quinta-feira, 23 de março de 2017

Polícia britânica identifica terrorista que atacou Parlamento Britânico

A polícia do Reino Unido identificou hoje como Khalid Masood, de 52 anos, nascido condado de Kent, na Inglaterra, revelou o jornal The Guardian

Masood era conhecido da Scotland Yard e dos serviços secretos, mas era considerado uma "figura periférica". O nome é diferente do apontado ontem por meios de comunicação de outros países europeus.

Hoje a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a responsabilidade pelo atentado, mas não apresentou qualquer prova.

Como em casos anteriores, Masood tinha várias passagens pela polícia sem qualquer ligação com fanatismo religioso. Foi condenado pela primeira vez em 1983 por "danos criminosos". A última vez foi em 2003 por posse de faca.

Isso mostra um padrão que se repete desde os atentados terroristas contra o jornal Charlie Hebdo, em 7 de janeiro de 2015, em Paris, na França. A maioria dos terroristas que atacaram a Europa era de marginais que haviam cometido pequenos delitos como agressões, roubos, assaltos e tráfico de drogas. Na cadeia, foram radicalizados. São marginais e não fanáticos religiosos. Usam o salafismo jihadista, uma ideologia assassina, para justificar seus crimes.

Estado Islâmico reivindica atentado terrorista em Londres

Através de sua agência de propaganda Amaq, a milícia extremista muçulmana Estado Islâmico do Iraque e do Levante tentou assumir hoje a responsabilidade pelo ataque terrorista de ontem na Ponte de Westminster e contra o Parlamento Britânico, em Londres, noticiou o jornal The Guardian. O total de mortos foi reduzido hoje para três, além do terrorista, com 40 sobreviventes feridos.

Em nota, a agência o chamou de "soldado do Estado Islâmico", sem dar detalhes sobre quais seriam suas ligações com o grupo nem qualquer prova de autoria.

A polícia britânica já identificou o terrorista morto, mas não revelou sua identidade para não prejudicar as investigações. A primeira-ministra Theresa May informou que ele era conhecido da polícia e dos serviços secretos do Reino Unido. Era considerado uma "figura periférica".

Oito pessoas foram presas hoje em operações de busca e apreensão em seis locais de Londres e Birmingham, a segunda maior cidade do país.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Total de mortos pelo terror em Londres sobe para 5 com 40 feridos

Mais uma pessoa morreu, elevando para cinco o total de mortos pelo ataque terrorista da tarde de hoje na Ponte de Westminster e no Parlamento Britânico. Outras 40 pessoas saíram feridas, revelou o último balanço comandante das operações anterrorismo da Polícia Metropolitana da Grande Londres.

A primeira-ministra Theresa May convocou para esta noite uma reunião de emergência do gabinete de crise e anunciou que amanhã o Parlamento se reúne normalmente. No fim da reunião de emergência, fez um pronunciamento.

"O lugar deste ataque não foi escolhido por acaso. É o coração da nossa capital, onde pessoas de todas as nacionalidades, religiões e culturas se reúnem para celebrar os valores da liberdade, da democracia e da liberdade de expressão. Estas ruas de Westminster - sede do Parlamento mais antigo do mundo - estão entranhadas pelo espírito de liberdade que ecoa pelos cantos mais distantes do globo.

"São os valores que nosso Parlamento representa - democracia, liberdade, direitos humanos e estado de direito - merecem o respeito e a admiração das pessoas livres em toda parte. Por isso, é um alvo para quem rejeita estes valores. Deixem-me dizer claramente hoje como disse antes: qualquer tentativa de derrotar estes valores pela violência e o terror está destinada ao fracasso", acrescentou a primeira-ministra.

Depois de afirmar que amanhã a vida volta ao normal, May concluiu: "Vamos avançar juntos, nunca cedendo ao terror. E nunca permitindo que as vozes do ódio e do medo nos dividam."

O terrorista foi descrito pela televisão francesa como um britânico de origem jamaicana convertido ao islamismo. O jornal italiano La Stampa, de Turim, disse que é Abu Izzadeen, um britânico de 42 anos.

A polícia britânica, a Scotland Yard, não confirma para não prejudicar as investigação. O policial morto foi identificado como Keith Palmer, de 48 anos, com 15 anos de serviço.

NOTA: No dia seguinte, a polícia britânica reduziu o número de mortos para três, além do terrorista.

Ataque terrorista fecha o Parlamento Britânico

Um carro atropelou pedestres intencionalmente na ponte de Westminster, um homem saiu do carro, esfaqueou um policial e foi morto por agentes a paisana hoje às 14h40 (11h40 em Brasília) na entrada do Parlamento Britânico, em Londres, informou a televisão pública britânica BBCO Palácio de Westminster e as ruas próximas foram fechados. A polícia está tratando o caso como terrorismo.

Pelo menos quatro pessoas morreram, inclusive o terrorista, o policial esfaquedo e uma mulher atropelada, e outras 20 pessoas foram feridas no atropelamento, algumas seriamente, declarou a Polícia Metropolitana de Londres. Uma mulher caiu no Rio Tâmisa. Foi resgatada com vida, mas está gravemente ferida. Vários corpos ficaram estendidos sobre a ponte, mostram imagens de helicóptero.

Depois de atropelar os pedestres na ponte, o terrorista teria jogado o carro contra uma barreira que protege a entrada do Parlamento, esfaqueado um policial e corrido rumo à entrada dos deputados. Dois agentes a paisana o mandaram parar. Como o terrorista não respondeu, foi baleado três vezes e morto.

A principal suspeita recai sobre extremistas muçulmanos motivados ou ligados à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. O grupo quer contra-atacar todos os países que estão acabando com o califado que seu líder Abu Baker al-Baghdadi proclamou há dois anos e nove meses em Mossul, no Iraque.

Com o apoio aéreo de uma coalizão de 65 países liderada pelos Estados Unidos da qual o Reino Unido faz parte, o Exército do Iraque e milícias aliadas está prestes a retomar Mossul, a segunda maior cidade do país. Na Síria, a capital do Estado Islâmico, Rakka, também está prestes a cair.

Como os veículos não são armas propriamente ditas, "são hoje as armas prediletas dos terroristas jihadistas", observou Paul Cruickshank, na rede de televisão americana CNN. Nos atentados de Nice, na França, em 14 de julho do ano passado, e contra uma feira de Natal em Berlim, na Alemanha, os terroristas usaram caminhões como arma para jogar contra a multidão.

O Reino Unido tem pouco menos de 3 milhões de muçulmanos. Milhares foram para a Síria e o Iraque lutar ao lado do Estado Islâmico. O mais notório era o João Jihadista, que apareceu nos primeiros vídeos de degolas de ocidentais. Pelo menos 400 voltaram para casa e são inimigos internos em potencial.

Em 7 de julho de 2005, quatro atentados contra o sistema de transportes da capital britânicas deixou 52 mortos.

terça-feira, 21 de março de 2017

Morre comandante do IRA que virou vice-primeiro-ministro

O ex-comandante militar do Exército Republicano Irlandês (IRA) e ex-vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte Martin McGuinness, um dos principais negociadores do Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa (1998), morreu hoje aos 66 anos.

McGuinness morreu em Londonderry, que o movimento nacionalista irlandês, católico e nacionalista liderado por ele chama de Derry, semanas depois de deixar a política por causa de uma doença rara chamada amiloidose, uma consequência do acúmulo anormal de proteína em órgãos e tecidos.

Ele era comandante do IRA em Londonderry em 30 de janeiro de 1972, quando o Exército Real britânico disparou contra uma manifestação de protesto de católicos em que temia a infiltração do IRA, matando 14 pessoas no Domingo Sangrento, num dos momentos mais difíceis da guerra civil na Irlanda do Norte.

Quando a República da Irlanda se tornou independente, em 1922, seis condados da província do Úlster, onde os protestantes favoráveis a permanecer no Reino Unido eram maioria, formaram a Irlanda do Norte, uma entidade que o IRA nunca reconhecer.

Para falar da região, McGuinness sempre usou a expressão "no Norte da Irlanda". Fazia parte da guerra retórica que começou a acabar com a Declaração de Downing Street, de 1993, quando os governos do Reino Unido e da Irlanda chegaram a um acordo para iniciar o processo de paz.

