Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Desemprego nos EUA chega a 5,7%
A maior economia do mundo destruiu mais 51 mil empregos fora do setor rural em julho, elevando a taxa de desemprego para 5,7% da população em idade de trabalhar. É o maior índice em quatro anos.
Carniceiro da Bósnia enfrenta Justiça
O Carniceiro da Bósnia-Herzegovina, Radovan Karadzic, foi extraditado na madrugada da quinta-feira, 30 de julho, para Haia, na Holanda, onde será processado pelo Tribunal Especial das Nações Unidas para Crimes de Guerra na Antiga Iugoslávia por genocídio e crimes contra a humanidade.
Karadzic era o líder sérvio na Bósnia quando esta república iugoslava declarou independência, em março de 1992, seguindo o exemplo da Croácia e da Eslovênia. Com o apoio do Exército Federal da Iugoslávia, dominado pelos sérvios, comandou a resistência sérvia contra a independência da Bósnia.
A capital da república, Sarajevo, foi cercada e bombardeada durante três anos e quatro meses. Foram os piores ataques contra uma capital européia desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Franco-atiradores instalados em posições sérvias alvejavam tudo o que se mexia.
O poeta e médico psiquiatra Radovan Karazic, que um dia rejeitou o comunismo e o nacionalismo, se converteu em símbolo do ultranacionalismo sérvio. Esse nacionalismo extremado deflagrou a Primeira Guerra Mundial, quando o estudante radical Gavrilo Princip matou o herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, arquiduque Francisco Ferdinando, na mesma Sarajevo, em 28 de junho de 1914, e destruiu a antiga Iugoslávia numa série de guerras, a partir de 1991.
No segundo turno da última eleição presidencial, o Partido Radical Sérvio teve 48%. Mas a vitória foi do europeísta Boris Tadic, que quer associar a Sérvia à União Européia.
Antes do segundo turno, a Europa ofereceu um acordo prévio para dar apoio ao projeto europeu de Tadic. Ele estava condicionado a maior cooperação do governo democrático da Sérvia com o tribunal especial da ONU para a antiga Iugoslávia.
Assim que assumiu o controle dos serviços secretos, Tadic localizou Karadzic. De barba e cabelos compridos brancos, o Carrasco da Bósnia levou durante 12 anos uma vida paralela.
Depois de se fantasiar de sacerdote da Igreja Ortodoxa, voltou a ser médico. Trabalhava numa clínica de terapias naturais em Belgrado com a identidade de Dragan Dabic. Chegou a assinar artigos acadêmicos com esse nome.
No dia 21 de julho, teria sido identificado e preso dentro de um ônibus. O processo de extradição na Sérvia foi rápido, apesar dos violentos protestos da terça-feira, 29 de julho, quando radicais sérvios enfrentaram a polícia nas ruas de Belgrado.
Em Haia, o tribunal especial da ONU não quer repetir o erro cometido no julgamento do ex-líder comunista, ex-presidente da Iugoslávia e da Sérvia Slobodan Milosevic, o Carniceiro dos Bálcãs, maior responsável pelas guerras que destruíram a Iugoslávia, que morreu do coração antes de ser condenado.
O procurador do tribunal declarou que a prisão da Karadzic significa que “não há refúgio seguro para criminosos de guerra”. Ele agora espera a prisão em breve do general Ratko Mladic, o comandante militar sérvio na Bósnia, que comandou pessoalmente o massacre de Srebrenica.
A denúncia contra Karadzic vai se concentrar no cerco de Sarajevo, que durou 40 meses e causou 11 mil mortes, e no massacre de Srebrenica, uma cidade sob a proteção da ONU onde 8 mil homens adultos e jovens foram mortos depois que os sérvios conquistaram a cidade, em 11 de julho de 1995. Foram o pior massacre na Europa depois da Segunda Guerra Mundial e a capital européia mais atacada desde 1945.
Karadzic era o líder sérvio na Bósnia quando esta república iugoslava declarou independência, em março de 1992, seguindo o exemplo da Croácia e da Eslovênia. Com o apoio do Exército Federal da Iugoslávia, dominado pelos sérvios, comandou a resistência sérvia contra a independência da Bósnia.
A capital da república, Sarajevo, foi cercada e bombardeada durante três anos e quatro meses. Foram os piores ataques contra uma capital européia desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Franco-atiradores instalados em posições sérvias alvejavam tudo o que se mexia.
O poeta e médico psiquiatra Radovan Karazic, que um dia rejeitou o comunismo e o nacionalismo, se converteu em símbolo do ultranacionalismo sérvio. Esse nacionalismo extremado deflagrou a Primeira Guerra Mundial, quando o estudante radical Gavrilo Princip matou o herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, arquiduque Francisco Ferdinando, na mesma Sarajevo, em 28 de junho de 1914, e destruiu a antiga Iugoslávia numa série de guerras, a partir de 1991.
