sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Primeiro-ministro da Hungria recua de imposto sobre Internet

Sob a pressão das ruas, tomadas por milhares de manifestantes, o primeiro-ministro Viktor Orban recuou de uma proposta de cobrar imposto pelo uso da Internet de acordo com a quantidade de dados baixada pelos usuários da rede internacional de computador. A medida foi vista como uma forma de censura e restrição de uso da rede.

O governo Orban, do partido de direita Fidesz, é acusado de censura, autoritarismo e antissemitismo, de ser antiocidental e de se aproximar da Rússia para boicotar as sanções internacionais contra a intervenção militar do Kremlin na Ucrânia. Está negociando, por exemplo, a construção de um gasoduto até a Rússia, o que contraria a política comercial comum da União Europeia.

Estrangeiros aderem em massa ao Estado Islâmico, revela ONU

Pelo menos 15 mil estrangeiros de 80 países viajaram para a Síria e o Iraque, numa "escala sem precedentes", para aderir à milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, revela um relatório do Conselho de Segurança das Nações Unidas, citado hoje no jornal inglês The Guardian.

Ao proclamar a criação de um califado em junho, o Estado Islâmico tratou de estabelecer uma base territorial, indo além da rede terrorista Al Caeda, que sempre operou da clandestinidade. Assim está conseguindo atrair cerca de mil novos combates por mês.

"Os números desde 2010 são muitas vezes maiores do que o total acumulado entre 1990 e 2000 - e estão crescendo", afirma o relatório, produzido por um comitê do Conselho de Segurança que monitora Al Caeda. Se a rede fundada por Ossama ben Laden está enfraquecida, levou a uma grande proliferação de grupos extremistas muçulmanos, inclusive o EIIL, uma dissidência da Al Caeda no Iraque que se separou definitivamente do grupo-mãe no ano passado por causa da guerra civil na Síria.

Mais avançado tecnologicamente para se aproximar da juventude rebelde sem causa, o Estado Islâmico usa incessantemente as redes sociais para propagar suas mensagens, enquanto o último discurso de Ayman al-Zawahiri durou 55 minutos, desanimando a audiência em potencial.

A "falta de disciplina nas mídias sociais", acrescenta o relatório, indica que a liderança do EIIL "reconhece o terror e o valor de recrutamento de canais de comunicação múltiplos, uma linguagem social diversificada e outras mídias".

Presidente de Burkina Fasso renuncia

Depois de um dia de revolta em que a sede do Parlamento foi incendiada e os militares dissolveram o governo e a Assembleia Nacional de Burkina Fasso, um país da África Ocidental, o presidente Blaise Compaoré renunciou ao cargo oficialmente hoje.

O comandante das Forças Armadas, general Nabéré Honoré Traoré, prometeu formar um governo provisório para devolver o poder aos civis em no máximo 12 meses.

Compaoré, no poder desde um sangrento golpe de Estado em que o então presidente foi morto, em 1987, era o principal aliado dos Estados Unidos e da França na luta contra extremistas muçulmanos ligados à rede terrorista Al Caeda na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara.

Sua queda foi provocada por uma revolta popular contra uma proposta de emenda constitucional para autorizar Compaoré a concorrer a um quinto mandato. A multidão festejou hoje nas ruas da capital, Uagadugu. Agora, há uma expectativa de que a revolta inspire outros países africanos onde os presidentes se negam a deixar o cargo.

Burkina Fasso é um dos países mais pobres do mundo, o 181º no ranking de desenvolvimento humano das Nações Unidas, que prometeram enviar uma força de paz em conjunto com a União Africana.

Japão amplia compra de títulos para US$ 724 bilhões por ano

O Banco do Japão surpreendeu os investidores hoje ao anunciar uma expansão de seu programa ultra-agressivo de compra de títulos para retirar papéis negociados no mercado financeiro e aumentar a quantidade de dinheiro em circulação num volume anual de 80 trilhões de ienes, US$ 724 bilhões pela cotação de hoje. As bolsas da Ásia reagiram operando em alta.

Tanto o Banco do Japão quanto o Banco Central Europeu recorrem aos chamados programas de alívio quantitativo para combater a deflação e estimular o crescimento no momento em que a Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, encerra seu programa. O Fed acredita que a maior economia do mundo está recuperada, mas o Banco do Japão reduziu hoje sua previsão de crescimento para este ano para 0,5% e para 2015 de 1,4% para 1%.

Ao anunciar a ampliação do programa de compra de ativos, as autoridades monetárias japonesas afirmaram ser necessária para combater a "mentalidade deflacionária", diante do consumo fraco e da queda nos preços internacionais do petróleo. Em setembro, a inflação caiu para 1%, a menor taxa em 12 meses.

A meta de inflação do primeiro-ministro Shinzo Abe é de 2% ao ano. Desde que chegou ao poder, em dezembro de 2012, Abe mostrou determinação para reinflar a terceira maior economia do mundo e acabar com a estagnação e a deflação que já dura mais de duas décadas, entre outras razões por causa da competição estratégica com a China, que ultrapassou o Japão em 2010 para se tornar a segunda maior economia do mundo.

Depois de um sucesso inicial, a chamada abeconomia, que combina gastos públicos com aumento da quantidade de moeda em circulação e reformas estruturais, sofreu um golpe.

O aumento, em 1º de abril de 2014, de um imposto sobre consumo de 5% a 10% derrubou o produto interno bruto em 1,8% no segundo trimestre para US$ 4,9 trilhões, depois de uma alta de 1,5% no primeiro. Com a ameaça de queda de preços e o aumento do desemprego de 3,5% para 3,6% em setembro, o Banco do Japão reagiu hoje.

Até agora, as aquisições eram sobretudo de títulos de longo prazo da dívida pública do Japão. Daqui para a frente, devem triplicar as compras de títulos de fundos negociados em bolsas e de fundos de investimento imobiliário.

Com a notícia, a moeda japonesa, o iene caiu para 110 por dólar, a menor cotação desde 1º de outubro de 2014. Isso ajuda as exportações japonesas abaladas pela concorrência de países vizinhos com custos de produção muito menores, a começar pela China. Os saldos comerciais espetaculares japoneses são passado.

De 1970 a 2010, o Japão apresentou saldos comerciais positivos. Desde 2011, compra mais do que vende ao exterior. Em setembro de 2014, o déficit comercial foi de US$ 8,7 bilhões.

China equipa submarinos nucleares com armas atômicas

Num passo decisivo para neutralizar a superioridade estratégica dos Estados Unidos, a China deve armar ainda em 2014 os submarinos a propulsão nuclear de sua Marinha de Guerra com mísseis nucleares, adverte o Escritório de Inteligência Naval da Marinha dos EUA.

A China não esconde seus submarinos nucleares, observa o jornal conservador americano The Wall St. Journal. Turistas que estiveram numa estação de veraneio na província de Hainan podiam vê-los claramente no último verão no Hemisfério Norte. Na praia, guias orientavam quem alugava motos aquáticas a tomar cuidado para não se aproximar dos submarinos.

Em dezembro de 2013, o Ministério da Defesa da China tinha convidado os assessores militares estrangeiros para uma reunião em seu quartel-general, em Beijim. Para surpresa geral, anunciou que um submarino nuclear chinês passaria em breve pelo Estreito de Málaca, entre a Indonésia e a Malásia, uma das principais rotas do comércio internacional.

Dias depois de submergir no estreito, o submarino nuclear chinês veio à tona perto do Sri Lanka e a seguir no Golfo Pérsico, antes de voltar por Málaca, em fevereiro de 2014. Foi a primeira viagem revelada publicamente de um submarino nuclear da China pelo Oceano Índico.

A China realizava o sonho de ter uma Marinha de águas profundas. Não precisava na era maoísta quando era um país introvertido preocupado apenas com a defesa de seu território.

Hoje, como uma grande potência comercial, quer garantir a segurança das grandes rotas comerciais, reafirmar, à força se necessário, suas reivindicações sobre territórios e mares territoriais em disputa com países vizinhos, e impedir intervenções militares dos Estados Unidos contrárias a seus interesses no Leste da Ásia. Já tem porta-aviões, mísseis e submarinos para isso.