Em 1994, o IRA declarou um cessar-fogo suspenso em 9 de fevereiro de 1996 diante da estagnação das negociações. O Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa foi assinado em 9 de abril de 1998, dividindo o poder entre as duas comunidades. A formação do governo ainda levou alguns anos.

Martin McGuinness foi escolhido pelo Sinn Féin, o partido político do IRA, para ser seu representante governo semiautônomo da Irlanda do Norte. De 8 de maio de 2007 a 9 de janeiro de 2017, o ex-comandante militar do IRA foi vice-primeiro-ministro.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Reino Unido deflagra processo de divórcio da UE em 29 de março

O Reino Unido vai recorrer ao artigo 50 do Tratado de Lisboa em 29 de março de 2017, dando início ao processo de separação da União Europeia aprovado no plebiscito de 23 de junho de 2016, anunciou hoje um porta-voz da primeira-ministra britânica, Theresa May.

As negociações devem durar dois anos e levar à saída do Reino Unido do mercado comum europeu. Para continuar tendo acesso ao maior mercado consumidor do mundo, o país teria de aceitar a livre circulação de bens, mercadorias e pessoas. Uma das principais motivações dos eleitores que votaram para sair da UE foi acabar com a imigração.

O aviso foi entregue hoje de manhã pelo embaixador britânico na UE, Tim Barrow, no gabinete do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ex-primeiro-ministro da Polônia. A partir do dia 29, o bloco europeu terá um mês e meio para os outros 27 países-membros acertarem sua posição negociadora.

A expectativa agora é em torno do discurso em que May deve apresentar à Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico sua visão sobre as negociações do divórcio com a Europa.

As previsões econômicas mais pessimistas não se confirmaram. A economia britânica foi a que mais cresceu no Grupo dos Sete (maiores potências industriais, menos a China) e a libra se recuperou no fim de 2016. Hoje vale US$ 1,20 e 1,14 euros.

FBI confirma investigação sobre conluio de Trump com a Rússia

Em depoimento no Congresso, o diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, confirmou que está em curso uma investigação sobre tentativas da Rússia de interferir nas eleições americanas e os contatos da campanha do presidente Donald Trump com o Kremlin.

"O Departamento da Justiça me autorizou a divulgar que em nossa missão de inteligência está investigando a interferência da Rússia na eleição presidencial de 2016", afirmou James Comey diante da Comissão de Inteligência da Câmara. "Isto inclui a investigação da natureza de quaisquer ligações entre indivíduos associados à campanha de Trump e o governo russo, e se houve qualquer coordenação entre a campanha e os esforços da Rússia."

Tanto o diretor-geral do FBI quanto o da Agência de Segurança Nacional (NSA), Michael Rogers, negaram haver qualquer indício de que a Trump Tower, sede das empresas do atual presidente, tenha sido alvo de escuta telefônica clandestina ordenada pelo então presidente Barack Obama durante a campanha eleitoral. Trump acusou Obama no Twitter semanas atrás.

Enquanto eles falavam, Trump voltou ao Twitter para dizer exatamente o contrário: "A NSA e o FBI disseram ao Congresso que a Rússia não influenciou o processo eleitoral." Nada mais distante da realidade.

Desde o início da campanha, em suas críticas à política externa de Obama e à sua primeira secretária de Estado, Hillary Clinton, Trump criticou as relações com a Rússia, prometendo melhorá-las em seu governo. Isso estimulou o protoditador russo, Vladimir Putin, que faz campanha e guerra cibernética contra a democracia ocidental, uma ameaça a seu autoritarismo.

"Putin odeia tanto Hillary Clinton", comentou o diretor-geral do FBI, que começou a interferir na campanha para minar a candidata democrata. O homem-forte do Kremlin atribui a Hillary e aos EUA as manifestações de protestos contra os resultados das eleições parlamentares de 2011 na Rússia.

Depois das revoltas da Primavera Árabe, Putin temia ser o próximo alvo do movimento pela democracia. A partir daquela época, iniciou uma guerrinha fria contra o Ocidente e trabalha ativamente para sabotar os processos eleitorais e apoiar candidatos de ultradireita contrários, por exemplo, à União Europeia. Bancos russos emprestaram 8 milhões de euros à neofascista Frente Nacional, da França, liderada por Marine Le Pen.

A Rússia não acreditava na vitória de Trump, observou Comey. Sua prioridade era derrubar Hillary. Mas Trump adotou um discurso sedutor para os ouvidos do Kremlin, com críticas à UE e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), chamando a primeira de uma conspiração alemã para dominar a Europa e a segunda de obsoleta.

O ex-assessor de Segurança Nacional Michael Flynn caiu por haver mentido ao vice-presidente Mike Pence sobre encontros com o embaixador russo em Washington antes da eleição. Flynn negou haver falado sobre as sanções contra a intervenção militar russa na Ucrânia, mas a conversa estava sendo gravada pelos serviços de inteligência e ele foi desmentido. Trump alegou deslealdade para demiti-lo.

Trump discutiu crise da Venezuela com Temer

Durante telefonema no último fim de semana, os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Michel Temer, discutiram as relações bilaterais e a crise na Venezuela, noticiou hoje o jornal Latin American Herald Tribune.

Trump passou o fim de semana no country club que tem em Mar-a-Lago, na Flórida. Lá, falou sábado com Temer e no domingo com a presidente do Chile, Michelle Bachelet. Passaram-se dois meses de governo até que Trump decidisse falar com o presidente brasileiro. Até com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, o novo presidente americano falou antes.

Pelo relato da Casa Branca, Trump e Temer mantiveram uma conversa longa e agradável. O presidente americano destacou a importância das relações bilaterais com o Brasil dentro do continente americano. Trump manifestou preocupação com a crise da democracia e o desrespeito aos direitos humanos pelo regime chavista da Venezuela.

Nas últimas semanas, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, iniciou uma guerra do pão, iniciando uma temporada de caça aos padeiros, que não conseguem comprar trigo importado por causa das políticas cambial e comercial do governo.

Mais universidades portuguesas aceitam resultados do Enem

Mais três instituições de ensino superior de Portugal, o Instituto Universitário de Ciências da Saúde, a Escola Superior de Saúde do Vale do Ave e a Escola Superior de Saúde do Vale do Sousa, passaram a aceitar os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para admitir alunos do Brasil. 

Com mais estas três faculdades, sobe para 21 o número de instituições portuguesas que aceitam o Enem. O acordo foi assinado em Brasília na semana passada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e a Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (Cespu), dona das três faculdades, situadas no Norte de Portugal. A nota do Enem será somada à média das notas do ensino médio.

As outras instituições de ensino superior portuguesas que aceitam as notas do Enem: Universidade dos Açores, Universidade do Algarve, Universidade de Aveiro, Universidade da Beira Interior, Universidade de Coimbra, Universidade de Lisboa, Universidade da Madeira, Universidade do Minho, Universidade do Porto, Instituto Politécnico de Beja, Instituto Politécnico do Cávado e do Ado, Instituto Politécnico de Coimbra, Instituto Politécnico de Guarda, Instituto Politécnico do Porto, Instituto Politécnico de Leiria, Instituto Politécnico de Portalegre, Instituto Politécnico do Porto e Instituto Politécnico de Santarém.

Israel bombardeia Síria pela terceira vez em três dias

Na noite de domingo e na madrugada desta segunda-feira, a Força Aérea de Israel bombardeou a Síria pela segunda vez em 24 horas e pela terceira vez em dois dias. É o momento de maior tensão entre os dois países desde o início da guerra civil síria, há seis anos. O alvo seria um comboio com armas para a mílicia fundamentalista xiita Hesbolá.

Hoje da manhã, a imprensa síria admitiu que Israel atacou vários alvos perto da fronteira entre a Síria e o Líbano. Antes do último ataque, no domingo, o comandante de uma milícia aliada à ditadura de Bachar Assad, Yasser Hussein Assayed, foi morto num ataque de drones.

Na sexta-feira, quando Israel fez o primeiro bombardeio dos últimos dias, a defesa síria disparou mísseis contra os aviões. Foi uma mudança estratégica, levando o ministro da Defesa israelense, Avigdor Lieberman, a ameaçar com a destruição de todo o sistema de defesa antiaéreo da Síria, reforçado recentemente por equipamentos russos de última geração.

Um míssil sírio foi interceptado pelo sistema de defesa antimísseis Flecha, acionado pela primeira vez. Os destroços do míssil caíram em território da Jordânia.

