LONDRES - O governo britânico, a Prefeitura de Londres e o comitê organizador local da Olimpíada de 2012 assustaram tanto a população com o risco de caos no sistema de transportes urbanos da capital do Reino Unido que a queda de público nas grandes atrações turísticas e teatros é de 30%.
No metrô, os dados oficiais indicam um aumento de 4% no movimento, mas os últimos trens estão saindo do centro à meia-noite. De manhã cedo até 9h30 e das 17h-19h30, os trens estão lotados como em qualquer grande cidade. Nas demais horas, não teve maiores problemas.
Apesar do movimento extra por causa dos Jogos Olímpicos, o trânsito no centro da capital britânica caiu 20%. Houve o engarrafamento durante o desfile da tocha, dentro do esperado. Mas o jornal Financial Times chegou a falar em "cidade-fantasma". E um vendedor de bugigangas para turistas disse à TV BBC que este é o pior verão para seus negócios em 27 anos de atividade.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 31 de julho de 2012
Princesa tira medalha de ouro da Grã-Bretanha
LONDRES - A Grã-Bretanha acaba de ganhar a medalha de prata na competição de hipismo por equipe da Olimpíada de Londres. Poderia ter chegado ao ouro, se não fossem os erros cometidos pela princesa Zara Philips, filha da princesa Anne e neta da rainha Elizabeth II.
Depois de derrubar uma barreira e perder pontos por estourar o tempo, um tanto constrangida, Zara lamentou "pela equipe". Mas o excelente desempenho de suas colegas levou a Grã-Bretanha ao segundo lugar, atrás da campeã Alemanha.
Zara e sua mãe foram as únicas pessoas da família real britânica a participar dos Jogos Olímpicos até hoje.
Depois de derrubar uma barreira e perder pontos por estourar o tempo, um tanto constrangida, Zara lamentou "pela equipe". Mas o excelente desempenho de suas colegas levou a Grã-Bretanha ao segundo lugar, atrás da campeã Alemanha.
Zara e sua mãe foram as únicas pessoas da família real britânica a participar dos Jogos Olímpicos até hoje.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Romney comete gafe ao questionar Olimpíada de Londres
LONDRES - Depois de ser acusado de racismo porque seus assessores tentaram vender ao Reino Unido a ideia de que Mitt Romney é "mais anglo-saxão" do que o presidente Barack Obama, o candidato da oposição à Presidência dos Estados Unidos cometeu nova gafe diplomática. Em entrevista à televisão americana, Romney, que tem fama de ter salvo os Jogos de Inverno de Salt Lake City, levantou dúvidas sobre o sucesso da Olimpíada de Londres.
"É difícil dizer se eles estão preparados. Há razões para preocupação com a firma de segurança privada que não treinou o número suficiente de guardas e a ameaça de greve dos funcionários da imigração", declarou o candidato republicano para fúria de seus supostos aliados do Partido Conservador britânico, como o primeiro-ministro David Cameron e o prefeito de Londres, Boris Johnson.
Coube a Johnson dar a resposta. Diante de uma multidão de funcionários e voluntários que trabalham nos Jogos Olímpicos, ele perguntou: "Um cara chamado Mitt Romney duvidou de nossa preparação. Vocês estão prontos?"
A massa disse sim. Isso certamente será usado pela campanha de Obama à reeleição como uma gafe diplomática e uma indicação de que Romney, ao desrespeitar um dos maiores aliados dos EUA, mostrou-se ingênuo e despreparado em política externa.
Afinal, na primeira viagem ao exterior da campanha, o candidato republicano pretendia se apresentar como um estadista.
"É difícil dizer se eles estão preparados. Há razões para preocupação com a firma de segurança privada que não treinou o número suficiente de guardas e a ameaça de greve dos funcionários da imigração", declarou o candidato republicano para fúria de seus supostos aliados do Partido Conservador britânico, como o primeiro-ministro David Cameron e o prefeito de Londres, Boris Johnson.