Da costa da China, os submarinos nucleares chineses logo serão capazes de bombardear os estados americanos do Havaí e do Alasca. Do meio do Oceano Pacífico, podem atingir o continente americano.

"É uma carta na manga que orgulha a pátria e aterroriza nossos adversários", escreveu o comandante da Marinha, almirante Wu Shengli, numa revista do Partido Comunista. "É uma força estratégica que simboliza o status de grande potência e sustenta a segurança nacional."

Os EUA entenderam: "Eles foram muito claros na mensagem", comentou o vice-almirante Robert Thomas, um ex-oficial de submarinos que hoje comanda a 7ª Frota dos EUA, baseada em Yokosuka, no Japão, com 60 navios, 300 aviões de combate e 40 mil soldados da Marinha e do Corpo de Fuzileiros Navais distribuídos também por outras bases na Coreia do Sul e do Japão.

Nos últimos dias, a Índia e o Vietnã reafirmaram uma aliança militar destinada sobretudo a conter a China, que começou a explorar petróleo em ilhas disputadas com o Vietnã e reagiu à força diante da aproximação de navios vietnamitas.

Em 2011, a China protestou contra a presença de um navio de guerra indiano no Vietnã. Quando a Índia e o Vietnã assinaram um acordo para explorar petróleo, em setembro daquele ano, o regime comunista chinês reafirmou que "a China tem soberania indiscutível sobre o Mar da China Meridicional".

A China também tem disputas territoriais com a Coreia do Norte, o Japão, Taiwan, Brunei, as Filipinas, a Índia, a Indonésia e a Malásia. Todos observam com atenção e, à exceção da Índia, com uma sensação de impotência para o desenvolvimento dos submarinos chineses.

Com o aumento do poderio militar chinês, cada vez menos os outros países asiáticos confiam nos EUA para garantir sua segurança. Não acreditam que os americanos estejam dispostos a enfrentar a China se a segurança nacional dos EUA não estiver diretamente em jogo.

Meses atrás, ao comentar a decisão do presidente Barack Obama de não bombardear a Síria apesar de ter ameaçado fazer isso se o governo usasse armas químicas na guerra civil, um general e professor da Academia Militar da China ironizou, dizendo que os EUA estão com um problema de "disfunção erétil". Já o regime comunista chinês está disposto a esmagar quem ousar se atravessar na sua marcha para se tornar uma superpotência.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Diretor-presidente da Apple tem orgulho de ser gay

Tim Cook, da Apple, tornou-se hoje o primeiro diretor-presidente de uma grande empresa americana cotada na Bolsa de Valores de Nova York a admitir publicamente que é homossexual: "Tenho orgulho de ser gay", disse.

Altamente respeitado no mercado, Cook declarou não estar interessado em expor sua vida íntima. Ele decidiu "sair do armário" pensando nas pessoas que sofrem por serem homossexuais.

Um caso anterior era o de Lorde John Browne, ex-diretor-presidente da companhia petrolífera BP, a antiga British Petroleum, mas ele só assumiu publicamente seu homossexualismo depois de deixar a empresa.

Exército toma o poder em Burkina Fasso mas ditador se nega a sair

Horas depois de uma multidão incendiar o Parlamento, o Exército de Burkina Fasso, um país da África, derrubou hoje o presidente Blaise Compaoré, no poder há 27 anos, dissolveu o governo e a Assembleia Nacional, e prometeu restaurar a democracia dentro de um ano, informou agora à noite a rede de televisão americana CNN.

Sob a alegação de que é o melhor para o país e de que tem apoio da "opinião pública nacional e internacional", "o governo está dissolvido", declarou o comandante do Estado-Maior das Forças Armadas Nacionais de Burkina Fasso, general Nabéré Honoré Traoré, que aparece no YouTube numa visita ao Marrocos no ano passado. Ele acrescentou: "Um governo provisório será estabelecido para preparar o retorno à ordem constitucional dentro de no máximo 12 meses."

Mas Compaoré se nega a renunciar. Depois de decretar estado de emergência, em entrevista ao Canal 3 da televisão de Burkina Fasso, o presidente voltou atrás e insistiu em abrir um diálogo nacional. Ele prometeu retirar a proposta de emenda constitucional para autorizar sua reeleição e deixar o cargo no fim do atual mandato, em 2015.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, pediu "calma e contenção" aos manifestantes para evitar mais violência. A ONU e a União Africana vão realizar uma missão de paz conjunta.

A França, antiga potência colonial, considera Burkina Fasso um aliado importante no combate à rede terrorista Al Caeda e seus aliados na região do Sahel, no Sul do Deserto do Saara. Também pediu calma.

Apesar da revogação do estado de emergência de Compaoré, está em vigor um toque de recolher noturno das 19h às 6h imposto pelo Exército.

Israel mata palestino e fecha acesso à Esplanada das Mesquitas

Um esquadrão antiterrorista de Israel matou hoje o palestino Moataz Hejazi, suspeito de atirar no rabino Yehuda Glick, um ativista que luta para que os judeus tenham amplo acesso ao lugar sagrado que chamam de Monte do Templo, enquanto os muçulmanos o conhecem como Esplanada das Mesquistas, parte da Cidade Antiga de Jerusalém. É o lugar mais sagrado do judaísmo e o terceiro lugar mais sagrado para o Islã, de onde o profeta Maomé teria subido aos céus.

Pela primeira vez desde o ano 2000, Israel limitou o acesso ao local, onde os muçulmanos costumam ir em massa nas sextas-feiras, sua folga semana religiosa. Promete reabri-lo amanhã.

"Esta perigosa escalada israelense é uma declaração de guerra ao povo palestino e a lugares sagrados para a nação árabe e o Islã", reagiu Naibul Abu Rudeineh, porta-voz da Autoridade Nacional Palestina.

A polícia israelense encontrou uma pistola e uma motocicleta na casa do suspeito, que havia passado 11 anos em prisões israelenses, onde entrou para a milícia Jihad Islâmica para a Libertação da Palestina. Hejazi prometeu ser "um espinho para os sionistas". 

Glick está hospitalizado em estado grave mas estável. Ele fazia campanha por maior acesso dos judeus ao Monte do Templo. Por causa das mesquitas, a área é administada por autoridades muçulmanas. Com base num acordo feito há décadas, os judeus não podem rezar no alto do monte, só no Muro das Lamentações, a parede oriental do antigo Tempo de Jerusalém.

O monte tornou-se um pomo da discórdia entre os dois povos e as duas religiões. Os fundamentalistas judeus sonham em reconstruir o templo. Isso exigiria a destruição das mesquitas.

Uma visita do então líder da oposição em Israel, o notório linha-dura Ariel Sharon, ao local sagrado, em 28 de setembro de 2000, deflarou a Segunda Intifada (revolta árabe), enterrando a tentativa do então presidente americano Bill Clinton de negociar a paz entre israelenses e palestinos. O último fechamento do local tinha sido para a visita de Sharon.

Nesta quinta-feira, a Suécia tornou-se o primeiro país da União Europeia a reconhecer oficialmente a Palestina como um país independente, o que o Brasil já fez. Em protesto, Israel retirou seu embaixador em Estocolmo.

Indiano é preso por homossexualismo

Um homem de 32 anos foi preso na cidade de Bangalore com base no artigo 337 do Código Penal da Índia depois que sua mulher o flagrou com uma câmera indiscreta mantendo relações com outro homem, noticiou o jornal Hindustan Times.

A mulher suspeitou porque os dois não faziam sexo há muito tempo, dormiam em quartos separados e vários homens visitavam a casa. Decidiu, então, instalar uma câmera escondida. Em 20 de outubro, ela entregou à polícia um disco com as imagens.

"É um dos primeiros casos desde o veredito da Suprema Corte no ano passado", comentou Sandip Patil, subchefe de polícia de Bangalore, centro da florescente indústria de informática da Índia, em entrevista à televisão pública britânica BBC.