No segundo turno da última eleição presidencial, o Partido Radical Sérvio teve 48%. Mas a vitória foi do europeísta Boris Tadic, que quer associar a Sérvia à União Européia.
Antes do segundo turno, a Europa ofereceu um acordo prévio para dar apoio ao projeto europeu de Tadic. Ele estava condicionado a maior cooperação do governo democrático da Sérvia com o tribunal especial da ONU para a antiga Iugoslávia.
Assim que assumiu o controle dos serviços secretos, Tadic localizou Karadzic. De barba e cabelos compridos brancos, o Carrasco da Bósnia levou durante 12 anos uma vida paralela.
Depois de se fantasiar de sacerdote da Igreja Ortodoxa, voltou a ser médico. Trabalhava numa clínica de terapias naturais em Belgrado com a identidade de Dragan Dabic. Chegou a assinar artigos acadêmicos com esse nome.
No dia 21 de julho, teria sido identificado e preso dentro de um ônibus. O processo de extradição na Sérvia foi rápido, apesar dos violentos protestos da terça-feira, 29 de julho, quando radicais sérvios enfrentaram a polícia nas ruas de Belgrado.
Em Haia, o tribunal especial da ONU não quer repetir o erro cometido no julgamento do ex-líder comunista, ex-presidente da Iugoslávia e da Sérvia Slobodan Milosevic, o Carniceiro dos Bálcãs, maior responsável pelas guerras que destruíram a Iugoslávia, que morreu do coração antes de ser condenado.
O procurador do tribunal declarou que a prisão da Karadzic significa que “não há refúgio seguro para criminosos de guerra”. Ele agora espera a prisão em breve do general Ratko Mladic, o comandante militar sérvio na Bósnia, que comandou pessoalmente o massacre de Srebrenica.
A denúncia contra Karadzic vai se concentrar no cerco de Sarajevo, que durou 40 meses e causou 11 mil mortes, e no massacre de Srebrenica, uma cidade sob a proteção da ONU onde 8 mil homens adultos e jovens foram mortos depois que os sérvios conquistaram a cidade, em 11 de julho de 1995. Foram o pior massacre na Europa depois da Segunda Guerra Mundial e a capital européia mais atacada desde 1945.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Chávez estatiza banco do grupo Santander
O presidente Hugo Chávez anunciou hoje a estatização do Banco da Venezuela, de propriedade do grupo espanhol Santander.
Chávez alegou que o governo quer comprar o banco por causa do nome para "colocá-lo a serviço da Venezuela, porque este banco tem grandes lucros. (...) Eles queriam vendê-lo para um empresário venezuelano, que pediu autorização porque é assim que a lei funciona aqui."
Como chefe de Estado, Chávez interveio e disse: "Vendam para o governo. Aí os donos disseram que não queriam mais vender. Eu disse que não. Quanto vale? Compraremos e vamos nacionalizar o Banco da Venezuela para colocá-lo a serviço dos venezuelanos".
Chávez alegou que o governo quer comprar o banco por causa do nome para "colocá-lo a serviço da Venezuela, porque este banco tem grandes lucros. (...) Eles queriam vendê-lo para um empresário venezuelano, que pediu autorização porque é assim que a lei funciona aqui."
Como chefe de Estado, Chávez interveio e disse: "Vendam para o governo. Aí os donos disseram que não queriam mais vender. Eu disse que não. Quanto vale? Compraremos e vamos nacionalizar o Banco da Venezuela para colocá-lo a serviço dos venezuelanos".
Karadzic é apresentado aos juízes em Haia
Ao ser apresentado aos juízes do Tribunal Especial das Nações Unidas para Crimes de Guerra na Antiga Iugoslávia, o líder sérvio da Bósnia-Herzegovina durante a guerra que destruiu o país nos anos 90, Radovan Karadzic, alegou ter feito um acerto com os Estados Unidos para sair de cena e não prejudicar o acordo de paz assinado em Dayton, em 1995.
Sem barba e de cabelos curtos, ele parecia o líder sérvio-bósnio da guerra de 1992-95 e não Dragan Dabic, a falsa identidade que assumiu nos quase 13 anos em que esteve foragido. Ao contrário de seu mentor, o ex-presidente iugoslavo e sérvio Slobodan Milosevic, Radovan Karadzic não contestou a autoridade do tribunal.
O juiz Alphons Orie confirmou a identidade e descreveu Karadzic como responsável, na condição de presidente da República Sérvia na Bósnia de 17 de dezembro de 1992 a 19 de julho de 1996, pelas Forças Armadas, pelos grupos paramilitares e pela polícia, comunicando que ele foi denunciado por 11 acusações: de genocídio, de cumplicidade com o genocídio, cinco acusações de crimes contra a humanidade e quatro de crimes de guerra.