Com a intervenção militar da Rússia na guerra civil síria, a partir de 30 de setembro de 2015, a ditadura de Bachar Assad recuperou a maior parte do território do país. Está perto da vitória ou ao menos de evitar a queda.

Como o ditador sírio é aliado do Irã e a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus), armada e financiada por Teerã, sua principal força terrestre, Israel teme o aumento da influência do Irã no país vizinho e o fortalecimento do Hesbolá, um inimigo histórico.

"Cada vez que descobrirmos transferências de armas da Síria para o Líbano vamos agir para impedi-las", afirmou o ministro da Defesa de Israel. "Neste ponto, não há negociação. Os sírios precisam entender que são considerados responsáveis por essas transferências de armas ao Hesbolá e, se continuarem a permiti-las, faremos o que temos de fazer."

domingo, 19 de março de 2017

Terrorista de Orly estava sob efeito de álcool, cocaína e maconha

Mais uma vez um terrorista morto parece mais um criminoso comum do que um ideólogo ou fanático religioso. Quando atacou ontem uma militar e foi morto no Aeroporto de Orly, perto de Paris, Ziyed Ben Belgacem, um francês de origem árabe de 39 anos havia consumido bebidas alcoólicas, cocaína e maconha, revelou hoje à noite o jornal francês Le Monde.

Ziyed tinha condenações por assalto a mão armada e tráfico de drogas. Na prisão, em 2011 e 2012, tornou-se um extremista muçulmano. Quando a França entrou em estado de emergência, depois dos atentados terroristas de 13 de novembro de 2015, chegou a ser procurado pelas forças de segurança.

Em seu sangue, os legistas encontraram sinais da presença de álcool e estupefacientes. Ao tentar tomar a arma de uma soldada que patrulha o aeroporto, Ziyed gritou estar disposto "a morrer por Alá". O procurador da República em Paris, François Molins, o descreveu como "um indivíduo extremamente violento", um terrorista disposto a matar e a "ir até o fim".

Pouco antes das sete da manhã de sábado, Belgacem furou uma barreira policial no bairro de Garges-lès-Gonesse, onde morava, em Val-d'Oise, ferindo um agente. Depois, parou num bar, onde esqueceu o telefone celular. Em seguida, roubou um carro e rumou para o aeroporto.

"Em uma hora e meia, ele fugiu num processo cada vez mais destrutivo", acrescentou o procurador de Paris.

O terrorista chegou ao Terminal Sul do Aeroporto de Orly logo depois das oito da manhã. Depois de deixar no chão uma bolsa com um cantil cheio de combustível, às 8h22 (4h22 em Brasília), ele ataca uma mulher de uma patrulha de quatro militares da Operação Sentinela, deflagrada para combater o terrorismo.

Além de tomar a arma, Belgacem deu uma gravata na soldada tentando usá-la como escudo humano para se proteger e disse: "Baixem as armas e ponham as mãos na cabeça! Estou aqui para morrer por Alá. De qualquer maneira, vai haver mortos."

No terceiro tiro, Belgacem morreu, afirmou o procurador. Com ele, os investigadores encontraram uma pistola de cinco cartuchos, 750 euros em dinheiro, uma cópia do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, um isqueiro e um maço de cigarros.

O pai, o irmão e um primo de Ziyed foram presos no sábado e liberados no domingo. Depois de furar a barreira policial, ele telefonou para o pai e o irmão contando haver "feito uma besteira".

Ao ser solto hoje de manhã, o pai declarou: "Meu filho nunca foi terrorista. Nunca foi de rezar e bebia. Sob o efeito do álcool e da maconha, vejam onde chegou."

Um dos objetivos da investigação é descobrir se ele agiu sozinho ou estava ligado a alguma célula terrorista. O alvo e o discurso "correspondem às palavras de ordem usadas pelas organizações terroristas jihadistas", observou Molins.

Líder do Boko Haram ameaça tomar a África Ocidental

Para desmentir e desafiar o Exército de Nigéria, que anunciou a derrota militar do grupo, o líder da milícia jihadista Boko Haram, Abubakar Shekau, prometeu lutar até conquistar vários países da África Ocidental e impor a lei islâmica, noticiou o jornal nigeriano The Daily Post.

Em vídeo divulgado na última sexta-feira, Shekau ameaçou derrubar os governos do Benin, de Camarões, do Chade, do Mali, do Níger e da Nigéria. A gravação apresentava armas, munições, insígnias e outros objetos que supostamente pertenciam a soldados camaroneses.

A gravação, de 27 minutos, foi enviada a jornalistas de Abuja, a capital nigeriana, por um jornalista com contato no Boko Haram, cujo nome significa repúdio à educação ocidental. Há três dias, a milícia divulgara outro vídeo anunciado ter matado três homens que acusou de serem espiões do governo.

Ao aderir a luta armada para impor a lei islâmica no Nordeste da Nigéria, em 2009, o Boko Haram deflagrou uma guerra civil com um total de mortos estimado hoje em 15 mil. Em 7 de maio de 2015, Shekau declarou lealdade ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante, seu líder Abubaker al-Baghdadi e o califado por ele proclamado.

Desde então, o Boko Haram se apresenta como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental. É a segunda maior organização terrorista não estatal em número de mortos, atrás apenas do Estado Islâmico em violência e malignidade.

Fundamentalista hindu vai governar estado mais populoso da Índia

O partido nacionalista hindu que governa a Índia indicou o clérigo fundamentalista Yogi Adityanath para governador do estado de Uttar Pradesh, o mais populoso do país, com 220 milhões de habitantes, noticiou o jornal The New York Times.

A Índia tem uma minoria de 180 milhões de muçulmanos. Eles são cerca de 20% dos moradores de Uttar Pradesh, um estado do tamanho de São Paulo com uma população maior do que o Brasil.

Adityanath faz parte da ala mais radical do Partido Bharatiya Janata (BJP, do inglês), quer transformar a Índia numa nação hindu. Ele é a favor da construção de um templo em Ayodhya, no local onde teria nascido o deus Rama. O problema é que havia uma mesquita no lugar, demolida por hindus fanáticos em 6 de dezembro de 1992.

Sua indicação é resultado da ampla vitória obtida pelo BJP, do primeiro-ministro Narendra Modi, nas recentes eleições estaduais em Uttar Pradesh. Além de reforçar a ideia de que Modi está mais preocupado com o nacionalismo hindu do que com a democracia, a nomeação sugere que o chefe de governo atribui a vitória aos eleitorado hindu radical de direita.

sábado, 18 de março de 2017

Morre Chuck Berry, um dos gênios criadores do rock

O cantor e compositor americano Chuck Berry, um dos pais do rock'n'roll, autor de sucessos como Johnny B. Goode e Roll over Beethoven, morreu hoje aos 90 anos. Foi um dos gênios criadores do rock. A polícia o encontrou inconsciente em casa, no condado de São Carlos, no estado do Missouri, no início da tarde. Ainda tentou animá-lo, sem sucesso.

Com seus solos de guitarra, seus riffs caminhando feito um pato pelo palco, músicas sobre temas da vida cotidiana dos jovens dos anos 1950s e 1960s, como carros e garotas, reunindo elementos do blues, rhythm & blues, gospel e música folclórica, Chuck Berry definiu o estilo do rock como nenhum outro.

Charles Edward Anderson Berry nasceu em São Luís, no estado do Missouri, em 18 de outubro de 1926. Aprendeu a tocar blues na guitarra na adolescência e deu seu primeiro show na escola durante o ensino médio.

Filho de um carpinteiro trabalhou na General Motors e estudou para ser cabeleireiro. Preso por assalto a mão armada, passou três anos no reformatório. Formou a primeira banda com o pianista Johnnie Johnson em 1952. Depois de conhecer Muddy Waters, Berry foi apresentado a Leonard Chess, da gravadora Chess Records, e gravou seu primeiro disco em 1955.

Maybellene chegou ao 5º lugar nas paradas de sucessos. No final dos anos 1950, já tinha mais de 40 sucessos, inclusive Roll over Beethoven, Johnny B. Goode, Carol, School Day e Back in the USA

Se Elvis Presley foi o primeiro ídolo popular em escala internacional, foi, na visão do jornal The New York Times, um "gênio conceitual" do rock. Ao fundir blues e country, Chuck Berry também criou seu próprio estilo de tocar guitarra, que descreveu em Johnny B. Goode como "tocando um sino".