Em 2013, o supremo tribunal indiano revogou uma decisão de um tribunal de recursos que havia considerado inconstitucional o art. 337, uma herança de 153 anos do domínio imperial britânico. O artigo considera crimes atividades sexuais "contra a ordem da natureza", o que criminaliza o homossexualismo. A pena máxima é de prisão perpétua.

Multidão toca fogo no Parlamento em Burkina Fasso

Milhares de manifestantes marcharam hoje pelas ruas de Uagadugu e incendiaram o Parlamento de Burkina Fasso para impedir a votação de uma emenda constitucional para autorizar o presidente Blaise Compaoré, no poder desde 1987, se candidate a mais uma reeleição, em 2015.

O ditador decretou estado de emergência. Para dissipar dúvidas se ele ainda estava no país, Compaoré deu entrevista a uma rádio do interior. Anunciou a dissolução do governo e propôs diálogo com a oposição.

A Constituição de Burkina Fasso limita em dois mandatos o período máximo de governo de um presidente. Compaoré tentaria o quinto. A antiga República do Alto Volta é um país mais pobres do mundo, o 181º do mundo pelo índice de desenvolvimento humano calculado pelas Nações Unidas.

A maioria dos deputados não havia chegado quando o fogo começou. Os que estavam lá se refugiaram num hotel próximo. A sede do Parlamento não foi totalmente destruída, mas móveis e utensílios foram jogados pelas janelas.

Durante seu longo reinado, Compaoré apoiou Charles Taylor, um senhor da guerra que virou presidente da Libéria e hoje cumpre pena de 50 anos de prisão por crimes de guerra e contra a humanidade na guerra civil na vizinha Serra Leoa. Também se aliou a rebeldes em Angola e na Costa do Marfim, embora depois tenha se oferecido como mediador na Costa do Marfim.

Recentemente, Compaoré negociou a libertação de reféns europeus sequestrados por extremistas muçulmanos na África e mediou as negociações de paz entre o governo do Mali e os rebeldes separatistas tuaregues do Movimento Nacional de Libertação de Azawade. Um acordo tornou possível a eleição presidencial de julho de 2013 no Mali.

Em 2011, durante uma onda de protestos contra a inflação nos preços dos alimentos, lojas foram saqueadas e carros roubados, inclusive por soldados do Exército Nacional. Em abril daquele ano, soldados amotinados tomaram o palácio presidencial. Compaoré fugiu, mas conseguiu reassumir o controle da situação. Agora, seu reinado está perto do fim.

EUA crescem em ritmo de 3,5% ao ano superando expectativa

A economia dos Estados Unidos superou as expectativas e cresceu de julho a setembro num ritmo anual de 3,5%, anunciou hoje o Departamento do Comércio em sua primeira estimativa sobre o crescimento do produto interno bruto no terceiro trimestre de 2014. O mercado esperava 3%.

Os EUA crescem quase 12 vezes mais do que a taxa de 0,3% prevista para a economia brasileira em 2012. Depois de uma queda de 2,1% ao no primeiro trimestre do ano, atribuída ao inverno rigoroso, a economia americana deu um salto de 4,6% visto em parte como compensação pela contração no início do ano. O número divulgado hoje era esperado como um indicador mais preciso da situação.

"A tendência de crescimento está melhorando gradualmente, mas talvez menos do que sugere este número", observou o economista Jay Feldman, diretor de pesquisas sobre a economia dos EUA do banco Credit Suisse.

Esse crescimento foi atribuído ao aumento nos gastos públicos com defesa por causa da guerra contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante e de uma pequena redução no déficit comercial da maior economia do mundo, apesar das dificuldades em outras regiões, especialmente na Zona do Euro. A queda de 25% nos preços internacionais do petróleo desde junho ajudou a balança comercial e reduziu os custos para empresas e consumidores.

Duas dúvidas são se esse ritmo de crescimento é sustentável e se pode antecipar o início nas alta na taxa básica de juros.

Ontem, a Reserva Federal (Fed) encerrou o programa de compra de títulos para aumentar a quantidade de dinheiro em circulação e assim estimular a economia depois de seis anos em que injetou US$ 3,7 trilhões no mercado. O próximo passo para a normalização da política monetária e aumentar os juros.

A inflação ao consumidor está em 2,3% ao ano, informou o mesmo relatório. Como Fed persegue informalmente uma meta de inflação de 2%, a persistir esse índice de crescimento de preços, pode antecipar a primeira alta de juros desde dezembro de 2008, prevista para meados do próximo ano.

No momento, os três principais indicadores das Bolsas de Nova York estão em alta, embalados também pelo menor número de novos pedidos de seguro-desemprego em 11 anos.

Secularistas vencem eleições na Tunísia sem maioria absoluta

Nas primeiras eleições parlamentares no país depois da Primavera Árabe, o partido Nidaa Tounis (Convocação pela Tunísia) conquistou 85 das 217 cadeiras da Assembleia Nacional da Tunísia em 26 de outubro de 2014, vencendo o partido islamita moderado Nahda, que elegeu 69 deputados. O resultado oficial foi confirmado hoje

Foram as primeiras eleições parlamentares depois da Primavera Árabe no único país em que a revolta árabe resultou em democracia.

Sem os 109 deputados necessários para obter maioria absoluta, pode formar um governo com o apoio pequenos partidos laicos, mas está sob pressão interna e externa para incluir o Nahda numa grande coalizão.

OTAN intercepta aviões de guerra da Rússia

Aviões de caça da Organização do Tratado do Atlântico Norte foram acionados ontem a anteontem para interceptar bombardeiros da Rússia sobre o Oceano Atlântico e o Mar Negro e caças no Mar Báltico. A movimentação da Força Aérea da Rússia foi considerada incomum neste momento de tensão por causa da intervenção militar russa na Ucrânia.

Ao todo, quatro esquadrões aéreos russos foram interceptados em 24 horas e a atividade aérea incomum continuava na tarde de ontem, informou a OTAN, citada pelo jornal inglês The Guardian.

Na maior manobra, quatro bombardeiros estratégicos Tupolev Tu-95, o equivalente aos bombardeiros B-52 dos Estados Unidos, sobrevoaram o Mar da Noruega na madrugada de quarta-feira, 29 de outubro de 2014, acompanhados por quatro aviões de reabastecimento aéreo.

Um grupo de caças F-16 da Noruega seguiu os bombardeiros até que a formação se desmancou. Seis aviões voltaram para a Rússia. Dois Tupolevs seguiram para o sul, onde foram interceptados por caças Typhoon, da Força Aérea Real britânica. F-16s de Portugal acompanharam os aviões russos até o Oceano Atlântico, antes que voltassem para casa.

"Vemos aviões russos no nosso espaço aéreo regulamente. O que é incomum é o grande número de aeronaves e terem ido muito mais ao sul do que costumam ir", comentou um porta-voz militar norueguês.

Em outros incidentes, dois Tupolevs Tu-95 e dois caças foram interceptados por caças da Turquia ontem no Mar Negro e sete aviões russos foram monitorados no Mar Báltico.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Fed encerra compra de títulos para colocar mais dinheiro em circulação

A Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, anunciou hoje que encerra no fim deste mês o "programa de alívio quantitativo", a compra de títulos públicos para aumentar a quantidade de dinheiro em circulação e assim estimular a economia do país a sair da crise. Neste mês de outubro de 2014, o Fed comprou títulos no valor de US$ 15 bilhões.

Ao todo, desde o início da crise, o Fed colocou em circulação mais US$ 3,7 trilhões. A dúvida é se a maior economia do mundo já consegue andar com suas próprias forças.

O próximo passo para normalizar a política monetária será elevar as taxas básicas de juros. No momento, o mercado prevê que isto aconteça em meados de 2015. Vai depender do comportamento da inflação. O Fed segue informalmente uma meta de 1% a 2% ao ano. O índice de preços ao consumidor está em 1,5% desde setembro de 2012.

Depois de baixar a taxa básica de juros para praticamente zero em dezembro de 2008, diante da Grande Recessão deflagrada pelo colapso do banco de investimentos Lehman Brothers três meses antes, o banco central americano entendeu que o único instrumento de política monetária capaz de estimular a economia era colocar mais dinheiro em circulação, imprimir dinheiro.

