a influência indevida da Rússia na eleição presidencial de 2012. Como havia mantido contato com russos, o secretário entendeu corretamente que não poderia se envolver na investigação.

O inquérito ficou sob o controle do subprocurador-geral Rod Rosenstein, outro militante do Partido Republicano. Quando Trump demitiu o diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal americana, James Comey, em 9 de maio de 2017, Rosenstein decidiu nomear um procurador especial, Robert Mueller, ex-diretor-geral do FBI.

Desde então, Mueller denunciou 34 pessoas e há três obteve a condenação de Paul Manafort, o ex-chefe de campanha de Trump, em oito acusações de fraude fiscal e bancária quando trabalhava para o então presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, apoiado por Moscou. O advogado-geral da Casa Branca falou com Mueller sem o conhecimento do presidente, sinal de que queria se proteger.

A pedido de Trump, Cohen pagou US$ 130 mil à atriz pornô Stormy Daniels 11 dias antes da eleição e US$ 150 mil à ex-garota da Playboy Karen McDougal para que não revelassem seus casos durante a campanha. Isso é ilegal. O advogado admitiu ter violado a lei de financiamento eleitoral porque o silêncio delas foi comprado para não atrapalhar a eleição de Trump.

Para complicar ainda mais o presidente, o magnata da imprensa David Pecker, dono do National Enquirer, um jornal sensacionalista vendido em supermercados, conseguiu imunidade dos procuradores. Pecker ficou com os direitos de publicação nos dois casos, mas preferiu esconder as histórias para proteger Trump.

Em seus ataques de fúria, Trump acusa a investigação do procurador especial de ser "uma caça às bruxas" conduzida por "democratas raivosos". O desespero de um presidente que sempre se considerou acima da lei é cada vez mais evidente em suas declarações e tuitaços.

EUA e China elevam tarifas em nova rodada da guerra comercial

Os Estados Unidos impuseram ontem tarifas de 25% sobre a importação de produtos chineses no valor de US$ 16 bilhões por ano. A China respondeu imediatamente, sobretaxando importações americanas no mesmo valor. Agora, o total de produtos sobretaxados pelas duas maiores economias do mundo soma US$ 100 bilhões de comércio bilateral.

Esta segunda rodada da guerra comercial deflagrada pelo presidente Donald Trump já estava prevista. A lista de novos produtos sobretaxados estava à disposição dos interessados no Departamento do Comércio dos EUA para darem suas opiniões.

Em 6 de julho, o governo Trump impôs tarifas de 25% sobre produtos importados da China no valor de US$ 34 bilhões. A China respondeu na hora e na mesma medida.

O presidente americano tenta reduzir um déficit no comércio bilateral que chegou a US$ 375 bilhões no ano passado. Ameaça agora impor tarifas sobre outros produtos chineses importados pelos EUA, no valor de US$ 200 bilhões por ano. Aí a China não teria como retaliar porque só exportou US$ 130 bilhões para os EUA em 2017.

Em Beijim, o governo chinês acusou os EUA de provocarem a "maior guerra comercial da história" e afirmou que o conflito está aumentando o investimento de empresas interessadas em não perder espaço no mercado chinês.

Na Internet, por exemplo, o total de chineses ligados na rede passa de 800 milhões, mais do que Índia e EUA somados.

A nova rodada da guerra comercial aconteceu no momento em que uma delegação chinesa estava em Washington discutindo as relações comerciais entre os dois países. Naturalmente, as negociações não avançaram.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Arábia Saudita pede pena de morte para jovem ativista não violenta

Em mais uma decisão medieval capaz de causar repulsa no mundo inteiro, a procuradoria real da Arábia Saudita pediu a pena de morte por decapitação da jovem ativista Israa al-Ghomgham, presa em 2015 por participar de protestos antigovernamentais não violentos.

Através de seu novo homem-forte, o príncipe herdeiro Mohamed ben Salman, a Arábia Saudita reagiu com dureza a críticas da ministra do Exterior do Canadá, Chrystia Freeland, à prisão de Samar Badawi, irmã do ativista Raif Badawi, condenado a sete anos de prisão e mil chibatadas por criar o blog Sauditas Liberais Livres.

O governo saudita expulsou o embaixador canadense, retirou do Canadá 7 mil estudantes sauditas e suspendeu negócios, mas não no setor de energia, muito importante para os dois países. Em resposta, o primeiro-ministro Justin Trudeau reafirmou que o Canadá vai continuar defendendo os direitos humanos. Freeland é na prática uma vice-primeira-ministra.

MbS, como é conhecido, deixou claro: sua modernização permitiu a reabertura dos cinemas e que as mulheres possam dirigir no reino, mas a monarquia feudal do século 21 não tolera críticas às violações dos direitos humanos. Se a Justiça decidir pela pena de morte, os protestos internacionais serão muito maiores.

A última execução de um dissidente importante na Arábia saudita foi a do clérigo xiita Nimr al-Nimr, em 2016.

Líderes das FARC fogem para a Venezuela

Sob ameaça de prisão por envolvimento em atividades criminosas, dois líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), fugiram para a vizinha Venezuela. As autoridades colombianas procuram descobrir qual a rota de fuga, noticiou hoje a Rádio Caracol.