Sua música influenciou e foi tocada pelas maiores bandas de rock, como os Beatles e os Rolling Stones, The Doors, The Kinks, The Beach Boys, The Grateful Dead, e cantores como James Taylor, Peter Tosh, Judas Priest, Dwight Yoakam, Phish e Sex Pistols. Confira e interpretação de Nadine, com Keith Richards.

"Os Rolling Stones ficam muito tristes ao saber da passagem de Chuck Berry", declarou a banda em nota. "Ele foi um verdadeiro pioneiro do rock & roll e teve uma tremenda influência sobre nós. Chuck não era apenas um guitarrista brilhante, cantor e showman, era um mestre artesão como compositor. Suas músicas vão viver para sempre."

Em outra gravação histórica, ele toca guitarra com Richards e Eric Clapton. Confira esta com seu contemporâneo Jerry Lee Lewis, acompanhados por Richards, seguida der uma apresentação com Bruce Springsteen, ambos no Hall da Fama do Rock'n'Roll.

Ao apresentar Chuck Berry no Hall da Fama do Rock, Richards confessou: "Chupei tudo o que esse cara fez." Em suas memórias, o rolling stone comentou: "O mais bonito na maneira de tocar de Chuck Berry é que é um embalo que sai sem esforço. Nada de suadouro, trabalho árduo ou caretas, apenas um embalo sem muito esforço como o de um leão."

"Chuck Berry foi o maior praticamente do rock, guitarrista e o maior autor do puro rock & roll já visto", escreveu Springsteen no Twitter

Jimi Hendrix fez sua versão de Johnny B. Goode. John Lennon gravou com o próprio Chuck Berry.

Terrorista é morto em aeroporto de Paris

Um francês de origem árabe foi morto hoje no Terminal Sul do Aeroporto de Orly, perto de Paris, depois de tentar tomar a arma de uma militar que participa da Operação Sentinela, deflagrada depois dos atentados de 13 de novembro de 2015 na capital da França. A procuradoria está tratando o caso como terrorismo.

Ziyed Ben Belgacem, de 39 anos, avançou contra um grupo de quatro militares que patrulhava o setor de embarque do aeroporto e atacou a mulher. Ele ameaçou-a com uma pistola e a pegou pelo pescoço enquanto gritava "Alá é grande" antes de ser abatido, por volta das 8h30 (4h30 em Brasília).

Imediatamente, o aeroporto foi evacuado e ficou fechado até o início da tarde. Vários voos foram transferidos para o Aeroporto Charles de Gaulle, em Roissy, o maior que serve Paris.

A caminho do Aeroporto de Orly, pouco antes das sete da manhã, ele tinha furado uma barreira de segurança e ferido um policial com um tiro de pistola em Val-d'Oise, onde vivia no bairro popular de Garges-lès-Gonesse. Era um homem solitário. Os vizinhos não sabiam de suas passagens pela prisão.

Ele tinha ficha criminal por pequenos delitos comuns, como roubo e tráfico de drogas. Em 2001, foi condenado a cinco anos de cadeia por assalto a mão armada. Em 2009 foi condenado duas vezes, a três e cinco anos, por tráfico de drogas. No seu apartamento, a polícia encontrou uma pequena quantidade de cocaína.

Os primeiros sinais de extremismo muçulmano surgiram em 2011 e 2012, declarou o procurador da República em Paris, François Molins. Belgacem não estava na lista dos principais suspeitos de terrorismo, mas sua ficha justificou uma operação de busca depois da decretação do estado de emergência, em novembro de 2015. Ele não foi encontrado.

Hoje, em Orly, acrescentou o procurador de Paris, o terrorista estava "pronto para morrer por Alá" e para "matar". Molins o descreveu como "um indivíduo extremamente violento" com a intenção de cometer atos terroristas, determinado a "ir até o fim" em seu "processo destruidor".

A candidata da neonazista Frente Nacional à Presidência da França, Marine Le Pen, tentou ganhar pontos em cima do novo ato terrorista. Criticou o primeiro-ministro Bernard Cazeneuve, que disse que o estado de emergência pode ser suspenso.

"Nosso governo está ultrapassado, exaurido, paralisado como um coelho diante dos faróis de um carro", vociferou Martine, prometendo "restaurar a ordem no país" com prioridade ao combate ao terrorismo e à delinquência.

Cazeneuve respondeu que não era o momento de fazer política em torno de um episódio tão grave: "Embora um acontecimento grave pudesse ter ocorrido hoje de manhã em Orly, a Srª Le Pen exagerou" num momento de "risco extremamente elevado" em que, na sua opinião, os dirigentes políticos "devem mais do que nunca manter sua dignidade".

O candidato de centro-direta acossado por denúncias de corrupção, François Fillon, também tentou faturar em cima do terrorismo, estimando que a França está "numa situação quase de guerra civil, segundo expressão empregada pelo diretor-geral da segurança interna diante da comissão que investigou os atentados de 13 de novembro."

Le Pen, Fillon e o ex-ministro da Economia do governo socialista Emmanuel Macron lideram as pesquisas sobre o primeiro turno da eleição presidencial, marcado para 23 de abril. Com as acusações de que Fillon empregou mulher e filhos como funcionários-fantasmas do Senado, Macron é o favorito, já que todas as forças democráticas devem se unir contra a Frente Nacional no segundo turno, em 7 de maio.

França projeta crescimento de 1,1% em 2017

A França, segunda maior economia da Zona do Euro e sexta do mundo, deve crescer 0,3% no primeiro trimestre de 2017 e 1,1% no ano inteiro, a mesma taxa do ano passado, previu ontem o Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos).

O crescimento previsto para o segundo trimestre foi revisado de 0,4% para 0,5%. A queda do desemprego iniciada no fim de 2016 deve continuar no primeiro semestre de 2017. O índice, ainda elevado, deve baixar de 9,7% para 9,5% na França metropolitana e de 10% para 9,8% incluindo as províncias ultramarinhas. São as menores taxas de desemprego desde o terceiro trimestre de 2012

Ao crescer 1,1% em 2016, a França saiu de um período de estagnação. Nos três anos anteriores, ficara abaixo da média da Eurozona. Agora, equipara-se aos países vizinhos. Mas o consumo das famílias, principal motor da economia francesa, continua fraco. Deve avançar 0,2% no primeiro trimestre e 0,4% no segundo.

A melhora relativa no crescimento e no emprego chega tarde demais para o presidente François Hollande e o Partido Socialista. Seu candidato, Benoît Hamon, está em quarto lugar nas pesquisas e deve ser eliminado no primeiro turno da eleição presidencial francesa em 23 de abril.

Por ironia, o favorito no momento é o ex-ministro da Economia do governo socialista, Emmanuel Macron, um jovem de 37 anos que trabalhou no mercardo financeiro, não é considerado suficientemente de esquerda pelo partido e nunca havia disputado uma eleição.

Com a resistência do candidato do partido gaulista Os Republicanos, François Fillon, acusado de contratar a mulher e os filhos como funcionários-fantasmas do Senado, Macron é o favorito para enfrentar a neofascista Marine Le Pen, da Frente Nacional, no segundo turno, em 7 de maio.

Como Marine Le Pen não deve passar de um terço dos votos, quem quer que a enfrente no segundo turno deve derrotar a extrema direita. O fracasso da ultradireita na Holanda deu novo ânimo aos franceses, mas as vitórias do não à União Europeia no Reino Unido e a eleição de Donald Trump animaram a Frente Nacional.

A exemplo de Trump, Le Pen tem o apoio do homem-forte da Rússia, Vladimir Putin. Bancos russos emprestaram pelo menos 8 milhões de euros. Em sua guerra cibernética contra o Ocidente e a UE, o alvo do Kremlin hoje deve ser Macron.

Monsanto sabia de toxicidade de pesticida desde 1999

A empresa transnacional americana Monsanto sabia desde 1999 do potencial mutagênico do pesticida mais vendido no mundo, o glifosato, princípio ativo do agrotóxico Roundup, seu principal produto ao lado das sementes transgênicas, revelou a correspondência interna da firma, divulgada há dois dias pela Justiça Federal dos Estados Unidos.