De dezembro de 2008 a junho de 2010, o banco central americano comprou títulos de crédito imobiliário no valor de US$ 600 bilhões. Os EUA saíram da recessão no terceiro trimestre de 2009, mas, como foi a crise financeira mais séria desde a Grande Depressão (1929-39), as dívidas pessoais e do governo frearam a retomada no consumo.

Em agosto de 2010, concluindo que a recuperação era frágil e estava ameaçada, o banco central dos EUA passou a comprar notas do Tesouro Nacional, títulos da dívida pública americana no valor de US$ 30 bilhões por mês.

A segunda rodada de alívio quantitativo começou logo depois. De novembro de 2010 a junho de 2011, o Fed comprou mais US$ 600 bilhões em títulos do Tesouro. Ainda não foi suficiente para tirar os EUA da lona.

Uma terceira etapa foi anunciada em 13 de setembro de 2012, quatro anos depois da falência do Lehman Brothers. Por 11-1, o Conselho da Reserva Federal, a diretoria do banco central dos EUA, decidiu comprar US$ 40 bilhões por mês em títulos da dívida pública e da dívida hipotecária por prazo indeterminado. Esse valor foi elevado para US$ 85 bilhões por mês em dezembro de 2012.

Como esta é uma política monetária não convencional que só havia sido aplicada no Japão no início do século 21 para combater a estagnação e a deflação, o fim do programa foi lento e gradual para evitar sobressaltos.

No Brasil, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, denunciou uma "guerra cambial" quando o banco central dos EUA começou a imprimir dólares, como se o objetivo fosse simplesmente desvalorizar a moeda para baixar o preço e aumentar a competitividade das exportações americanas.

Durante seis anos, houve uma abundância de dólares no mercado internacional, com benefício para os países emergentes, que não estavam em crise como os países ricos e tinham grande oferta de capital.

Quando as taxas de juros do Fed começarem a subir, vai haver um aumento do fluxo de dólares em direção aos EUA. Isso pode causar problemas num momento em que as contas externas brasileiras estão deficitárias. A expectativa é de alta do dólar.

O Banco da Inglaterra usou a mesma estratégia para tirar o Reino Unido da crise, comprando 375 bilhões de libras em bônus da dívida pública. São US$ 600 bilhões ou R$ 1,477 trilhão pela cotação de hoje. Na atual conjuntura, o Banco do Japão e o Banco Central Europeu estão comprando títulos para evitar a deflação e atingir a meta de inflação de 2% ao ano.

A proposta do Fed era manter a enxurrada de dólares até que a taxa de desemprego nos EUA caísse para 6,5%. Já está em 5,9%, o que mostra a cautela das autoridades monetárias em desativar o programa. Nos últimos 12 meses, houve um saldo de 2,6 milhões entre empregos gerados e eliminados.

O início do fim do programa foi anunciado pelo então presidente, Ben Bernanke, em junho de 2013, se os indicadores econômicos fossem positivos. Em setembro, o Fed resolveu manter o programa. Finalmente, em dezembro de 2013, o banco central dos EUA prometeu reduzir gradualmente o programa de alívio quantitativo num ritmo de menos US$ 10 bilhões a cada mês.

FARC lançam onda de ataques na Colômbia

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) fizeram hoje vários ataques em diferentes pontos do país, apesar das negociações de paz em andamento em Cuba.

Várias bombas explodiram em estradas da região de Palmira, no vale do Rio Cauca. Em Piendamo, no departamento de Cauca, uma delegacia de polícia foi atacada.

Em Toledo, no departamento de Antióquia, os guerrilheiros esquerdistas tocaram fogo num ônibus. O mesmo aconteceu com outro ônibus, que viajava entre os departamentos de Meta Guaviare, revelou o Exército da Colômbia.

O governo do presidente Juan Manuel Santos negocia há anos o fim da longa guerra civil colombiana, que teria matado 300 mil pessoas nas últimas cinco décadas. Depois de vários avanços, o processo de paz está estagnado em torno das condições para desmobilização dos guerrilheiros.

No passado, grupos rebeldes que fizeram acordos de paz para entrar na vida política foram dizimados por esquadrões da morte.

Presidente da Zâmbia morre em Londres

O presidente da Zâmbia, Michael Sata, morreu hoje aos 77 anos em Londres, onde recebia tratamento para uma doença não revelada, informou a agência de notícias Bloomberg.

Sata foi policial, ferroviário e líder sindical durante o período colonial britânico. Ele entrou na política em 1983, um ano antes da independência transformar a antiga Rodésia do Norte na Zâmbia. Em 1985, foi nomeado pelo presidente Kenneth Kaunda para governar a capital do país, Lusaka.

Descontente com o autoritarismo de Kaunda, em 1991, Sata aderiu ao Movimento pela Democracia Multipartidária. Em 2001, saiu para fundar a Frente Patriótica, pela qual foi eleito presidente em 2011. Ele estava doente há algum tempo. Sua morte levanta a questão sucessória num dos poucos países africanos com um verdadeiro multipartidarismo e alternância no poder.

A Zâmbia é o segundo maior produtor de cobre da África. Sata denunciou várias vezes a exploração dos trabalhadores do país por empresas chinesas ávidas pelos recursos naturais da África.

O vice-presidente Guy Scott assumiu a Presidência interinamente até a realização de uma nova eleição presidencial dentro de 90 dias. É o primeiro branco a chefiar um governo da África Subsaariana em 20 anos, desde a queda do regime segragacionista do apartheid na África do Sul, em 1994. Como seus pais nasceram na Escócia, a Constituição da Zâmbia não permite que ele seja presidente. Só podem ser eleitos nativos do país.

EUA dizem que Netanyahu não é "merda de galinha"

Na sua guerra verbal com o governo conservador de Israel, os Estados Unidos foram obrigados a desautorizar um alto funcionário que chamou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de "merda de galinha" em protesto contra a autorização para construir mais mil casas no setor árabe de Jerusalém, ocupado desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e parcialmente anexado ilegalmente.

"O problema de Bibi é que... ele é merda de galinha", desabafou o funcionário, frustrado com o boicote da direita israelense aos esforços do governo Barack Obama para intermediar a paz entre Israel e os palestinos, citado por Jeffrey Goldberg na revista americana The Atlantic.

Netanyahu foi considerado covarde pelo mesmo alto funcionário: "O lado bom é que ele tem medo de iniciar uma guerra. O lado ruim é que ele não vai fazer nada para fazer a paz com os palestinos ou com países árabes sunitas."

A nota oficial de protesto israelense, citada no jornal liberal Haaretz, não demorou: "Netanyahu vai continuar defendendo os interesses da segurança de Israel e os direitos históricos do povo judeu em Jerusalém. Nenhuma pressão será capaz de mudar isso." 

Horas depois, a Casa Branca se desculpou: "Acreditamos que esses comentários são inapropriados e contraproducentes", declarou Alistair Baskey, da assessoria de imprensa da Presidência dos EUA. "O primeiro-ministro Netanyahu e o presidente forjaram uma parceria efetiva e se consultam frequentemente, como no início deste mês, quando o presidente recebeu Netanyahu no Salão Oval."

Para a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, a declaração veio de uma fonte não identifica, e "nem o presidente Obama nem o secretário de Estado Kerry a considera acurada ou apropriada".

Curdos iraquianos entram na guerra civil na Síria

 Cerca de 150 soldados do semiautônomo Curdistão iraquiano entraram hoje na Síria com armas pesadas para ajudar a defender a cidade curda de Kobane, que está há dois meses sob ataque da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, noticiou a televisão árabe Al Arabiya.

Rebeldes do Exército da Síria Livre também entraram na Batalha de Kobane ao lado dos curdos sírios, que até agora eram as únicas forças terrestres resistindo ao assalto dos extremistas muçulmanos, com apoio da Força Aérea dos Estados Unidos e seus aliados, informa a agência de notícias Associated Press.