Coube a Johnson dar a resposta. Diante de uma multidão de funcionários e voluntários que trabalham nos Jogos Olímpicos, ele perguntou: "Um cara chamado Mitt Romney duvidou de nossa preparação. Vocês estão prontos?"
A massa disse sim. Isso certamente será usado pela campanha de Obama à reeleição como uma gafe diplomática e uma indicação de que Romney, ao desrespeitar um dos maiores aliados dos EUA, mostrou-se ingênuo e despreparado em política externa.
Afinal, na primeira viagem ao exterior da campanha, o candidato republicano pretendia se apresentar como um estadista.
domingo, 22 de julho de 2012
Londres teme atentado como na Bulgária
LONDRES - O Reino Unido começa amanha sua maior operação de segurança em tempos de paz para proteger a Olimpíada de Londres. Uma das maiores preocupações é defender a delegação de Israel. Depois de um atentado contra turistas israelenses na Bulgária, há o temor de que tenha sido apenas um ensaio para um ataque maior, no estilo do que grupos terroristas palestinos lançaram há 40 anos, na Olimpíada de Munique, na Alemanha, em 1972.
Quando o homem-bomba da Bulgária foi identificado como um jovem americano de origem árabe com todas as características de um ocidental, um cabeludo de bermudas, tênis e mochila, suscitou os piores temores dos chefes de serviços secretos.
Este é o tipo de terrorista suicida mais difícil de parar, um cidadão, igual a outros milhares. Só a detecção dos explosivos ou indícios sobre uma conspiração conseguem pará-lo.
Mais de 17 mil soldados e policiais, e 7 mil seguranças privados vão patrulhar a Vila Olímpica, 26 locais de competição, hotéis e centros de treinamento. A capital britânica terá vários anéis de segurança. Salas de emergências estão preparadas nos locais de prova para receber atletas, autoridades e empresários em caso de ataque.
Israel mandou um grupo de agentes para proteger sua delegação de 38 atletas. Outros agentes estão procurando na Europa células da força iraniana Qods, braço da Guarda Revolucionária para operações no exterior, que estaria recrutando europeus convertidos ao islamismo radical para lançar ações terroristas sem serem percebidos.
O governo de Israel está convencido de que o ataque que matou turistas israelenses foi encomendado pelo Irã em vingança pela morte de quatro cientistas ligados ao programa nuclear iraniano. Atribui a execução à milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus).
Quando o homem-bomba da Bulgária foi identificado como um jovem americano de origem árabe com todas as características de um ocidental, um cabeludo de bermudas, tênis e mochila, suscitou os piores temores dos chefes de serviços secretos.
Este é o tipo de terrorista suicida mais difícil de parar, um cidadão, igual a outros milhares. Só a detecção dos explosivos ou indícios sobre uma conspiração conseguem pará-lo.
Mais de 17 mil soldados e policiais, e 7 mil seguranças privados vão patrulhar a Vila Olímpica, 26 locais de competição, hotéis e centros de treinamento. A capital britânica terá vários anéis de segurança. Salas de emergências estão preparadas nos locais de prova para receber atletas, autoridades e empresários em caso de ataque.
Israel mandou um grupo de agentes para proteger sua delegação de 38 atletas. Outros agentes estão procurando na Europa células da força iraniana Qods, braço da Guarda Revolucionária para operações no exterior, que estaria recrutando europeus convertidos ao islamismo radical para lançar ações terroristas sem serem percebidos.
O governo de Israel está convencido de que o ataque que matou turistas israelenses foi encomendado pelo Irã em vingança pela morte de quatro cientistas ligados ao programa nuclear iraniano. Atribui a execução à milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus).
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Punguistas preparam ataque à Olimpíada de Londres
LONDRES - Batedores de carteira romenos, muito ativos na Espanha e em outros países do Sul da Europa, preparam-se para furtar muito dinheiro durante a Olimpíada de Londres, revela a televisão pública britânica BBC.
Um dos alvos principais é o maior centro comercial da Europa, que fica no Leste de Londres, onde fica a maioria das obras feitas para os Jogos Olímpicos.