São mais de 250 páginas de mensagens. Elas mostram a inquietação e as preocupações da companhia. Na véspera da divulgação do que era até anteontem segredo de justiça, a Agência Europeia de Produtos Químicos declarou que não considera o glifosato nem cancerígeno nem mutagênico, capaz de provocar mutações genéticas.

Para a Monsanto, a revelação ameaça o modelo de negócios, baseado na venda de sementes transgênicas e do agrotóxico Roundup, que as plantas geneticamente modificadas toleram.

O processo começou com uma ação coletiva de agricultores da Califórnia atingidos pelo linfoma não hodgkienano, uma espécie de câncer do sangue. Tem base num alerta feito em março de 2015 pelo Centro Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (CIRC), uma instituição intergovernamental com sede em Lyon, na França, fundada em 1965 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), órgão do sistema Nações Unidas.

A documentação desclassificada como secreta em 17 de março de 2017 desmascara ainda a conivência da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), que o presidente Donald Trump está esvaziando, com a Monsanto.

Em 1999, a companhia estava atrás de um cientista de renome para tentar convencer as autoridades reguladoras da União Europeia de que o glifosato não é tóxico nem mutagênico.

"Vamos recuar um pouco e ver o que queremos fazer realmente", disse na época um funcionário da Monsanto em comunicação interna. "Vamos procurar qualquer um que tenha familiaridade com o perfil genotóxico do glifosato/Roundup e que possa influenciar os reguladores ou realizar operações de comunicação científica ao grande público sobre a questão da genotoxicidade."

Pelos dados da Consultoria Céleres, especializada em análises do agronegócio, em 2016-17, as sementes transgênicas responderam por 93,4% das plantações de soja (96,5%), milho (88,4%) e algodão (78,3%). São 49 milhões de hectares cultivados com transgênicos, sendo 32,7 milhões de ha de soja, 15,7 milhões de ha de milho e 789 mil ha de algodão.

Os transgênicos entraram no Brasil pela porta dos fundos, por contrabando vindo da Argentina quando ainda eram proibidos no país, numa estratégica da Monsanto de criar um fato consumado. Quando os produtores gaúchos estavam prontos para exportar a soja transgênica, o governo Lula foi pressionado a liberou os transgênicos e o fez em 2003. No ano seguinte, o Brasil tinha 5 milhões de hectares plantados com transgênicos.

Em dez anos, a Monsanto faturou mais de R$ 1 bilhão só com a venda do Roundup no Rio Grande do Sul, estima a Federação dos Trabalhadores na Agricultura  do (Fetag-RS).

Enquanto os EUA promovem suas empresas de biotecnologia, a União Europeia adota uma posição defensiva com base no princípio da cautela, alegando que as consequências do consumo de transgênicos a longo prazo ainda são desconhecidas.

O processo contra a Monsanto abala duramente a indústria de transgênicos e o agronegócio brasileiro, atingido ontem pelo escândalo das carnes deterioradas vendidas pelas empresas transnacionais brasileiras JBS Friboi e Brazil Foods (BRF).

sexta-feira, 17 de março de 2017

Síria e Israel vivem pior tensão em seis anos

No mais sério incidente entre os dois países desde o início da guerra civil na Síria, em 15 de março de 2011, a Força Aérea de Israel atacou ontem vários alvos no território do país vizinho. A ditadura de Bachar Assad reagiu com sistemas avançados de defesa antiaérea importados da Rússia e disparou vários mísseis contra os bombardeiros israelenses.

A Síria anunciou hoje oficialmente ter abatido um avião israelense e avariado outro. Israel negou e declarou que um dos mísseis antiaéreos sírios foi derrubado por sistema de defesa israelense antimísseis conhecido como Flecha. O Exército da Jordânia revelou que destroços do míssil abatido caíram em território jordaniano.

Em várias ocasiões anteriores desde 2011, Israel bombardeou território sírio a pretexto de destruir carregamentos de armas para a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus), apoiada pelo Irã. Pela primeira vez, admite oficialmente. O Hesbolá desmentiu que um de seus comandantes tenha sido morto no bombardeio israelense.

O regime sírio acusou Israel de atacar perto da cidade de Palmira, no Centro do país, para apoiar a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Não faz sentido. Israel não apoia movimentos extremistas muçulmanos.

Piratas da Somália liberam navio-tanque e reféns

O navio petroleiro Aris 13, com bandeira das Ilhas Comores, sequestrado em 13 de março de 2017 perto da costa da Somália, foi liberado hoje pelos piratas assim como os oito tripulantes, que são do Sri Lanka. O comandante do navio afirmou que não houve pagamento de resgate.

As forças de segurança da Puntlândia, uma região semiautônoma em meio ao caos da Somália atacaram a base dos piratas e pediram aos anciães das comunidades locais para convencer os piratas a libertar o navio e os reféns srilanqueses.

Foi o primeiro sequestro de um navio comercial nos mares da região do Chifre da África, no Nordeste do continente, desde 2011. Analistas estratégicos consideram improvável a volta da pirataria em alta escala na região. A região de maior atividade de pirataria no mar é hoje o Golfo da Guiné, por onde passa o petróleo, um grande produtor que não refina e importa os derivados.

O embaixador no Quênia do governo provisório reconhecido internacionalmente da Somália, que não controla a maior parte do território do país, ameaçou pedir a intervenção militar dos EUA, levando o governo da Puntlândia a agir contra a pirataria.

Desde a queda, em 1991, do ditador Mohamed Siad Barre, que mudou de lado durante a Guerra Fria, passando de aliado soviético a aliado americano, a Somália vive em estado de anarquia.

EUA ameaçam Coreia do Norte com ataque preventivo

Durante visita à Coreia do Sul, o secretário de Estado americana, Rex Tillerson, descartou a possibilidade de negociar com a Coreia do Norte antes de desnuclearização do país. Ele advertiu que os Estados Unidos podem lançar um ataque preventivo se a ameaça nuclear norte-coreana atingir "níveis inaceitáveis".

A "paciência estratégica" do governo Barack Obama acabou, alertou o chefe da diplomacia do presidente Donald Trump. Mesmo rejeitando negociações diretas, os EUA devem continuar trabalhando pela via diplomática. A alternativa é a guerra.

Tillerson vai amanhã à China para pressionar a maior aliada do regime comunista de Pionguiangue a adotar uma posição mais dura. A China anunciou a suspensão das importações de carvão norte-coreano, mas o regime comunista chinês teme a desestabilização do país, vizinho, já descrito por autoridades chinesas como "a nossa Alemanha Oriental".

Com a queda do comunismo como ideologia e do fim da União Soviética, em 1991, o regime stalinista norte-coreana passou a fazer uma chantagem atômica, barganhando ajuda em alimentos e energia para sua economia falida.

Desde outubro de 2006, a Coreia do Norte realizou pelo menos quatro explosões nucleares experimentais e outros testes para desenvolver tecnologia de mísseis. Em reação, os EUA começaram a instalar um sistema de defesa antimísseis na Coreia do Sul, o Terminal de Defesa Aérea a Grande Altitude.

A China não aceita a instalação do sistema, alegando que dará uma vantagem estratégica aos EUA num possível conflito futuro entre as superpotências, mas ainda não parece pronta para enquadrar o ditador norte-coreano, Kim Jong Un, recentemente acusado de mandar matar o meio-irmão Kim Jong Nam no aerporto de Kuala Lumpur, na Malásia.

O assassinato político ultrajou os aliados chineses, mas não o suficiente para alinhar Beijim com Washington. A China usa a questão norte-coreana como uma carta na manga para negociar com os EUA e tem outros pontos de conflito, como suas ambições territoriais sobre 90% do Mar do Sul da China, rejeitadas em tribunal internacional.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Forças da Puntlândia atacam piratas na Somália

O governo regional da Puntlândia, uma região semiautônoma da Somália, atacou hoje a cidade de Habo, onde os sequestradores do navio petroleiro Aris 13 se refugiaram tomando os oito tripulantes como reféns, noticiou a televisão britânica Sky News.

As forças da Puntlândia atiraram num barco com suprimentos para os piratas, que responderam ao fogo. Pelo menos cinco pessoas foram feridas no tiroteio. O governo regional declarou que nenhum soldado saiu ferido.

Ontem, o embaixador da Somália na Nigéria ameaçou pedir um intervenção militar dos EUA, o que não interessa ao governo regional semiautônomo.