Na semana passada, soube-se da iminência da prisão de três líderes do antigo grupo guerrilheiro envolvidos em crimes comuns. É comum em processos de paz que guerrilheiros veteranos, que passaram anos na clandestinidade, não consigam se reintegrar à vida civil e entrem para organizações criminosas.

Se mais líderes das FARC forem presos, o histórico acordo de paz assinado em 24 de novembro de 2016 estará ameaçado. É provável que os ex-guerrilheiros presos recentemente tenham dado informações à polícia capazes de incriminar outros companheiros.

Desde a campanha eleitoral, o novo presidente, o conservador Iván Duque, empossado em 7 de agosto deste ano, promete revisar o acordo, especialmente as cláusulas que dão anistia a rebeldes que cometeram crimes de sangue e garantem 5% de vagas no Congresso para ex-guerrilheiros. A pressão sobre as FARC tende a aumentar.

Duque é afilhado político do ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe (2002-10), um linha-dura que golpeou duramente a guerrilha, reduzindo significativamente sua ameaça. Seu ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, se tornou presidente e negociou o acordo, rejeitado por Uribe.

Uribe é investigado por ligações com grupos paramilitares de direita conhecidos como Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), que chegou a comparar com as vigilâncias de bairro nos Estados Unidos. Ganhou a guerra, mas não soube fazer a paz.

É muito difícil, praticamente impossível, a volta da guerra civil. Mas há rebeldes que renegaram o acordo e mataram jornalistas equatorianos, em abril de 2018, e outros envolvidos com o crime organizado.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Europa quer se livrar da dependência dos EUA

Em resposta ao unilateralismo dos Estados Unidos, a Europa deve reavaliar a parceria transatlântica e  ampliar sua autonomia, afirmou hoje o ministro do Exterior da Alemanha, Heiko Maas, em artigo publicado no jornal econômico alemão Handelsblatt.

Maas, do Partido Social-Democrata (SPD), parceiro menor da coalizão liderada pela chanceler (primeira-ministra) democrata-cristã Angela Merkel, descartou a possibilidade de esperar o fim do governo Donald Trump.

O ministro do Exterior alemão entende que as forças que abriram um fosso entre os EUA e a Europa estavam em movimento antes da eleição presidencial americana de 2016. Chegou então a hora de um novo equilíbrio estratégico.

Como havia antecipado ontem, Maas propôs a criação de um sistema de pagamentos alternativo ao SWIFT, uma empresa com sede em Bruxelas que intermedia transações financeiras internacionais. Assim, a União Europeia (UE) poderia diminuir o impacto das sanções cruzadas que Trump promete impor a empresas que negociarem com o Irã a partir de 7 de novembro.

A independência estratégica incluiria a criação do Fundo Monetário Europeu como alternativa ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e uma União Europeia de Segurança e Defesa. Na visão do ministro alemão, os membros europeus da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) “não podem mais confiar nos EUA”.

Advogado e ex-assessor são condenados e complicam Trump

O advogado Michael Cohen, que há anos defendia Donald Trump em seus negócios privados, confessou ontem sua culpa em oito acusações de fraude bancária e fiscal e violação da lei eleitoral ao pagar duas mulheres para ficarem em silêncio sobre relações sexuais com o atual presidente que poderia prejudicá-lo na campanha. No mesmo dia, um júri popular considerou culpado Paul Manafort, que chegou a ser chefe da campanha de Trump.

Manafort foi condenado em razão dos serviços prestados a Viktor Yanukovich, presidente da Ucrânia aliado da Rússia depois por uma revolta popular em fevereiro de 2014, por fraudes fiscal e bancária ao não declarar o dinheiro ganho no exterior.

Sua sentença não foi decidida, mas aumenta o risco para Trump de que faça uma delação premiada e revele mais detalhes das relações da campanha presidencial com o Kremlin.

Cohen, que pode pegar uma pena de 4 a 5 anos de cadeia, já fez a delação. Ele admitiu ter pago US$ 130 mil à atriz pornô Stormy Daniels e US$ 150 mil à garota da Playboy Karen McDougal “a serviço de um candidato ao governo federal” e reconheceu ter feito isso para influenciar o resultado da eleição.

 Pela lei eleitoral americana, o dinheiro teria de ser declarado como verba de campanha.

O presidente mais corrupto da história recente dos Estados Unidos está cada vez mais enrolado com a Justiça. Trump acusou Cohen de inventar sua narrativa para se livrar da prisão. Durante o Escândalo de Watergate, em 1974, Richard Nixon tornou-se o único presidente dos EUA denunciado criminalmente.

A praxe do Departamento da Justiça é que nenhum presidente seja denunciado no exercício do cargo. Ele pode ser processado depois de deixar a Casa Branca. Mas Trump pode ser alvo de um processo de impeachment, se o Partido Democrata reconquistar a maioria na Câmara dos Representantes nas eleições de novembro.

Pela Constituição dos EUA, basta a maioria absoluta da Câmara para denunciar o presidente por crime de responsabilidade e iniciar um julgamento político. Mas a condenação pelo Senado exige dois terços dos votos. Parte da bancada do Partido Republicano teria de se voltar contra o presidente e a revolta é limitada, especialmente porque o apoio a Trump é forte entre o eleitorado republicano.