Além de trens, metrô, entrada e saída de estádios e arenas, os punguistas gostam de se aproveitar do que chamam de "momento Ronaldinho". Depois de um gol ou no fim de um evento, no momento da celebração da vitória, eles se infiltram no meio da torcida e tentam dançar abraçados com suas vítimas para roubar carteiras e celulares.
Assim, se você vier aos Jogos de Londres, evite dancinhas com desconhecidos.
Um dos alvos principais é o maior centro comercial da Europa, que fica no Leste de Londres, onde fica a maioria das obras feitas para os Jogos Olímpicos.
Além de trens, metrô, entrada e saída de estádios e arenas, os punguistas gostam de se aproveitar do que chamam de "momento Ronaldinho". Depois de um gol ou no fim de um evento, no momento da celebração da vitória, eles se infiltram no meio da torcida e tentam dançar abraçados com suas vítimas para roubar carteiras e celulares.
Assim, se você vier aos Jogos de Londres, evite dancinhas com desconhecidos.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Polícia das marcas entra na luta contra pirataria olímpica
LONDRES - A crise com a empresa de segurança privada que se revelou incapaz de treinar agentes em número suficiente para cumprir sua missão ainda não foi resolvida, mas cerca de 300 oficiais da Olimpíada de 2012 entraram em ação hoje em Londres para combater a pirataria das marcas dos patrocinadores dos Jogos, como Adidas, Coca-Cola, BP e McDonald's.
Como as Forças Armadas terão de fornecer na última hora 3,5 mil soldados para preencher a lacuna deixada pela empresa privada G4S, os comandantes militares vão se reunir com ministros para pedir que os soldados recebam remuneração extra. Muitos acabaram de voltar da Guerra do Afeganistão e terão de canceler ou adiar férias e casamentos.
Agora, são os militares que dão as ordens, afirma o jornal inglês The Independent.
Como as Forças Armadas terão de fornecer na última hora 3,5 mil soldados para preencher a lacuna deixada pela empresa privada G4S, os comandantes militares vão se reunir com ministros para pedir que os soldados recebam remuneração extra. Muitos acabaram de voltar da Guerra do Afeganistão e terão de canceler ou adiar férias e casamentos.
Agora, são os militares que dão as ordens, afirma o jornal inglês The Independent.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Londres falha no meu teste olímpico pessoal
A exatamente um ano início da Olimpíada de 2012, a capital do Reino Unido se orgulha de ter concluído quase todas as obras nos estádios, mas os problemas do seu sistema de transportes não foram resolvidos, como pude constatar pessoalmente neste mês.
Em 11 de julho, fui ao Hackney Empire ver um show de Hugh Masekela em homenagem à grande cantora e compositora sul-africana Miriam Makeba. Hackney fica no Leste de Londres, a zona supostamente regenerada pelo projeto olímpico.
Tinha de tomar o trem, agora promovido a metrô de superfície, em West Kentish Town. O metrô de superfície não tem ligação com o subterrâneo, a não ser em algumas estações. Seria preciso caminhar uns cinco a dez minutos para chegar lá.
Ao chegar a Kentish Town, uma funcionária do metrô me avisou que os trens estavam com atraso. Não tinha garantia de chegar ao destino em uma hora. Outro funcionário rapidamente me deu um telefone de rádio-táxi. Paguei 14 libras, cerca de 40 reais, para chegar na hora.
Pior ainda foi na partida. Na manhã da última segunda-feira, 25 de julho, em vez de tomar um táxi, resolvi ir do metrô para o aeroporto. Tinha de fazer uma conexão para tomar a Piccadilly Line. O trem para Heathrow demorou mais de 20 minutos. Parou em Northfields, no meio do caminho, e mandou todos os passageiros esperarem o próximo trem.
Os próximos dois trens iam para Heathrow, mas não para o Terminal 5. Dezenas de viajantes com malas grandes esperavam ansiosamente na plataforma. Foram mais 20 minutos de atraso.
Morei oito anos na Inglaterra. Nunca tinha levado mais de que 1h45 para chegar a Heathrow de metrô. Ou seja: em vez de melhorar, o sistema de transportes de Londres continua a mesma coisa. É inconfiável.