Na operação, os soldados tentam tomar o controle da cidade costeira para isolar os piratas. Outros relatos dizem que os piratas retiraram todo o petróleo transportado pelo navio-tanque, que ia de Djibúti para Mogadíscio, a capital somaliana.

O petroleiro Aris 13 tem bandeiras das Ilhas Comores e oito tripulantes do Sri Lanka tomados como reféns. Em 13 de março, foi desviado de sua rota para a cidade de Alula. É o primeiro sequestro de um grande navio na região do Chifre da África desde 2012.

Nos últimos anos, a região deixou de ser a mais perigosa para a navegação. Hoje o maior número de sequestros acontece na região do Golfo da Guiné, na África Ocidental, por onde trafega o petróleo da Nigéria, um grande produtor que não refina e assim tem de importar derivados.

Desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991, a Somália vive em estado de anarquia. Um relatório da ONU advertiu no ano passado que a situação só vai mudar quando o país tiver um governo estável capaz de controlar seu território e as águas territoriais.

Justiça dos EUA suspende mais um decreto anti-imigração de Trump

Um juiz federal do Havaí considerou inconstitucional por discriminação religiosa um segundo decreto do presidente Donald Trump proibindo a entrada nos Estados Unidos por 90 dias de cidadãos de seis países de maioria muçulmana e por 120 dias a concessão de asilo político. Trump prometeu levar o caso até a Suprema Corte a pretexto de proteger o país contra o terrorismo.

A Casa Branca fez várias alterações em relação ao primeiro decreto, rejeitado na primeira instância e pelo Tribunal Federal de Recursos de São Francisco, em segunda instância. Mas o juiz Derrick Watson vê um erro fundamental: a discriminação com base religiosa viola a Emenda nº 1 da Constituição dos EUA, que garantes as liberdades de expressão, religiosa, de associação para fins pacíficos e de processar o governo para reparar uma lesão ao direito individual.

Em comício para um grupo de seguidores em Nashville, no estado do Tennessee, o presidente reafirmou a intenção de "ir até a Suprema Corte para proteger o povo americano". Trump atribuiu a decisão judicial a "razões políticas" e alegou que faz os EUA "parecerem fracos" diante do resto do mundo.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Somália tem primeiro grande caso de pirataria em cinco anos

Um navio petroleiro com oito tripulantes do Sri Lanka, o antigo Ceilão, foi tomado por piratas na costa da Somália. É o primeiro sequestro de um grande navio na região do Chifre da África desde 2012.

O navio-tanque Aris 13 foi interceptado quando ia de Djibouti para Mogadíscio, a capital da Somália, e levado para o porto de Alula, na região da Puntlândia, no Nordeste do país, que proclamou autonomia em 1998.

A Somália vive em estado de anarquia desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991. O governo reconhecido internacionalmente não controla todo o território. No Norte, a Somalilândia, a antiga Somália Britânica, tornou-se independente na prática.

Na segunda-feira, o Aris 13 avisou que lanchas se aproximavam do navio em alta velocidade. O chefe das operações antipirataria da Puntlândia, Abdirissak Mohamed Dirir, negou o envolvimento de soldados do governo no sequestro, atribuindo-o a "piratas somalianos".

"As autoridades locais confirmam que piratas estão retendo um navio e sua tripulação contra sua vontade", declarou o ex-coronel do Exército Real britânico John Steed, hoje gerente regional no Chifre da África do programa antipirataria Oceanos Além da Pirataria, com sede no estado do Colorado, nos Estados Unidos.

O governo do Sri Lanka protestou: "Embora o navio envolvido não esteja registrado com a bandeira do Sri Lanka, tem oito tripulantes srilanqueses", declarou em nota o Ministério do Exterior. "O Ministério continua em contato com os agentes de navegação, as autoridades envolvidas e as missões diplomáticas do Sri Lanka no exterior para obter mais informações e garantir a segurança e o bem-estar da tripulação srilanquesa."

Em Nairóbi, o embaixador do Sri Lanka na Etiópia, Chulpathmendra Dahanayake, pediu às Nações Unidas e à Somália que "investiguem a matéria e nos deem uma resposta. Se for verdade, provavelmente vamos pedir uma intervenção militar dos EUA com mão pesada para libertar os reféns."

No ano passado, um relatório da ONU constatou que o número de sequestros cometidos por piratas somalianos caiu de 237 em 2011 para 15 em 2016 e 2017. "O progresso na construção de um Estado federal na Somália, combinado com um esforço naval coletivo internacional e as políticas antipirataria dos governos regionais, como o da Puntlândia, contribuíram para a redução dos refúgios em terra para piratas ao longo da costa da Somália."

Houve avanços, mas o relatório advertiu: "Tais progressos continuam frágeis e reversíveis. Informes com credibilidade indicam que os piratas somalianos têm a intenção e a capacidade de recomeçar os ataques contra grandes navios comerciais, se aparecerem oportunidades, e ameaçar pequenas embarcações.

"A incerteza política na região central da Somália, acoplada ao fim do mandato da força naval internacional estacionada perto da costa, tem o potencial de criar um vácuo de segurança capaz de deflagrar o ressurgimento da pirataria. A solução definitiva para o problema da pirataria na costa da Somália está num futuro seguro e estável para o país", concluiu a ONU.

Governo da Holanda derrota partido neonazista

O primeiro-ministro democrata-cristão, Mark Rutte venceu as eleições parlamentares na Holanda, afastando a possibilidade de que o líder neonazista Geert Wilders governe o país nos próximos anos. É uma derrota do ultranacionalismo que levou os britânicos a aprovar a saída do Reino Unido da União Europeia e os Estados Unidos a eleger o bilionário Donald Trump para a Casa Branca.

Com 28 partidos disputando as eleições, o vencedor VVD (Partido Popular para Liberdade e Democracia) teve, de acordo com as pesquisas de boca de urna, cerca de 20% dos votos e deve conquistar 31 cadeiras no Parlamento, de 150 deputados. A participação do eleitorado superou 80%.

Na pesquisa, três partidos ficaram empatados em terceiro lugar, cada um com 13 cadeiras. Entre eles, está o Partido da Liberdade, da extrema direita e anti-imigrantes, liderado por Wilders, que prometeu banir o islamismo da Holanda e retirar o país da UE. A ultradireita acabou ficando em segundo.

Rutte, no poder desde outubro de 2010, ganhou prestígio nos últimos dias ao barrar a entrada no país de ministros da Turquia que pretendiam participar de comícios para o plebiscito feito sob medida para dar poderes ditatoriais ao presidente Recep Tayyip Erdogan.

Ao impedir que um autocrata muçulmano e a ultradireita transformassem a Holanda, país com a mais longa tradição liberal na Europa, num campo de batalha, o primeiro-ministro reafirmou suas credenciais como um homem firme e decidido capaz de garantir as liberdades públicas que seus cidadãos tanto prezam.

O grande derrotado foi o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, um parceiro menor na coalizão de governo, que caiu de 38 para apenas nove cadeiras no novo Parlamento. A esquerda está sendo destruída pelo líder trabalhista Jeremy Corbyn no Reino Unido e não deve chegar ao segundo turno da eleição presidencial da França, mas na Alemanha o candidato social-democrata Martin Schulz mostra-se um candidato à altura da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel.

A próxima batalha contra o populismo neofascista na Europa será na eleição presidencial da França. O primeiro turno será realizado em 23 de abril e a líder da ultranacionalista Frente Nacional, Marine Le Pen, deve chegar ao segundo turno. De acordo com as pesquisas, ela será derrotada.

Banco central dos EUA aumenta taxa básica de juros

Diante do fortalecimento do mercado de trabalho e do risco de volta da inflação, o Comitê de Mercado Aberto da Reserva Federal (Fed), o comitê de política monetária do banco central dos Estados Unidos, aumentou hoje a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual para uma faixa de 0,75% a 1% ao ano.

Foi o terceiro aumento em dez anos e o terceiro desde a Grande Recessão (2008-9). Em dezembro de 2008, o Fed praticamente zerou sua taxa básica, baixando-a para uma faixa de 0-0,25% para enfrentar a pior crise econômica desde a Grande Depressão (1929-39).

Sem condições de baixar ainda mais os juros, o Fed passou a comprar títulos públicos para aumentar a quantidade de dinheiro em circulação. Depois de anos de recuperação, o índice de desemprego caiu de 10% para 4,7% e uma alta anual de 2,8% nos salários aponta para o risco de inflação.