"Os governos ocidentais precisam aumentar a pressão sobre a Turquia para que as forças curdas e suas armas cheguem a Kobane através da fronteira turca. Acreditamos que este corredor, e não o transporte limitado de forças proposto pela Turquia, deve ser aberto sob a supervisão das Nações Unidas", pediu Meysa Abdo, um dos comandantes da resistência em Kobane, em artigo publicando no jornal The New York Times.

Durante mais de um mês, o governo turco relutou em dar passagem aos guerrilheiros curdos porque eles são ligadas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que luta há 30 anos para fundar o Curdistão em parte do Sudeste da Turquia e há dois anos entrou em negociações de paz. A passagem de curdos iraquianos poderia servir para reforçar o PKK.

A convergência de guerrilheiros curdos iraquianos e de rebeldes árabes indica a determinação dos EUA de evitar a queda de Kobane por causa do impacto psicológico que teria, observa Jim Muir, da televisão pública britânica BBC: "Seu impacto pode demorar um pouco a ser sentido, mas as armas pesadas dos curdos iraquianos podem ter uma importância maior do que o número de novos combatentes, que devem exercer funções de apoio e não lutar nas frentes de combate."

Com o papel central dos curdos do Iraque como força terrestre na guerra contra o Estado Islâmico, será cada vez mais difícil ignorar a reivindicação da independência do Curdistão. "Quanto mais os curdos participarem da guerra contra o EIIL, maior retorno vão querer", comenta a revista inglesa The Economist.

Popularidade de Putin cai

Pela primeira vez desde o início do ano, a popularidade do presidente da Rússia, Vladimir Putin, está em queda, indica uma pesquisa do Centro Levada noticiada ontem pelo jornal The Moscow Times. Se houvesse uma eleição presidencial hoje no país, só 49% votariam em Putin, contra 57% em agosto.

A popularidade de Putin cresceu no início do ano com a crise na Ucrânia e a anexação da Crimeia, apresentada na propaganda oficial como uma defesa de russos que supostamente estariam sendo perseguidos na ex-república soviética.

Putin domina a política russa desde o ano 2000, quando foi eleito presidente pela primeira vez. De 2008 a 2012, ele passou a Presidência para Dimitri Medvedev e foi primeiro-ministro.

Com a intervenção militar na Ucrânia e a imposição de sanções pelos Estados Unidos e a Europa, seu governo está se tornando cada vez mais nacionalista e linha dura. Reprime a oposição interna e tenta se afastar de quaisquer valores e influências ocidentais.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Austrália nega visto para pessoas de países com epidemia de ebola

A decisão do governo conservador da Austrália de proibir a entrada de pessoas dos países mais afetados pela atual epidemia de ebola na África Ocidental foi considerada hoje "discriminatória" e "contraproducente" por Serra Leoa. Também foi criticada pela organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional e pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, informa a televisão pública britânica BBC.

Cerca de 5 mil pessoas morreram da doença nesta epidemia, quase todas na Libéria, na Guiné e em Serra Leoa. A pretexto de se proteger, a Austrália cancelou hoje todos os vistos temporários e não permanentes. Os novos pedidos de imigração foram cancelados. Quem já tiver o visto de residência permanente e vier desses três países terá de se submeter a uma quarentena de 21 dias, período de incubação da doença.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) teme que esse tipo de atitude leve as pessoas a esconderem sua origem ou passagem por países com alta incidência de casos, dificultando o rastreamento do vírus ebola e o controle da doença.

Como os países mais atingidos são muito pobres, é mais eficiente para um país rico como a Austrália enviar recursos para acabar com a doença no nascedouro antes que a epidemia saia de controle. Já houve 10 mil casos e há o medo de que daqui a um mês haja 10 mil novos casos. Na Libéria, cada doente está infectando 2,2 pessoas. O vírus ebola está se propagando em progressão geométrica.

Arábia Saudita congela reaproximação com o Irã

Depois de seis meses de uma tentativa de se aproximar pela primeira vez da rival República Islâmica do Irã, a Arábia Saudita abortou a iniciativa diplomática por entender que não está ajudando a conter o regime dos aiatolás. Ao contrário, estaria abrindo espaço para aumentar a influência iraniana no Oriente Médio.

Numa reviravolta, o governo saudita passou a enfrentar o Irã em todas as frentes, como em guerras indiretas no Iêmen, na Síria e no Iraque. Acredita que precisa acumular força para ter melhores condições de negociar.

A Arábia Saudita, onde ficam as cidades sagradas de Meca e Medina, se considera guardiã dos princípios do islamismo e do mundo árabe. Sob a perspectiva saudita, o Irã é um grande país persa situado na extremidade leste do Oriente Médio que usa o xiismo, a sua corrente do islamismo, para projetar seu poderio no mundo árabe.

Com a queda da ditadura sunita de Saddam Hussein, a maioria xiita assumiu o poder no Iraque. Há então hoje um arco xiita que começa no Irã e segue pelo Iraque, a Síria e o Líbano até o Mar Mediterrâneo.

Os sauditas professam o wahabismo ou salafismo, uma seita ultrapuritana do islamismo, a mesma da rede terrorista Al Caeda (Ossama ben Laden era saudita) e do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que vê o xiismo como um desvio do verdadeiro Islã.

Desde maio, quando a Arábia Saudita anunciou disposição de iniciar um diálogo com seu maior adversário geopolítico, houve uma série de encontros bilaterais públicos. O último foi em 22 de setembro, em Nova York, durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas, quando se reuniram os ministros do Exterior iraniano, Javad Zarif, e saudita, príncipe Saud al-Faissal.

Por um momento, parecia que a ameaça comum do Estado Islâmico pressionava as duas potências regionais a trabalhar em conjunto pela segurança do Oriente Médio. Há um conflito entre sunitas e xiitas que vai da região ao leste de Bagdá, no Iraque, até o Líbano, passando pela Síria.

Na região mais conflagrada do mundo, o diálogou não durou. Em 13 de outubro, ao receber o ministro do Exterior da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, em Jedá, o príncipe Saud atacou o Irã, acusando-o de manter forças de ocupação na Síria, no Iraque e no Iêmen.

O chanceler saudita responsabilizou a república islâmica por vários conflitos na região e advertiu: "Se o Irã quiser ser parte da solução na Síria, deve retirar suas forças de lá e de outros países."

Foi um golpe no diálogo. Para o principal negociador iraniano, o vice-ministro do Exterior, Amir Abdollahian, "se os comentários foram citados com precisão, pode-se dizer que vão contra a atmosfera existente. Sugerimos que a Arábia Saudita seja cautelosa com teorias conspiratórias e não perca a chance de ter um papel positivo na região."

Na visão saudita, as propostas iranianas de uma fraternidade pan-islâmica e união entre sunitas e xiitas são demagógicas e dissimuladas. Tentam criar uma falsa sensação de coexistência pacífica que os sauditas e outros sunitas consideram inviável. Assim, só podem ser neutralizadas se os sunitas tiverem uma posição negociadora forte. A própria disposição para negociar seria vista como sinal de fraqueza pelo rival.

A Arábia Saudita vê na república teocrática iraniana uma ameaça à sua monarquia absolutista. A Primavera Árabe derrubou repúblicas autoritárias e fracassou em todos os países, menos na Tunísia, sem afetar diretamente as monarquias petroleiras. Mas deixou no ar uma pressão latente por reformas até mesmo na monolítica elite saudita.

Ao mesmo tempo, aumentou o espaço de manobra do Irã, que chegou a saudar os movimentos pela democracia da Primavera Árabe como um "renascimento muçulmano" em repúdio a ditadores apoiados pelo Ocidente.

O governo saudita apostava na queda de Bachar Assad na Síria para minar a influência iraniana no mundo árabe, mas o ditador resistiu. Os rebeldes apoiados pelos sauditas foram menos capazes no campo de batalha do que a Frente al-Nusra, ligada à rede Al Caeda, e o Estado Islâmico. A relutância do presidente Barack Obama em apoiar a estratégia de mudança de regime na Síria irritou os sauditas.

Sob pressão por causa da difusão do fundamentalismo sunita que exporta desde que enriqueceu com a crise do petróleo dos anos 1970s, a Arábia Saudita está mais fraca no momento, enquanto o Irã se reabilita perante a sociedade internacional negociando com os Estados Unidos uma possível desmilitarização de seu programa nuclear.

