A jurista sul-africana de origem indiana Navanethem Navy Pillay, de 85 ano, ex-juíza do Tribunal Penal Internacional (TPI) e ex-alta comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2026 por "seus esforços para promover a paz e o direito internacional", anunciou hoje em Oslo, na Noruega, o Comitê Norueguês do Nobel.
No ano passado, Pillay liderou uma investigação da ONU que concluiu que Israel cometeu genocídio na guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Faixa de Gaza. O governo israelense rejeitou o relatório. A África do Sul denunciou Israel por genocídio perante a Corte Internacional de Justiça da ONU.
"Pillay responsabilizou países e líderes nacionais por suas ações, levou esperança às vítimas de violência e conflitos, e mostrou uma bússola moral sólida ao longo de sua extensa carreira", declarou o comitê ao justificar a premiação.
O secretário-geral da ONU, o ex-primeiro-ministro português António Guterres, cumprimentou Pillay e a elogiou como "uma campeã do direito internacional e dos direitos humanos, e uma voz independente e inabalável da justiça em alguns dos casos internacionais mais históricos do nosso tempo."
Guterrres acrescentou que como mais alta autoridade da ONU para direitos humanos a laureada mostrou que o direito deve prevalecer sempre e que a defesa dos direitos humanos é a salvaguarda mais eficaz contra a injustiça. "O prêmio de hoje é um tributo a todos aqueles que trabalham para garantir e defender o direito internacional, o Estado de direito e os direitos humanos, e garantir a paz, a justiça e a dignidade humana", disse o secretário-geral da ONU.
Navi Pillay, de origem tâmil, nasceu num bairro pobre de Durban em 23 de setembro de 1941. Com a ajuda de doações da comunidade indiana, se formou em artes e em direito na Universidade de Natal.
Em 1967, tornou-se a primeira mulher a abrir seu próprio escritório de advocacia em Natal. Conta que não teve alternativa porque ninguém lhe daria emprego por causa da cor de pele.
Durante 28 anos como advogada na África do Sul, ela defendeu ativistas do movimento antiapartheid e revelou a tortura e as péssimas condições das prisões do regime segregacionista da minoria branca. Em 1973, conseguiu garantir aos presos políticos, inclusive Nelson Mandela, o direito de ter um advogado.
Nos anos 1980, Pillay fez mestrado e doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Em 1995, um ano depois que o Congresso Nacional Africano (CNA) chegou ao poder, Mandela a nomeou para ser a primeira juíza não branca da Suprema Corte da África do Sul.
Na carreira internacional, Pillay presidiu o tribunal internacional que julgou o genocídio de Ruanda. De 2003 a 2008, foi juíza do TPI. Em 2 de julho de 2008, o então secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, a nomeou alta comissária da ONU para Direitos Humanos, cargo que exerceu até 2014.
Com o prêmio a Navi Pillay, o comitê do Nobel reforça a importância direito internacional no momento em que está sob ataque de líderes de superpotências como o presidente dos EUA, Donald Trump, e o ditador da Rússia, Vladimir Putin. Ambos estão envolvidos em guerras que não conseguem ganhar apesar da superioridade militar de seus países e rejeitam a legitimidade do TPI.
"Ao dar o Prêmio Nobel deste ano, o Comitê Norueguês do Nobel quer lembrar o mundo que o Estado de direito – nacional e internacional – é o alicerce do sistema que criamos para garantir a paz e resolver conflitos de maneira não violenta", declarou o comitê. Fez a ressalva de que juízes de tribunais internacionais "guardam a tênue linha vermelha entre a ordem e o caos", são alvos de "sanções e suas instituições são atacadas."
Horas depois, o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou sanções ao TPI e afirmou que "o presidente Donald Trump nunca permitirá que o TPI processe norte-americanos." O tribunal apelou aos 125 países-membros para que o defendam.
De certa forma, o comitê se reabilita depois de dar o prêmio do ano passado a María Corina Machado, uma extremista de direita que lidera a oposição na Venezuela, foi a favor do golpe contra o presidente Hugo Chávez em 1992 e foi marginalizada por Trump depois do sequestro do ditador Nicolás Maduro por forças dos EUA em 3 de janeiro deste ano, apesar de dar a medalha do Nobel ao presidente norte-americano. Agora, ela pede realização de eleições no próximo ano.
Navi Pillay ganha um prêmio de 12 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6 milhões. Na segunda-feira, será anunciado o ganhador do Prêmio Nobel de Economia, o último Nobel a ser atribuído neste ano.
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2 comentários:
Belíssima carreira,merecido premio
Com certeza.
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