Karadzic alegou então ter feito um acerto com o negociador americano Richard Holbrooke, cotado para ser secretário de Estado, se o senador Barack Obama for eleito presidente dos Estados Unidos em 4 de novembro. Ele sairia de cena para não prejudicar a implementação do acordo de paz assinado em Dayton, nos EUA, em novembro de 1995 pelos presidentes da Bósnia-Herzegovina, Alija Izetbegovic; da Croácia, Franjo Tudjman; e da Sérvia, Slobodan Milosevic.
Depois de dizer que Karadzic pode apresentar suas alegações formalmente ao tribunal, o juiz Orie encerrou a sessão e convocou a próxima audiência do processo para 29 de agosto, quando Karadzic deverá declarar se é culpado ou inocente.
Sem barba e de cabelos curtos, ele parecia o líder sérvio-bósnio da guerra de 1992-95 e não Dragan Dabic, a falsa identidade que assumiu nos quase 13 anos em que esteve foragido. Ao contrário de seu mentor, o ex-presidente iugoslavo e sérvio Slobodan Milosevic, Radovan Karadzic não contestou a autoridade do tribunal.
O juiz Alphons Orie confirmou a identidade e descreveu Karadzic como responsável, na condição de presidente da República Sérvia na Bósnia de 17 de dezembro de 1992 a 19 de julho de 1996, pelas Forças Armadas, pelos grupos paramilitares e pela polícia, comunicando que ele foi denunciado por 11 acusações: de genocídio, de cumplicidade com o genocídio, cinco acusações de crimes contra a humanidade e quatro de crimes de guerra.
Karadzic alegou então ter feito um acerto com o negociador americano Richard Holbrooke, cotado para ser secretário de Estado, se o senador Barack Obama for eleito presidente dos Estados Unidos em 4 de novembro. Ele sairia de cena para não prejudicar a implementação do acordo de paz assinado em Dayton, nos EUA, em novembro de 1995 pelos presidentes da Bósnia-Herzegovina, Alija Izetbegovic; da Croácia, Franjo Tudjman; e da Sérvia, Slobodan Milosevic.
Depois de dizer que Karadzic pode apresentar suas alegações formalmente ao tribunal, o juiz Orie encerrou a sessão e convocou a próxima audiência do processo para 29 de agosto, quando Karadzic deverá declarar se é culpado ou inocente.
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Economia dos EUA cresce a taxa de 1,9% ao ano
Em mais um indicador de que está driblando a recessão, a economia dos Estados Unidos cresceu a uma taxa de 1,9% no segundo trimestre do ano.
Human Rights Watch denuncia facções palestinas
A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch acusou ontem os dois maiores partidos palestinos, o Movimento de Resistência Islâmica, o Hamas, e a Fatah do presidente palestino Mahmoud Abbas, de abusarem dos direitos humanos com prisões arbitrárias e tortura no conflito interno palestino.
Na luta armada entre o Hamas e a Fatah, como o que terminou com a vitória dos islamitas na Faixa de Gaza, em junho do ano passado, os maus-tratos, tortura e privação dos direitos dos inimigos presos é a regra, denunciou o relatório da organização não-governamental, divulgado hoje em Jerusalém.
"Em muitos casos, descobrimos abusos na prisão, especialmente durante o interrogatório", declarou Joe Stork, subdiretor da HRW para o Oriente Médio e o Norte da África. "Descobrimos vários casos de tortura. Descobrimos que três pessoas morreram sob tortura em Gaza. Descobrimos pelo menos um caso de morte sob tortura na Cisjordânia".
Os presos são submetidos rotineiramente a espancamento e execuções simuladas. As prisões por motivos políticos, sem acusação formal nem processo-crime, são comuns, uma maneira de semear o terror entre o inimigo.
Na luta armada entre o Hamas e a Fatah, como o que terminou com a vitória dos islamitas na Faixa de Gaza, em junho do ano passado, os maus-tratos, tortura e privação dos direitos dos inimigos presos é a regra, denunciou o relatório da organização não-governamental, divulgado hoje em Jerusalém.
"Em muitos casos, descobrimos abusos na prisão, especialmente durante o interrogatório", declarou Joe Stork, subdiretor da HRW para o Oriente Médio e o Norte da África. "Descobrimos vários casos de tortura. Descobrimos que três pessoas morreram sob tortura em Gaza. Descobrimos pelo menos um caso de morte sob tortura na Cisjordânia".
Os presos são submetidos rotineiramente a espancamento e execuções simuladas. As prisões por motivos políticos, sem acusação formal nem processo-crime, são comuns, uma maneira de semear o terror entre o inimigo.
Calota polar ártica tem maior ruptura em três anos
Na maior ruptura da calota polar ártica nos últimos três anos, dois grandes icebergs que têm somados 20 quilômetros quadrados se desprenderam, anunciaram ontem autoridades do Canadá.
"O primeiro se quebrou no dia 22 de julho e o segundo em 23 ou 24", declarou Luc Desjardins, especialista em icebergs do Serviço de Geleiras do Canadá.