Os EUA e o Irã ainda têm um considerável progresso a fazer se quiserem chegar a um acordo nuclear até a data-limite de 24 de novembro de 2014. Mesmo sem acordo, nenhum dos dois países tem interesse em desprezar o avanço nas relações bilaterais desde que aiatolá moderado Hassan Rouhani foi eleito presidente do Irã. Estavam rompidos desde a invasão da Embaixada dos EUA em Teerã, em 1979, depois da revolução islâmica.

Uma das principais revelações dos documentos do Departamento de Estado americano vazados pelo WikiLeaks há poucos anos foi um apelo do sultão da Arábia Saudita para que os EUA atacassem o Irã para destruir seu programa nuclear. Uma bomba atômica iraniana certamente vai deflagrar uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio.

Agora, os sauditas estão convencidos de que têm de cuidar eles mesmo de sua segurança. Estão treinado rebeldes sírios na Turquia com o apoio dos EUA, mas organizam seus próprios aliados para lutar contra o grupo xiita huti no Iêmen. O desafio é como enfrentar o Irã sem fortalecer milícias jihadistas como o Estado Islâmico.

Enquanto o conflito Irã-Arábia Saudita não for controlado, o esforço de guerra dos EUA e seus aliados contra o Estado Islâmico será enfraquecido e o Oriente Médio ficará sob a ameaça de uma grande conflagração entre sunitas e xiitas.

Para agravar a situação, um tribunal saudita condenou à morte recentemente o xeque Nimr al-Nimr, um clérigo dissidente xiita preso em 2012.

Peru enterra mortos da "guerra suja" contra o Sendero Luminoso

Oitenta famílias deixaram na semana passada suas casas nos vales e montanhas nos Andes peruanos e foram até a cidade de Ayacucho receber os restos mortais de 80 das 1.689 vítimas da "guerra suja" do Peru contra o grupo guerrilheiro de inspiração maoísta e polpotiana Sendero Luminoso já identificados, noticiou a televisão pública britânica BBC.

A última guerra civil peruana durou de 1980 a 2000 e matou 70 mil pessoas, de acordo com a Comissão da Verdade criada pelo governo em 2003.

Uma equipe de médicos legistas começou a exumar em 2006 os restos mortais de vítimas enterradas clandestinamente em covas rasas. Esses restos devolvidos agora foram de cadáveres exumados entre 2011 e 2013 nas províncias de Ayacucho e Huncavélica. Os legistas acreditam ter encontrado os restos de 2.925 pessoas e identificado 1.689.

Das 80 vítimas com restos devolvidos, 51 foram mortas pelo Sendero Luminoso e 29 pelas forças de segurança. A maioria era adulta, homens e mulheres. Duas estavam grávidas.

Durante o governo Alberto Fujimori (1990-2000), para derrotar o Sendero, o diretor do Serviço Nacional de Inteligência, Vladimiro Montesinos, criou o esquadrão da morte conhecido como Grupo Colina, acusado de sequestro, tortura e desaparecimento de pessoas. Depois de ser flagrado pela televisão comprando deputados para aderirem ao governo, Montesinos fugiu para o Panamá e Fujimori renunciou.

Sob pressão dos Estados Unidos, em junho de 2001, o Panamá entregou Montesinos à Venezuela, que o extraditou para o Peru.

Hoje Montesinos está numa prisão de segurança máxima numa base naval em Callao, o porto de Lima. Está respondendo a 63 acusações, de tráfico de drogas a assassinato. Já foi condenado a 20 anos de prisão pelo tráfico de 10 mil fuzis para a guerrilha colombiana.

Fujimori foi sentenciado a 25 anos de prisão em 2009 pelas atividades do Grupo Colina. Tem outras condenações por corrupção e abuso de poder, mas, pela lei peruana, a pena máxima é de 25 anos.

Resultado oficial confirma vitória da Frelimo em Moçambique

A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder desde a independência do país, em 1975, e seu candidato a presidente, Filipe Nyusi, venceram as eleições nacionais de 15 de outubro de 2014, indicam os resultados oficiais provisórios das 11 provínciais moçambicanos.

Afonso Dhlakama, da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), um antigo grupo rebelde direitista, ficou em segundo lugar com 36%. Daviz Simango, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), uma dissidência da Renamo, ficou em terceiro com 6,5%.

Nas eleições parlamentares, a Frelimo teve os mesmos 57%, uma queda forte em reação a 2009, quando teve 75% dos votos. A Renamo obteve 34% e o MDM, 9%. Outros 27 partidos não conquistaram nenhuma cadeira no Parlamento.

Em pelo menos três províncias do Norte de Moçambique, a oposição denunciou fraude e a situação é tensa.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Vitória de Dilma derruba ações brasileiras nos EUA e na Europa

A reeleição da presidente Dilma Rousseff por margem estreita derrubou a cotação das empresas brasileiras com ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York.

As ações da Petrobrás caíram hoje 14,23%, enquanto a Vale perdeu 6,18% e um fundo de ações brasileiras (EWZ.P) 4,97%, noticiou, a agência Reuters.

Na Europa, o fundo Lyxor ETF Brazil, vendido na Bolsa de Paris, chegou a cair 10,4%, atingindo o menor nível em sete meses. Na Bolsa de Milão, na Itália, o mesmo fundo baixou 11,6%, enquanto o iShares MSCI Brazil ETF, negociado em Frankfurt, na Alemanha, recuou 8,8%, informou o Financial Times, principal diário econômico-financeiro do continente.

O real foi a moeda mais desvalorizada no mundo hoje. Baixou a seu menor valor em 10 anos. No mercado internacional, chegou a cair 3,1% em relação ao dólar, que fechou em R$ 2,52. No fim do dia, o jornal americano The Wall St. Journal anunciou uma alta do dólar de 2,07% em relação ao real.

EUA já gastaram US$ 663 milhões na guerra contra Estado Islâmico

Os Estados Unidos estão gastando US$ 8,3 milhões por dia na guerra aérea contra a milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, revelou hoje o Departamento da Defesa (Pentágono). Desde o início da intervenção militar, em 8 de agosto de 2014, o total chega a US$ 666 milhões.

A intervenção começou para salvar os curdos da minoria yazidi, que estavam cercados e sob ameaça de extermínio no Norte do Iraque. Tornou-se uma campanha permanente para "degradar e destruir" as forças do Estado Islâmico, nas palavras do presidente Barack Obama, depois que dois jornalistas americanos sequestrados na Síria foram degolados.

Pela estratégia de Obama, que articulou uma ampla "coalizão de voluntários" com países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), os países americanos e europeus não vão colocar soldados no solo para realizar operações terrestres. Muitos analistas duvidam do sucesso.

Na semana passada, os guerrilheiros curdos conquistaram as primeiras vitórias contra o EIIL. Cerca de 600 pessoas foram mortas até agora nos bombardeios, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Em sua ofensiva para impor um califado fundamentalista muçulmano sunita no Iraque e no Levante, o Estado Islâmico perseguiu e expulsou minorias religiosas nos territórios ocupados, especialmente os cristãos e os muçulmanos de outras correntes do islamismo.

Tunísia faz primeiras eleições parlamentares desde a Primavera Árabe

Cerca de 60% dos 5,2 milhões de eleitores da Tunísia participaram ontem das primeiras eleições parlamentares desde a queda do ditador Zine al-Abidine Ben Ali, em 14 de janeiro de 2011, na primeira e única revolta bem-sucedida da chamada Primavera Árabe. Estão em jogo 217 cadeiras na Assembleia Nacional.

O grande duelo é entre o partido islamita Nahda e a aliança secularista de centro-esquerda Nidaa Tounis. Para abafar as críticas de radicalismo muçulmano, o líder do Nahda, Rachid Ghanouchi, prometeu formar a coalizão mais ampla possível, se vencer as eleições.

domingo, 26 de outubro de 2014

Eleição presidencial no Uruguai terá segundo turno

Os uruguaios voltam às urnas em 30 de novembro, no segundo turno da eleição presidencial, para escolher entre o candidato da governista Frente Ampla, o ex-presidente Tabaré Vázquez, e Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional (Blanco).