A alta de hoje era esperada pelo mercado financeiro. É mais um passo rumo à normalização da política monetária dos EUA. A expectativa é de mais duas altas de juros em 2017. No início do ano passado, eram esperadas quatro; houve apenas uma.

Para o Brasil e as demais economias emergentes, é um sinal de que a era de juros perto de zero nos países ricos está chegando ao fim. A tendência é de alta do dólar e aumento o fluxo de investimentos nos EUA.

terça-feira, 14 de março de 2017

Nigéria anuncia libertação de 455 reféns do Boko Haram

O Exército da Nigéria, o país mais populoso da África, anunciou hoje ter destruído uma base da milícia extremista muçulmana Boko Haram e libertado 455 pessoas sequestradas pelo grupo terrorista, informou o jornal nigeriano The Daily Post. 

A grande operação de varredura visa a acabar com os últimos redutos da milícia no estado de Borno. Atingiu as regiões de Artano, Saduguma, Duve, Bordo, Kala, Bok, Magan, Misherde, Ahisari,
Gilgil, Mika, Hiwa, Kala Balge, Kutila e Shirawa.

Em Kutila, os jihadistas atacaram os soldados em aproximação, declarou o porta-voz do Exército, Sani Usman: "As tropas responderam, neutralizaram os terroristas do Boko Haram e os expulsaram da área. Vários feridos escaparam pela floresta densa."

Os reféns libertados foram para um campo de pessoas deslocadas internamente pela guerra civil na Nigéria, país-líder da África Ocidental.

Pelo menos 15 mil pessoas foram mortas desde 2009 pela guerra civil deflagrada pela adesão do Boko Haram à luta armada para impor a lei islâmica na África Ocidental a partir do empobrecido Nordeste da Nigéria. É a organização terrorista não governamental que mais mata no mundo hoje depois do Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Em março de 2015, o líder do Boko Haram, que significa "repúdio à educação ocidental", Abubakar Shekau, declarou lealdade ao Estado Islâmico. Desde então, o Boko Haram é a Província do Estado Islâmico na África Ocidental, mas há pouca colaboração operacional entre as duas milícias.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Escócia vai convocar novo plebiscito sobre independência

A primeira-ministra Nicola Sturgeon anunciou hoje a convocação de um novo plebiscito sobre a independência da Escócia depois que forem conhecidos os termos da saída do Reino Unido da União Europeia, a ser realizado provavelmente no início de 2019.

No plebiscito de 23 de junho de 2016, a retirada da UE (Brexit = British exit, saída britânica em inglês) foi aprovada por 52% a 48% dos votos, com 62% dos escoceses votando a favor de ficar no projeto de integração da Europa e no mercado comum europeu.

Um novo plebiscito teria de ser aprovado pelo Parlamento Britânico, onde a primeira-ministra conservadora Theresa May se opõe firmemente. Mas, se o Reino Unido sair efetivamente do mercado comum, o que parece provável, a Escócia deve optar pela independência e pelo mercado europeu.

Com a independência da Escócia, que os britânicos chamam de "última descolonização", maior império que o mundo já viu seria reduzido ao centro-sul de uma pequena ilha.

sexta-feira, 10 de março de 2017

EUA geraram mais 235 mil empregos em fevereiro

Com um saldo de 235 mil novas vagas no mercado de trabalho em fevereiro de 2017, a queda no índice de desemprego de 4,8% para 4,7% e alta anual de 2,8% nos salários, o mercado financeiro aposta numa alta das taxas básicas de juros na próxima reunião do Comitê de Mercado Aberto da Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, na semana que vem.

O desempenho do mercado de trabalho superou as previsões dos analistas, que eram de um aumento de 200 mil vagas de emprego. O inverno relativamente sua teria estimulado as contratações, mas fevereiro é tradicionalmente um mês de forte geração de empregos. Foram 238 mil postos de trabalho em 2015 e 237 mil no ano passado.

Mesmo que o resultado não possa ser atribuído ao atual governo, o presidente Donald Trump e o Partido Republicano festejaram com "um sinal de que a economia está indo na direção correta", como observou o deputado Kevin Brady, presidente da Comissão de Finanças da Câmara. Mas há poucos sinais de aceleração da economia.

A Bolsa de Valores de Nova York sobe consistentemente desde a eleição de Trump, em novembro do ano passado, puxada principalmente por ações de bancos e do sistema financeiro, na expectativa de que a desregulamentação e os cortes de impostos estimulem o crescimento. Mas a primeira estimativa da delegacia regional do Fed em Atlanta para o produto interno bruto do primeiro trimestre ficou em 1,2% ao ano, abaixo do 1,9% ao ano do último trimestre de 2016.

Maduro nomeia filho para fiscalizar obras da Odebrecht

Enquanto dez países da América Latina abrem inquéritos para investigar as denúncias de corrupção envolvendo a construtora Odebrecht reveladas pela Operação Lava Jato, a ditadura chavista da Venezuela trabalha ativamente para acobertar seus crimes. O presidente Nicolás Maduro nomeou seu filho Nicolás Ernesto Maduro Guerra para fiscalizar as obras da Odebrecht no país.

Desde 25 de janeiro de 2017, Nicolasito é diretor-geral da Direção Geral de Delegações e Instruções Presidenciais. Seu escritório fica dentro do Ministério dos Transportes, principal responsável pelos contratos firmados com a Odebrecht, maior empresa de construção civil do Brasil.

Durante a presidência do finado caudilho Hugo Chávez, a corrupção se alastrou na Venezuela, que faturou mais de US$ 1 trilhão em petróleo e hoje não tem dinheiro para importar papel higiênico. Chávez promovia eventos para celebrar cada um dos contratos celebrados com a Odebrecht. Tudo deveria ser investigado, mas não pelo filho do atual presidente.

Supremo confirma impeachment da presidente da Coreia do Sul

Em decisão unânime, o Supremo Tribunal de Justiça da Coreia do Sul confirmou há pouco o impeachment da presidente Park Geun Hye, afastada em dezembro de 2016 pela Assembleia Nacional por abuso de poder e corrupção. Uma nova eleição presidencial será realizada em 60 dias.

Na sentença, o Supremo considerou o escândalo de corrupção "um grave atentado contra o espírito da democracia e o Estado de Direito".

A primeira mulher a presidir a Coreia do Sul foi condenada por extorsão, suborno e abuso de poder. Uma amiga e confidente da agora ex-presidente se valeu da amizada com Park para extorquir grandes empresas, inclusive a Samsung, cujo presidente está preso.

quinta-feira, 9 de março de 2017

EUA enviam tropas para guerra contra o Estado Islâmico

Uma força anfíbia de fuzileiros navais dos Estados Unidos estabeleceu uma posição para apoiar aliados na Batalha de Rakka, a cidade síria que virou capital do Estado Islâmico do Iraque, noticiou ontem o jornal The Washington Post.

Os soldados fazem parte da 11ª Unidade Expedicionária do Corpo de Fuzileiros Navais, uma das quatro armas das Forças Armadas dos EUA, ao lado do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Com baterias de artilharia, eles vão intensificar o fogo contra o inimigo, em apoio às forças terrestres encarregada de retomar a cidade.

Entre os principais aliados, está a milícia árabe-curda Forças Democráticas da Síria. A Turquia, aliada dos EUA na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), quer conter a ação dos curdos para evitar que se unem ao governo semiautônomo curdo no Iraque para lutar pela independência do Curdistão.

Desde já, começa a disputa pelo futuro de Rakka. Se o Estado Islâmico perder Rakka e a cidade de Mossul, que deve ser reconquistada em semanas pelo Exército do Iraque e aliados, será o fim do califado proclamado por seu líder, Abu Baker al-Baghdadi, no fim de junho de 2014. O Estado Islâmico voltará a ser apenas uma organização terrorista.

Supremo da Coreia do Sul decide amanhã impeachment da presidente

O Supremo Tribunal de Justiça da Coreia do Sul vai anunciar amanhã se aprova o impeachment da presidente Park Geun Hye, afastada desde dezembro pela Assembleia Nacional sob as acusações de abuso de poder, corrupção e tráfico de influência.