"O primeiro se quebrou no dia 22 de julho e o segundo em 23 ou 24", declarou Luc Desjardins, especialista em icebergs do Serviço de Geleiras do Canadá.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Olmert marca renúncia para setembro
Depois de meses de pressão sob acusações de corrupção, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, anunciou hoje que deixa o cargo em setembro, depois da eleição de um novo líder para seu partido Kadima (Avante).
Olmert foi prefeito de Jerusalém. Era vice-primeiro-ministro de Ariel Sharon quando o primeiro-ministro teve um acidente vascular cerebral que o deixou em coma e inconsciente até hoje, vivendo ligado a aparelhos. Herdou de Sharon a chefia do partido Kadima e do governo.
O Kadima (Avante) foi a herança política de Sharon, um linha-dura que no final da vida, como comandante militar, percebeu que há um momento para conquistar a paz. Em 2005 rompeu com a coligação direitista Likud e formou um partido para avançar na direção da paz dentro da fórmula de criação de dois Estados Nacionais independentes, um árabe e um judaico, no território histórico da Palestina.
Sharon sonhava em morrer depois de consolidar as fronteiras de Israel. Para isso, é necessária a paz.
Seu sucessor, Olmert, se elegeu com uma bancada do Kadima aquém do esperado: 28 deputados na Knesset, de 120 cadeiras. Para formar o governo, aliou-se ao Partido Trabalhista, de esquerda. É o partido que fundou Israel, de David Ben Gurion, dos kibbutzim e da central sindical Histadrut.
Na época, o líder era Amir Peretz, um dirigente sindical sem experiência militar. Como grande aliado, foi nomeado ministro da Defesa. Teve atuação desastrosa durante a fracassada ofensiva de 34 dias no Líbano contra a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), que abalou o governo Olmert desde o início.
Os inimigos árabes ainda têm medo e respeitam Israel. Mas o Hesbolá se gaba de ter acabado com o mito de invencibilidade israelense. Morreram cerca de 150 israeleses e 1,2 mil libaneses, mas uma força irregular muito menor e bem infiltrada na sociedade conseguiu resistir à mais poderosa máquina militar do Oriente Médio.
Em 2007, Peretz perdeu a liderança trabalhista para o ex-primeiro-ministro Ehud Barak.
Depois, vieram os escândalos de corrupção. Olmert foi acusado de receber US$ 140 mil de um empresário americano, Morris Talansky. O primeiro-ministro demissionário alega que era dinheiro para a campanha, mas Talansky garante que foi usado para despesas pessoais de Olmert.
Com a impopularidade do governo, no momento, as pesquisas dão vantagem ao ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do partido Likud, cada vez mais à direita, refratário ao processo de paz. Mantém a tática usada durante muito tempo por Sharon e outros falcões israelenses: fingir que está negociando para ganhar tempo e consolidar a ocupação.
Isso não impede que o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa Ehud Barak tenha orientado os deputados trabalhistas a derrubar o governo e provocar a antecipação das eleições, que não precisam ser realizadas até 2010, se alguém conseguir articular uma coalizão capaz de ter maioria para governar.
A favorita no Kadima é a ministra do Exterior, Tzipi Livni. Também são candidatos em potencial e o ex-ministro da Defesa e atual ministro dos Transporte, Shaul Mofaz, um linha-dura; o ministro do Interior, Meir Shitreet; e o da Segurança Interna, Avi Dichter.
Alguns analistas suspeitam que Olmert, ao anunciar a renúncia com antecedência e data marcada, a eleição de um novo líder do Kadima, dando-se aviso prévio, estaria na verdade blefando.
Se o novo líder do partido não conseguir formar um governo, ele permanece como primeiro-ministro interino. Isto pode lhe garantir uma sobrevida política de muitos meses em que poderia se dedicar, por exemplo, à paz com os palestinos, algo capaz de deixar uma marca positiva de seu governo para a História.
Olmert foi prefeito de Jerusalém. Era vice-primeiro-ministro de Ariel Sharon quando o primeiro-ministro teve um acidente vascular cerebral que o deixou em coma e inconsciente até hoje, vivendo ligado a aparelhos. Herdou de Sharon a chefia do partido Kadima e do governo.
O Kadima (Avante) foi a herança política de Sharon, um linha-dura que no final da vida, como comandante militar, percebeu que há um momento para conquistar a paz. Em 2005 rompeu com a coligação direitista Likud e formou um partido para avançar na direção da paz dentro da fórmula de criação de dois Estados Nacionais independentes, um árabe e um judaico, no território histórico da Palestina.
Sharon sonhava em morrer depois de consolidar as fronteiras de Israel. Para isso, é necessária a paz.
Seu sucessor, Olmert, se elegeu com uma bancada do Kadima aquém do esperado: 28 deputados na Knesset, de 120 cadeiras. Para formar o governo, aliou-se ao Partido Trabalhista, de esquerda. É o partido que fundou Israel, de David Ben Gurion, dos kibbutzim e da central sindical Histadrut.