De acordo com as pesquisas de boca de urna, Vázquez teve 45% dos votos contra 32% para Lacalle, filho do ex-presidente Luis Alberto Lacalle, e 13% para Pedro Bordaberry, do Partido Colorado, filho do ex-presidente Juan María Bordaberry. Com essa divisão de votos, nenhum partido conseguiu maioria no Congresso.

Como blancos e colorados, antes inimigos históricos, hoje são de centro-direita, enquanto a Frente Ampla é uma aliança de centro-esquerda, é provável que Bordaberry apoie Pou no segundo turno. Para Vázquez, isso ressuscita o fantasma de 1999, quando ele venceu o primeiro turno, mas perdeu para o colorado Jorge Batlle no segundo turno.

Muito popular por seu estilo despojado, o atual presidente José Mujica, um ex-guerrilheiro tupamaro, foi eleito senador. A Constituição do Uruguai proíbe mandatos consecutivos numa tentativa de evitar o caudilhismo que ensanguentou o país no século 19.

Num país que já foi chamado de Suíça sul-americana, acostumado a decidir questões polêmicas em plebiscitos, o tema desta vez era a redução da maioria penal de 18 para 16 anos para combater o aumento da criminalidade. De acordo com a boca de urna, perdeu por 52% a 48%.

Partidos pró-Europa ganham eleições na Ucrânia

Sob pressão de uma intervenção militar velada da Rússia no Leste do país, os eleitores da Ucrânia votaram em massa hoje nos partidos favoráveis à aproximação com o Ocidente nas primeiras eleições parlamentares desde a queda do presidente Viktor Yanukovich, apoiado pelo Kremlin, em meio a uma revolta popular, em 22 de fevereiro de 2014.

O bloco do presidente Petro Porochenko e quatro outros movimentos pró-Ocidente obtiveram cerca de 70% dos votos, indicam as sondagens de boca de urna. A oposição pró-russa não passou de 8%.

Não houve votação em 12 distritos eleitorais da Crimeia, anexada ilegalmente pela Rússia em 17 de março de 2014, e em 14 distritos do Leste controlados pelos rebeldes que querem se unir à Federação Russa.

Os resultados oficiais só saem na quarta-feira à noite. A vitória anunciada consolida o poder do presidente Porochenko e mantém a tendência ao autoritarismo político dos homens-fortes que marca as antigas repúblicas soviéticas. O antigo parlamento era leal a Yanukovich. Este será leal ao novo presidente.

Yanukovich caiu em meio a protestos populares e confrontos na praça central de Kiev três meses depois de rejeitar, sob a pressão do presidente russo, Vladimir Putin, um acordo de associação com a UE.

Curdos retomam do Estado Islâmico cidade do Norte do Iraque

Com o apoio da Força Aérea dos Estados Unidos e seus aliados, guerrilheiros curdos retomaram Zumar, no Norte do Iraque, e Jurk al-Sakhar, perto de Bagdá, infligindo derrotas à milícia extremista muçulmana Estado Islâmico do Iraque e do Levante, informa a televisão pública britânica BBC.

Na sexta-feira e no sábado, os EUA bombardearam posições do EIIL no Iraque 22 vezes. A milícia terrorista, que em junho anunciou a criação de um califado nas áreas que domina na Síria e no Iraque sofre as primeiras derrotas importantes desde a intervenção militar ocidental, deflagrada pela degola de jornalistas americanos pelos jihadistas.

No Líbano, seis soldados do Exército morreram em conflitos com radicais sunitas ligados ao Estado Islâmico na cidade de Trípoli, a segunda maior do país.

sábado, 25 de outubro de 2014

Rússia detém 6.830 migrantes em Moscou

A polícia de Moscou prendeu 6.830 estrangeiros nas últimas 24 horas para verificar se sua presença na Rússia é legal, informou a agência de notícias Itar-Tass, citando com fonte a assessoria de imprensa da polícia.

A detenção em massa faz parte de uma grande operação que está sendo realizada de 23 de outubro a 2 de novembro de 2014 pela polícia, os serviços secretos e de migração para expulsar os imigrantes ilegais.

É um endurecimento do regime cada vez mais ditatorial do presidente Vladimir Putin diante da virtual intervenção militar russa na ex-república soviética da Ucrânia e, em consequência, do maior atrito da Rússia com a Europa e os Estados Unidos desde o fim da Guerra Fria e o desaparecimento da União Soviética, em 1991.

Em resposta às sanções internacionais impostas pelo Ocidente, há um cerco à oposição interna, às organizações não governamentais e a empresas de mídia com participação estrangeira.

Curiosamente, Putin virou ídolo da extrema direita neofascista europeia e da esquerda latino-americana, neste caso por seu antiamericanismo.

Líbano enfrenta supostos militantes do Estado Islâmico

Pelo menos dois soldados e um civil foram mortos hoje, no segundo dia de combates do Exército do Líbano contra extremistas muçulmanos sunitas possivelmente ligados à milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, noticiou a agência Reuters. Outros cinco soldados saíram feridos.

As forças de segurança disseram ao jornal libanês The Daily Star que os milicianos avançaram em direção aos soldados e abriram fogo sem advertência. Oficialmente o Exército declarou ter entrado em choque com um grupo de militantes que tentavam bloquear uma estrada na localidade de Mhamra.

Na versão oficial, os soldados perseguiram e mataram vários milicianos. Ainda impediram o sequestro de cinco soldados na região de Akkar.

Os dois incidentes acontecem no momento em que o Exército enfrenta supostos militantes do Estado Islâmico em Trípoli, a maior cidade do Norte do Líbano. Um civil foi morto e 20 pessoas saíram feridas do confronto, inclusive oito soldados.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Maduro muda ministros da Defesa e do Interior

Sob pressão de uma crise econômica sem precedentes e das milícias chavistas, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, transferiu a ministra da Defesa, vice-almirante Carmen Meléndez, para o cargo de ministra do Interior em substituição a Miguel Rodríguez Torres, acusado por abusos policiais. O comandante-em-chefe das Forças Armadas, general Vladimir Padrino López será o novo ministro da Defesa.

A pressão contra Rodríguez Torres vinha sobretudo dos "coletivos", as milícias organizadas pelo presidente Hugo Chávez para defender sua "revolução" depois do golpe de abril de 2002. Eles fazem sua própria lei e se impõe à força nos bairros populares.

Em 7 de outubro, a polícia científica invadiu a sede de um coletivo, a Frente 5 de Março, na periferia de Caracas e matou cinco milicianos, inclusive o líder do grupo, José Odreman. O então ministro do Interior os chamou de "delinquentes e assassinos", mas não apresentou provas. Odreman foi enterrado no "cemitério dos mártires" às custas do governo como um herói nacional.

Meléndez foi a primeira mulher venezuelana promovida a almirante. Foi nomeada por Chávez em 3 de julho de 2012.

O general Padrino López foi nomeado comandante do Exército e do Estado-Maior das Forças Armadas por Maduro no ano passado.

Com uma inflação de 70% e desabastecimento de vários produtos básicos, de leite, carne e farinha a papel higiênico, e sem o carisma de Chávez, Maduro mais do que triplicou o número de militares no governo em relação a Chávez. Hoje, são mais de 900. Ex-motorista de caminhão e sindicalista, ele não é militar e vive com medo de um golpe.

A falta de controle sobre os coletivos alimenta a violência na Venezuela, um dos países fora de zonas de guerra com um dos maiores índices de homicídios, que chega a 79 mortos por ano para cada 100 mil habitantes na capital, Caracas.

Reino Unido se nega a aumentar contribuição para a UE

O primeiro-ministro David Cameron declarou hoje que o Reino Unido não pagar os 2,1 bilhões de euros cobrados pela União Europeia como contribuição do país, devida até 1º de dezembro de 2014.

A UE alterou recentemente o cálculo das contribuições dos países-membros ao orçamento da União com base nos dados sobre o produto interno bruto de cada um. Pela nova fórmula, o Reino Unido, a Itália e a Holanda devem aumentar suas participações enquanto outros países, como Alemanha e França, terão direito a descontos.