Quando me mudei para Londres, em 1994, a fui morar na zona norte da cidade, a Linha Norte do metrô era conhecida como a "linha miserável". A orientação era sempre pegar o primeiro trem e trocar onde fosse necessário porque o próximo poderia não chegar.
A julgar pelos problemas para chegar ao aeroporto na segunda-feira, teria sido melhor pegar o primeiro trem e trocar mais à frente, o que é sempre um incômodo para quem carrega malas.
Mais de duas horas de viagem, com uma parada inesperada, encurtando o trajeto do trem e simplesmente mandando desembarcar passageiros que esperaram o trem para Heathrow para não ter de ficar carregando bagagens, é um abuso intolerável para um país que um dia se orgulhou de sua pontualidade.
Com este sistema de trens e metrô, Londres pode ter concluído os estádios e regenerado áreas da cidade como Hackney. Mas os trens não chegam até lá na hora. E se não chegarem ao aeroporto, o avião não espera.
Diante da crise econômica, que obrigou o governo britânico a cortar 83 bilhões de libras, cerca de R$ 240 bilhões em gastos públicos nos próximos quatro anos, a expectativa é de anos de crescimento medíocre e investimento público escasso.
Em 11 de julho, fui ao Hackney Empire ver um show de Hugh Masekela em homenagem à grande cantora e compositora sul-africana Miriam Makeba. Hackney fica no Leste de Londres, a zona supostamente regenerada pelo projeto olímpico.
Tinha de tomar o trem, agora promovido a metrô de superfície, em West Kentish Town. O metrô de superfície não tem ligação com o subterrâneo, a não ser em algumas estações. Seria preciso caminhar uns cinco a dez minutos para chegar lá.
Ao chegar a Kentish Town, uma funcionária do metrô me avisou que os trens estavam com atraso. Não tinha garantia de chegar ao destino em uma hora. Outro funcionário rapidamente me deu um telefone de rádio-táxi. Paguei 14 libras, cerca de 40 reais, para chegar na hora.
Pior ainda foi na partida. Na manhã da última segunda-feira, 25 de julho, em vez de tomar um táxi, resolvi ir do metrô para o aeroporto. Tinha de fazer uma conexão para tomar a Piccadilly Line. O trem para Heathrow demorou mais de 20 minutos. Parou em Northfields, no meio do caminho, e mandou todos os passageiros esperarem o próximo trem.
Os próximos dois trens iam para Heathrow, mas não para o Terminal 5. Dezenas de viajantes com malas grandes esperavam ansiosamente na plataforma. Foram mais 20 minutos de atraso.
Morei oito anos na Inglaterra. Nunca tinha levado mais de que 1h45 para chegar a Heathrow de metrô. Ou seja: em vez de melhorar, o sistema de transportes de Londres continua a mesma coisa. É inconfiável.
Quando me mudei para Londres, em 1994, a fui morar na zona norte da cidade, a Linha Norte do metrô era conhecida como a "linha miserável". A orientação era sempre pegar o primeiro trem e trocar onde fosse necessário porque o próximo poderia não chegar.
A julgar pelos problemas para chegar ao aeroporto na segunda-feira, teria sido melhor pegar o primeiro trem e trocar mais à frente, o que é sempre um incômodo para quem carrega malas.
Mais de duas horas de viagem, com uma parada inesperada, encurtando o trajeto do trem e simplesmente mandando desembarcar passageiros que esperaram o trem para Heathrow para não ter de ficar carregando bagagens, é um abuso intolerável para um país que um dia se orgulhou de sua pontualidade.
Com este sistema de trens e metrô, Londres pode ter concluído os estádios e regenerado áreas da cidade como Hackney. Mas os trens não chegam até lá na hora. E se não chegarem ao aeroporto, o avião não espera.
Diante da crise econômica, que obrigou o governo britânico a cortar 83 bilhões de libras, cerca de R$ 240 bilhões em gastos públicos nos próximos quatro anos, a expectativa é de anos de crescimento medíocre e investimento público escasso.
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