Na época, o líder era Amir Peretz, um dirigente sindical sem experiência militar. Como grande aliado, foi nomeado ministro da Defesa. Teve atuação desastrosa durante a fracassada ofensiva de 34 dias no Líbano contra a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), que abalou o governo Olmert desde o início.
Os inimigos árabes ainda têm medo e respeitam Israel. Mas o Hesbolá se gaba de ter acabado com o mito de invencibilidade israelense. Morreram cerca de 150 israeleses e 1,2 mil libaneses, mas uma força irregular muito menor e bem infiltrada na sociedade conseguiu resistir à mais poderosa máquina militar do Oriente Médio.
Em 2007, Peretz perdeu a liderança trabalhista para o ex-primeiro-ministro Ehud Barak.
Depois, vieram os escândalos de corrupção. Olmert foi acusado de receber US$ 140 mil de um empresário americano, Morris Talansky. O primeiro-ministro demissionário alega que era dinheiro para a campanha, mas Talansky garante que foi usado para despesas pessoais de Olmert.
Com a impopularidade do governo, no momento, as pesquisas dão vantagem ao ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do partido Likud, cada vez mais à direita, refratário ao processo de paz. Mantém a tática usada durante muito tempo por Sharon e outros falcões israelenses: fingir que está negociando para ganhar tempo e consolidar a ocupação.
Isso não impede que o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa Ehud Barak tenha orientado os deputados trabalhistas a derrubar o governo e provocar a antecipação das eleições, que não precisam ser realizadas até 2010, se alguém conseguir articular uma coalizão capaz de ter maioria para governar.
A favorita no Kadima é a ministra do Exterior, Tzipi Livni. Também são candidatos em potencial e o ex-ministro da Defesa e atual ministro dos Transporte, Shaul Mofaz, um linha-dura; o ministro do Interior, Meir Shitreet; e o da Segurança Interna, Avi Dichter.
Alguns analistas suspeitam que Olmert, ao anunciar a renúncia com antecedência e data marcada, a eleição de um novo líder do Kadima, dando-se aviso prévio, estaria na verdade blefando.
Se o novo líder do partido não conseguir formar um governo, ele permanece como primeiro-ministro interino. Isto pode lhe garantir uma sobrevida política de muitos meses em que poderia se dedicar, por exemplo, à paz com os palestinos, algo capaz de deixar uma marca positiva de seu governo para a História.
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terça-feira, 29 de julho de 2008
Carniceiro da Bósnia é extraditado para Haia
O líder da rebelião dos sérvios da Bósnia-Herzegovina contra a independência desta república iugoslava, Radovan Karadzic, foi extraditado esta noite para Haia, na Holanda, onde será processado por genocídio e crimes contra a humanidade pelo Tribunal Especial das Nações Unidas para Crimes de Guerra na Antiga Iugoslávia.
Ele já chegou a Roterdã, de onde será levado para o tribunal, em Haia, de onde provavelmente nunca mais vai sair, sendo condenado à prisão perpétua.
A maior preocupação do tribunal é não cometer de novo o erro ocorrido com Slobodan Milosevic, o ex-presidente da Iugoslávia e da Sérvia, que morreu do coração em Haia antes de ser julgado.
O processo contra Karadzic deve ser mais conciso, concentrando-se na sua responsabilidade em dois acontecimentos centrais na guerra da Bósnia-Herzegovina, a pior de todas as guerras que destruíram a Iugoslávia.
Karadzic será denunciado pelo cerco de Sarajevo, que começou no início da guerra, em 1992, e foi até o fim, em 1995, num total de 40 meses, provocando 11 mil mortes, e pelo massacre de Srebrenica, onde 8 mil homens adultos e jovens foram exterminados pelas forças sérvias que tomaram a cidade em 11 de julho de 1995, sob o comando do general Ratko Mladic, que continua foragido.
Ele já chegou a Roterdã, de onde será levado para o tribunal, em Haia, de onde provavelmente nunca mais vai sair, sendo condenado à prisão perpétua.
A maior preocupação do tribunal é não cometer de novo o erro ocorrido com Slobodan Milosevic, o ex-presidente da Iugoslávia e da Sérvia, que morreu do coração em Haia antes de ser julgado.
O processo contra Karadzic deve ser mais conciso, concentrando-se na sua responsabilidade em dois acontecimentos centrais na guerra da Bósnia-Herzegovina, a pior de todas as guerras que destruíram a Iugoslávia.
Karadzic será denunciado pelo cerco de Sarajevo, que começou no início da guerra, em 1992, e foi até o fim, em 1995, num total de 40 meses, provocando 11 mil mortes, e pelo massacre de Srebrenica, onde 8 mil homens adultos e jovens foram exterminados pelas forças sérvias que tomaram a cidade em 11 de julho de 1995, sob o comando do general Ratko Mladic, que continua foragido.
Preço de casas cai 15,8% em um ano nos EUA
Os preços das moradias nos Estados Unidos sofreram uma queda sem precedentes de, na média, 15,8% nos 12 meses até maio.