Se Park for afastada definitivamente, uma nova eleição presidencial será realizada em 60 dias. O país está sob forte pressão da China, que não aceita a instalação de um sofisticado sistema americano de mísseis antimísseis em território sul-coreano.

quarta-feira, 8 de março de 2017

China pede fim do programa nuclear da Coreia do Norte

Numa tentativa de evitar a instalação de um sistema antimísseis na Sua vizinhança, o regime comunista da China pediu o fim do programa nuclear da Coreia do Norte e das manobras militares conjuntas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul.

Nesta semana, sob protesto da China, a Coreia do Sul começou a receber peças e equipamentos para a montagem do Terminal de Defesa Aérea a Grande Altitude, um sistema de defesa para evitar que mísseis nucleares norte-coreanos atinjam o território dos EUA e de seus aliados Japão e Coreia do Sul. O regime comunista chinês teme que o terminal dê uma vantagem estratégica aos americanos numa possível guerra futura entre as superpotências.

Maior aliada da ditadura stalinista de Pionguiangue, a China anunciou, depois de novos testes de mísseis e do assassinato de Kim Jong Nam, meio-irmão do ditador norte-coreano, a suspensão das compras de carvão da Coreia do Norte.

Ao mesmo tempo, o governo de Beijim adotou medidas retaliatórias contra a Coreia do Sul como restrição ao turismo de chineses no país vizinho.

A Coreia do Norte é o primeiro grande teste de política externa no presidente Donald Trump. Sempre foi uma carta na manga do regime comunista chinês nas negociações com os EUA. Agora, Beijim afirma que EUA e Coreia do Norte estão em rota de colisão e se propõem a desarmar os espíritos.

Trump deve exigir que a China controla a aliada, mas os chineses vão querer algo em troca, por exemplo, o fim das ameaças de retaliação americana por causa do déficit dos EUA no comércio bilateral.

WikiLeaks denuncia espionagem generalizada da CIA via Internet

Com a divulgação de documentos secretos pirateados, o WikiLeaks, um sítio especializado em fazer denúncias de abusos cometidos por governos e grandes empresas, acusou ontem a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos de criar instrumentos para fazer uma espionagem generalizada através de telefones, computadores e televisores conectados à rede mundial de computadores.

Antes de uma mensagem ser criptografada para circular na rede sem poder ser lida por terceiros, a agência seria capaz de pegar o conteúdo, afirma o WikiLeaks, gabando-se pelo "maior vazamento de documentos secretos da CIA".

A espionagem via TV suscitou comparações com as teletelas do livro 1984, do escritor inglês George Orwell, um mundo do futuro em que todos os cidadãos seriam espionados e controlados 24 horas por dia através dos televisores.

"O Grande Irmão zela por você", dizia a propaganda do regime ditadorial de um futuro distópico. O livro inspirou o programa de TV Big Brother. Como em país atrasado, falar línguas estrangeiras parece mais chique, a TV Globo não traduziu.

O WikiLeaks não divulgou a origem do vazamento do lote de documentos chamada de Arcada 7, mas há fortes suspeitas de que esteja em conluio com o governo da Rússia, acusado de piratear o Partido Democrata dos EUA para ajudar a candidatura do atual presidente, Donald Trump.

Comércio Brasil-Portugal caiu 16% em fevereiro

O fluxo comercial entre o Brasil e Portugal recuou 16% em fevereiro de 2017 em relação ao mesmo mês no ano passado para US$ 86,9 milhões, o menor nível em cinco meses. Em janeiro, houve uma alta de 24%.

De acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços do Brasil, as exportações brasileiras para Portugal baixaram 34,5% em fevereiro para US$ 34,5 milhões. As importações brasileiras de Portugal diminuíram 7% para US$ 52,5 milhões.

Nos dois primeiros meses do ano, as exportações brasileiras para a antiga potência colonial cresceram 5,7% para US$ 117 milhões, enquanto as importações subiram 2,7% para US$ 107,2 milhões.

O petróleo foi responsável por 36% das exportações brasileiras neste ano, seguido por aço, ferro e laminados com 24%. Das importações brasileiras, o principal item foi o azeite (20%), seguido de peças para aviões e helicópteros (17%), do bacalhau (11%), peras (7,7%) e vinho (5,3%).

terça-feira, 7 de março de 2017

Usbequistão liberta jornalista preso há 18 anos

Um dos jornalistas presos há mais tempo no mundo, Muhammad Bekjanov, foi solto no mês passado depois de ficar 18 anos na cadeia na ex-república soviética do Usbequistão, informou a organização não governamental de defesa da liberdade de imprensa Repórteres sem Fronteiras (RsF).

Bekjanov tem hoje 62 anos. Ele foi torturado repetidamente depois da prisão, em 1999, e deveria ter sido libertado em 2012, quando sua pena foi ampliada. Durante um ano, não poderá sair do país.

Como editor do Erk, o principal jornal de oposição usbeque, Bekjanov colocou em discussão temas considerados tabus como a situação da economia, o uso de trabalhos forçados na lavoura de algodão e a catástrofe ecológica do Mar Aral. Seu irmão, o poeta Muhammad Salikh, foi o único adversário do presidente Islam Karimov em 1991.

Karimov, no poder desde a era soviética, aproveitou uma série de ataques a bomba para calar a oposição, acusando-a de cumplicidade. Bekjanov e outros ativistas pela democracia foram presos e condenados. Ele pegou 15 anos de cadeia.

Dias antes da data em que deveria ser solto, a pena foi arbitrariamente aumentada em quatro anos e oito meses.

Em 2016, o Usbequistão ficou em 166º lugar entre 180 países no Índice de Liberdade de Imprensa dos RsF. Com a morte de Karimov, em agosto de 2016, alguns presos políticos foram soltos, mas ainda há jornalistas, ativistas dos direitos humanos, oposicionistas e líderes da sociedade civil presos injustamente.

Correa muda comandante do Exército do Equador

A menos de um mês do segundo turno da eleição presidencial, o presidente Rafael Correa, trocou o comandante do Exército do Equador, substituindo o general Luis Castro pelo general Edison Narvaez 11 meses antes do prazo previsto, informou o jornal El Comercio. Em protesto, outros três generais se demitiram.

A tensão entre o presidente esquerdista e as Forças Armadas aumentou depois do primeiro turno da eleição presidencial, a primeira em dez anos em que Correa não participa. Seu candidato, Lenin Moreno, ficou um pouco abaixo dos 40% exigidos pela Constituição do Equador para vencer no primeiro turno.

O segundo turno será disputado em 2 de abril por Moreno e o milionário Guillermo Lasso. As Forças Armadas equatorianas desempenham um papel importante nas eleições. Os militares transportam e protejam as urnas.

Quem quer que seja o vencedor terá dificuldade para reativar a economia do país. A queda nos preços do petróleo é a principal causa da atual crise e a dolarização reduz a margem de manobra do governo.

domingo, 5 de março de 2017

China reduz meta de crescimento para 6,5% ao ano

A República Popular da China reduziu sua meta de crescimento para 6,5% em 2017, depois deixá-la numa faixa de 6,5% a 7% no ano passado, anunciou hoje o primeiro-ministro Li Keqiang.

Na abertura da sessão anual do Congresso Nacional do Povo, o parlamento chinês, o chefe de governo fez uma prestação de contas e apresentou os planos para este ano. A economia chinesa cresceu oficialmente 6,7% em 2016, o menor ritmo em 26 anos, desde a crise deflagrada pelo massacre do movimento dos estudantes na Praça da Paz Celestial, em Beijim, em junho de 1989.

Li prometeu atacar o problema das "empresas-zumbis", na maioria dos casos estatais à beira da falência. Muitas produzem carvão e aço acima das necessidades do mercado. Nos últimos anos, tentativas de reformar o setor estatal para tornar o crescimento sustentável fracassaram por medo do desemprego e de agitação social.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Exército da Síria e aliados retomam cidadela de Palmira

O Exército da Síria e milícias aliadas reconquistaram a cidadela da cidade histórica de Palmira, no centro do país, anunciou a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá, informou a agência Reuters.

A cidadela fica nos arredores de Palmira, uma cidade histórica do tempo do Império Romano que o regime sírio retomou em março de 2016 e voltou a perder dois meses depois para a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, quando se concentrava na Batalha de Alepo.

Durante seu domínio, que parece estar chegando ao fim, o Estado Islâmico destruiu parte das ruínas de Palmira, considerada patrimônio histórico e cultural da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).