Entre 20 grandes cidades pesquisadas, todas apresentaram declínio nos preços das casas, de 28,4% em Las Vegas até 0,2% em Charlotte, na Carolina do Norte.
A maioria dos economistas já acredita que a recessão no setor habitacional do mercado imobiliário vai durar até o próximo ano, com novas quedas de preço pela frente.
Entre 20 grandes cidades pesquisadas, todas apresentaram declínio nos preços das casas, de 28,4% em Las Vegas até 0,2% em Charlotte, na Carolina do Norte.
A maioria dos economistas já acredita que a recessão no setor habitacional do mercado imobiliário vai durar até o próximo ano, com novas quedas de preço pela frente.
Nacionalistas enfrentam polícia sérvia em Belgrado
Extremistas sérvios enfrentaram a polícia hoje nas ruas de Belgrado. Eles protestavam contra a prisão e extradição do líder sérvio na Bósnia-Herzegovina durante a guerra na ex-república iugoslava, Radovan Karadzic.
Karadzic seria enviado mais tarde para Haia, na Holanda, por responder por genocídio e crimes contra a humanidade no Tribunal Especial das Nações Unidas para Crimes de Guerra na Antiga Iugoslávia.
Karadzic seria enviado mais tarde para Haia, na Holanda, por responder por genocídio e crimes contra a humanidade no Tribunal Especial das Nações Unidas para Crimes de Guerra na Antiga Iugoslávia.
Anistia acusa China de descumprir promessa
A dez dias do início da Olimpíada de Beijim, a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional acusou o regime comunista da China de não cumprir a promessa de melhorar a situação dos direitos humanos, feita quando o país se candidatou a sede dos jogos olímpicos.
Negociações da Rodada Doha fracassam
Diante da insistência da China e da Índia para criação de salvaguardas contra um grande aumento nas importações de alimentos, e da negativa dos Estados Unidos de reabrir a negociação, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, anunciou hoje o fracasso da tentativa de salvar a Rodada Doha.
Um dos mais decepcionados foi o ministro das Relações Exteriores, embaixador Celso Amorim, que apostou todas as suas fichas no sucesso das negociações da OMC, na redução do protecionismo agrícola, o que facilitaria as negociações com parceiros comerciais poderosos como os EUA e a União Européia.
A novidade destas negociações é que agora as grandes potências emergentes - China, Índia e Brasil - fazem parte do pequeno grupo que participa das decisões. Na Rodada Uruguai (1986-94), eram apenas quatro: EUA, UE, Canadá e Japão.
A OMC tem 153 países-membros e opera por consenso. Na prática, um grupo de sete países - EUA, Europa, Japão, Austrália, Brasil, China e Índia - conduziu as negociações dos últimos nove dias em Genebra, na Suíça.
É o sinal de uma mudança estrutural no equilíbrio de forças da economia mundial, com a ascensão de grandes potências emergentes.
Um dos mais decepcionados foi o ministro das Relações Exteriores, embaixador Celso Amorim, que apostou todas as suas fichas no sucesso das negociações da OMC, na redução do protecionismo agrícola, o que facilitaria as negociações com parceiros comerciais poderosos como os EUA e a União Européia.
A novidade destas negociações é que agora as grandes potências emergentes - China, Índia e Brasil - fazem parte do pequeno grupo que participa das decisões. Na Rodada Uruguai (1986-94), eram apenas quatro: EUA, UE, Canadá e Japão.
A OMC tem 153 países-membros e opera por consenso. Na prática, um grupo de sete países - EUA, Europa, Japão, Austrália, Brasil, China e Índia - conduziu as negociações dos últimos nove dias em Genebra, na Suíça.
É o sinal de uma mudança estrutural no equilíbrio de forças da economia mundial, com a ascensão de grandes potências emergentes.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Obama abre nove pontos de vantagem
No embalo de sua bem-sucedida viagem à Europa e à Ásia, o senador Barack Obama, candidato do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos, ampliou sua vantagem sobre o candidato do Partido Republicano, senador John McCain, na corrida à Casa Branca.
Uma pesquisa divulgada hoje dá vantagem de 49% a 41% para o senador por Illinois sobre seu colega do Arizona.
Uma pesquisa divulgada hoje dá vantagem de 49% a 41% para o senador por Illinois sobre seu colega do Arizona.
Praça vira grande quadro de Kandinsky
Uma praça de uma pequena cidade da Alemanha está sendo transformada numa obra de arte gigantesca: a maior reprodução de um quadro do pintor russo Vassili Kandinsky, um dos maiores abstracionistas do século 20.
Em 1909, Kandinsky pintou a Marienplatz de Weilheim, no Sul da Baviera. Quase cem anos depois, o arquiteto Florian Lechner descobriu a existência do quadro quando ele foi posto a venda por uma casa de leilões de obras de arte.
Nascia o projeto Um Kandinsky para Weilheim. Lechner colocou a imagem do quadro num computador, mediu a praça, contou suas lajotas e reduziu as cores do quadro a 39 tons.
A partir daí, pessoas de todas as idades, sendo cerca de 600 estudantes, estão pintando o quadro nos 2,1 mil metros quadrados da Marienplatz. O Kandinsky de Weilheim será entregue ao público no sábado, 2 de agosto.
Em 1909, Kandinsky pintou a Marienplatz de Weilheim, no Sul da Baviera. Quase cem anos depois, o arquiteto Florian Lechner descobriu a existência do quadro quando ele foi posto a venda por uma casa de leilões de obras de arte.
Nascia o projeto Um Kandinsky para Weilheim. Lechner colocou a imagem do quadro num computador, mediu a praça, contou suas lajotas e reduziu as cores do quadro a 39 tons.
A partir daí, pessoas de todas as idades, sendo cerca de 600 estudantes, estão pintando o quadro nos 2,1 mil metros quadrados da Marienplatz. O Kandinsky de Weilheim será entregue ao público no sábado, 2 de agosto.
Atentados matam pelo menos 61 e ferem outros 238 no Iraque
Em um dos dias mais violentos deste ano no Iraque, três mulheres-bomba se detonaram em Bagdá, matando pelo menos 32 pessoas e ferindo outras 64. O alvo foi uma peregrinação de xiitas ao santuário em homenagem ao imã Mussa al-Cadim, no bairro de Cadímia.
Outra terrorista suicida atacava em Kirkuk, na região curda do Norte do país, matando pelo menos 17 manifestantes e ferindo outras 47 pessoas.
Na confusão, os curdos em fuga atacaram e incendiaram a representação da Turquia em Kirkuk. A polícia reagiu e atirou contra a multidão, matando pelo menos 12 pessoas e ferindo outras 127.
Outra terrorista suicida atacava em Kirkuk, na região curda do Norte do país, matando pelo menos 17 manifestantes e ferindo outras 47 pessoas.
Na confusão, os curdos em fuga atacaram e incendiaram a representação da Turquia em Kirkuk. A polícia reagiu e atirou contra a multidão, matando pelo menos 12 pessoas e ferindo outras 127.
domingo, 27 de julho de 2008
Duas explosões matam 17 pessoas em Istambul
Primeiro, explodiu uma bomba de percussão, que faz muito barulho mas não causa grandes danos. O estouro atraiu muita gente. Os curiosos queriam entender o que estava acontecendo. Aí, veio a segunda explosão do atentado terrorista desde domingo em Istambul, a maior cidade da Turquia.
Pelo menos 17 pessoas morreram e outras 70 pessoas ficaram feridas.
Na segunda-feira, o Supremo Tribunal iniciou um processo contra o governista Partido da Justiça e do Desenvolvimento, acusando-o de minar as bases secularistas da república turca. Mas o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan atribuiu o atentado aos rebeldes que lutam pela independência do Curdistão e ordenou o bombardeio de acampamentos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no Norte do Iraque.
Pelo menos 17 pessoas morreram e outras 70 pessoas ficaram feridas.
Na segunda-feira, o Supremo Tribunal iniciou um processo contra o governista Partido da Justiça e do Desenvolvimento, acusando-o de minar as bases secularistas da república turca. Mas o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan atribuiu o atentado aos rebeldes que lutam pela independência do Curdistão e ordenou o bombardeio de acampamentos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no Norte do Iraque.
Senado dos EUA aprova lei imobiliária
Em uma rara votação num sábado, o Senado dos Estados Unidos aprovou uma lei para enfrentar a crise do mercado de crédito hipotecário, dando amplos poderes ao Tesouro para intervir nas duas grandes empresas do setor, Freddie Mac e Fannie Mae, e destinando US$ 3,9 bilhões para ajudar os 740 mil mutuários sob risco de perder a casa própria.
Freddie Mac e Fannie Mae não dão financiamento aos compradores de casas. Dá garantias de crédito e empresta dinheiro às instituições financeiras que negociam com os tomadores de empréstimos. São responsáveis pela metade dos financiamentos para compra de residências nos EUA, cerca de US$ 6 trilhões.
Ao assumir a responsabilidade pelas empresas, o Tesouro eleva a dívida pública nominal dos EUA para US$ 10,6 trilhões. Mas a maioria dos analistas entende que é melhor do que ficar buscando uma solução de mercado.
A solução de mercado seria a falência das duas megaempresas. Se elas são grandes demais para falir, é melhor que o Estado intervenha logo, reduza as perdas, perserve os ativos das duas empresas e o mercado de crédito hipotecário, enquanto reexamina o marco regulatório para o setor habitacional.
Freddie Mac e Fannie Mae não dão financiamento aos compradores de casas. Dá garantias de crédito e empresta dinheiro às instituições financeiras que negociam com os tomadores de empréstimos. São responsáveis pela metade dos financiamentos para compra de residências nos EUA, cerca de US$ 6 trilhões.
Ao assumir a responsabilidade pelas empresas, o Tesouro eleva a dívida pública nominal dos EUA para US$ 10,6 trilhões. Mas a maioria dos analistas entende que é melhor do que ficar buscando uma solução de mercado.
A solução de mercado seria a falência das duas megaempresas. Se elas são grandes demais para falir, é melhor que o Estado intervenha logo, reduza as perdas, perserve os ativos das duas empresas e o mercado de crédito hipotecário, enquanto reexamina o marco regulatório para o setor habitacional.
Obama defende relação especial com Reino Unido
No final de sua primeira viagem ao exterior como candidato da oposição à Presidência dos Estados Unidos, o senador Barack Obama defendeu a reconstrução da chamada relação especial entre os EUA e o Reino Unido.
Essa relação especial foi abalada pela decisão do presidente George Walker Bush de invadir o Iraque sem a aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas e da opinião pública britânica e européia, que sempre foi contra a guerra.
Obama viajou ao exterior para reafirmar suas credencias como comandante-em-chefe do país mais rico e poderoso do mundo e como um estadista capaz de representar este país internacionalmente.
Foi ao Kuwait, ao Afeganistão e ao Iraque para se apresentar como um comandante-em-chefe capaz de entender a complexidade desses países e das guerras em que os EUA estão envolvidos. Passou em Israel para reafirmar o compromisso com o maior aliado dos EUA no Oriente Médio.
Em Berlim, Paris, e Londres, Obama trabalhou na reconstrução da imagem e da aliança dos EUA com a Europa. A aliança transatlântica foi uma das bases da ordem internacional pós-1945.
Ao invadir o Iraque sem a autorização da ONU, Bush tirou a legitimidade dos EUA como líder de uma ordem internacional baseada no direito, o que é muito importante para os europeus, depois de duas guerras mundiais que destronaram a Europa como centro do mundo.
O então primeiro-ministro britânico Tony Blair, que havia se aliado incondicionalmente aos EUA na luta contra o terrorismo já em 11 de setembro de 2001, pagou com sua própria carreira política pela lealdade à chamada relação especial.
Essa relação sempre tinha sido especial para o Reino Unido, como potência mundial declinante, e nem tanto para a ex-colônia que se tornou o país mais poderoso do planeta. Os atentados de 11/9 mostraram que os EUA tinham um aliado confiável do outro lado do Atlântico Norte. Mas a opinião pública nunca aceitou uma guerra ilegal e ilegítima.
Essa relação especial foi abalada pela decisão do presidente George Walker Bush de invadir o Iraque sem a aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas e da opinião pública britânica e européia, que sempre foi contra a guerra.
Obama viajou ao exterior para reafirmar suas credencias como comandante-em-chefe do país mais rico e poderoso do mundo e como um estadista capaz de representar este país internacionalmente.
Foi ao Kuwait, ao Afeganistão e ao Iraque para se apresentar como um comandante-em-chefe capaz de entender a complexidade desses países e das guerras em que os EUA estão envolvidos. Passou em Israel para reafirmar o compromisso com o maior aliado dos EUA no Oriente Médio.
Em Berlim, Paris, e Londres, Obama trabalhou na reconstrução da imagem e da aliança dos EUA com a Europa. A aliança transatlântica foi uma das bases da ordem internacional pós-1945.
Ao invadir o Iraque sem a autorização da ONU, Bush tirou a legitimidade dos EUA como líder de uma ordem internacional baseada no direito, o que é muito importante para os europeus, depois de duas guerras mundiais que destronaram a Europa como centro do mundo.
O então primeiro-ministro britânico Tony Blair, que havia se aliado incondicionalmente aos EUA na luta contra o terrorismo já em 11 de setembro de 2001, pagou com sua própria carreira política pela lealdade à chamada relação especial.
Essa relação sempre tinha sido especial para o Reino Unido, como potência mundial declinante, e nem tanto para a ex-colônia que se tornou o país mais poderoso do planeta. Os atentados de 11/9 mostraram que os EUA tinham um aliado confiável do outro lado do Atlântico Norte. Mas a opinião pública nunca aceitou uma guerra ilegal e ilegítima.
sábado, 26 de julho de 2008
Série de explosões mata pelo menos 38 na Índia
Uma série de 17 explosões numa área com raio de 10 quilômetros da cidade de Ahmedabade, no estado de Gujarat, na Índia, matou pelo menos 49 pessoas neste sábado e deixou outras 70 feridas.
A principal suspeita recai sobre extremistas muçulmanos. O estado de Gujarat é conhecido pela tensão entre diferentes grupos religiosos.
Um grupo terrorista até agora desconhecido, os Mujahedin da Índia, reivindicou a autoria dos atentados.
A principal suspeita recai sobre extremistas muçulmanos. O estado de Gujarat é conhecido pela tensão entre diferentes grupos religiosos.
Um grupo terrorista até agora desconhecido, os Mujahedin da Índia, reivindicou a autoria dos atentados.
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