O aumento da contribuição britânica causou forte reação negativa da opinião pública, especialmente do Partido Conservador e do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), que luta para tirar o país da UE.

Se for reeleito em 2015, Cameron promete convocar um referendo sobre a participação ou não do país na UE. O atual presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, advertiu que a saída da UE vai diminuir o status do Reino Unido como potência mundial. Mas os eurocéticos ainda sonham com o velho poder imperial. Se o país sair do bloco europeu, a Escócia deve aprovar a independência quando fizer um novo plebiscito sobre a questão.

Enfermeira de Dallas está livre do vírus ebola

A primeira enfermeira diagnostica com o vírus ebola depois de atender um paciente africano que morreu nos Estados Unidos, Nina Pham, foi declarada hoje livre da doença pelo Instituto Nacional de Saúde, no estado de Maryland, onde estava sendo tratada, noticiou o jornal The Washington Post.

Nina Pham, de 26 anos, pegou o vírus quando atendeu o liberiano Thomas Eric Duncan, a única pessoa que morreu de ebola até agora nos EUA, no Hospital Presteriano de Saúde do Texas, em Dallas.

Ontem, foi anunciado o primeiro caso da doença em Nova York. O médico Craig Spencer contraiu ebola quando trabalhava para a organização não governamental Médicos sem Fronteiras na África Ocidental e sentiu os primeiros sintomas ontem, quando teve febre de 39,4ºC, nove dias depois de voltar aos EUA.

Morador no bairro do Harlem, em Nova York, Spencer foi de metrô até o Brooklyn jogar boliche com a namorada e amigos quarta-feira à noite. Como 6 milhões de pessoas usam o metrô de Nova York todos os dias, a população ficou assustada, o governador Andrew Cuomo e o prefeito Bill de Blasio pediram calma.

Cerca de 5 mil pessoas morreram de ebola na atual epidemia, quase todas em três países do Leste da África: Libéria, Serra Leoa e Guiné.

UE promete cortar 40% das emissões de gases do efeito estufa

Depois de oito horas de discussões, a União Europeia chegou na madrugada de hoje a um acordo para reduzir a emissão dos gases que causam o aquecimento global até 2030 em 40% em relação às emissões de 1990, anunciou o presidente executivo do bloco, o ex-primeiro-ministro belga Herman van Rompuy.

O segundo compromisso europeu é aumentar de 14% para 27% a geração de energia por fontes renováveis. Por fim, a UE vai tentar aumentar a eficiência energética em 30% até 2030.

Assim, a Europa espera dar um impulso decisivo na 21ª reunião das partes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a ser realizada em Paris, na França, de 30 de novembro a 11 de dezembro de 2015, rumo a um acordo global para reduzir a emissão dos gases que agravam o efeito estufa e aumentam a temperatura média do planeta com sérios riscos como secas, enchentes, tempestades e elevação do nível dos oceanos.

Mas o sucesso da CoP 21 em chegar a um acordo que substitua o Protocolo de Quioto, de 1997, está longe de ser atingido. Afinal, a UE é responsável hoje por apenas 11% das emissões. Se tomar medidas unilaterais, o impacto será limitado.

A China, maior poluidor mundial, não aceita se comprometer com metas de redução de emissões sob o argumento de que não é responsável pela poluição do passado, quando não era uma potência industrial, e que qualquer limite vai frear o desenvolvimento econômico do país.

Nos Estados Unidos, segundo maior produtor mundial, a provável derrota do Partido Democrata nas eleições para o Congresso de 4 de novembro de 2015 ameaça deixar o presidente Barack Obama em minoria na Câmara e no Senado. Como parte da direita republicana nega que a atividade humana seja responsável pela mudança do clima, a chance de aprovar um acordo internacional é praticamente zero.

Nem mesmo o Protocolo de Quioto, de 1997, negociado com ativa participação do então vice-presidente americano Al Gore, teve chance de ser ratificado pelo Senado dos EUA. O acordo previa uma redução até 2012 de 5% das emissões de 1990 de 37 países industrializados. As economias emergentes e em desenvolvimento foram poupadas porque não eram responsáveis pelas emissões do passado.

Como os EUA rejeitam qualquer solução que não imponha limites aos países emergentes, o impasse entre os dois maiores poluidores dificulta a obtenção de um consenso.

De acordo com os estudos do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, do inglês), que reúne cientistas do mundo inteiro, sem uma ação efetiva para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, a temperatura média da Terra deve subir entre 1,1ºC e 6,4º C no século 21, com forte impacto sobre zonas tropicais, áreas costeiras e a produção agrícola, desequilíbrios climáticos e tempestades mais violentas, secas e enchentes, escassez de água, fome, migrações em massa e conflitos capazes de provocar guerras.

EUA acusam aliados de comprar petróleo do Estado Islâmico

A milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) ganha US$ 1 milhão por dia, em média, vendendo petróleo para seus inimigos: a Turquia, os curdos do Iraque e a ditadura de Bachar Assad, na Síria, acusou ontem o subsecretário do Tesouro dos Estados Unidos para terrorismo e inteligência financeira, David Cohen.

Em palestra na Fundação Carnagie, Cohen levantou dúvidas sobre o comprometimento real no combate ao Estado Islâmico de quem faz negócios com o grupo. Tanto o ministro de Relações Exteriores quanto o de Energia da Turquia negam que o EIIL tenha vendido petróleo no país.

"Esperamos que nossos aliados compartilhem informações conosco em vez de acusar publicamente a Turquia. A Turquia combate o contrabando de petróleo com determinação. No ano passado, apreendemos 490,5 mil barris", protestou um porta-voz do Ministério do Exterior.

No Iraque, o governo semiautônomo do Curdistão declarou que não compra petróleo de ninguém, vende. Mas é claro que nos dois países há intermediários interessados no negócio.

Médico que atuou na Guiné é quarto caso de ebola nos EUA

Um médico que voltou para os Estados Unidos há dez dias, depois de tratar pacientes com ebola no Lste da África, é o quarto caso de contaminação pelo vírus ebola no país. A doença chegou a outro país africano, o Mali, um dos mais pobres do mundo e em guerra civil.

Craig Spencer, de 33 anos, morador do Harlem, em Nova York, trabalhou para a organização não governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Guiné. De volta aos EUA, ele não tinha retomado suas atividades no Centro Médico da Universidade de Colúmbia.

Na quarta-feira à noite, ele foi de metrô com a namorada e amigos da ilha de Manhattan ao bairro nova-iorquino do Brooklyn, onde eles jogaram boliche num local público. Depois, tomaram um táxi para casa.

Hoje de manhã, Spencer teve perturbações digestivas e uma febre de 39,4 graus centígrados. Avisou os MSF e decidiu se isolar no seu próprio apartamento. Mais tarde, foi levado para o Hospital Bellevue, o centro de tratamento do ebola em Nova York.

O prefeito Bill de Blasio declarou que quatro pessoas tiveram contato com ele e vão ficar em quarentena por 21 dias, inclusive a namorada do médico, já submetida a exames.

A Organização Mundial da Saúde já registrou 9.936 casos da doenças com 4.877 mortes, informou a rede de televisão árabe Al Jazira. Quase todas os casos e mortes ocorreram em três países da África Ocidental: Libéria, Guiné e Serra Leoa.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Hungria contraria UE para fazer acordo com a Rússia

O governo direitista da Hungria propôs uma emenda constitucional para permitir que o país construa um gasoduto até a Rússia sem consultar a União Europeia nem outras organizações internacionais. O. mercado comum europeu proíbe negociações unilaterais.

A negociação começou num encontro do primeiro-ministro Viktor Orban com o presidente da companhia estatal russa Gazprom.

Sob pressão das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e a UE em resposta à intervenção militar russa na Ucrânia, a Rússia tenta romper o consenso europeu. O presidente Vladimir Putin quer adiar a qualquer custo o acordo de associação da Ucrânia com a UE.

O Kremlin mantém a pressão para submeter a ex-república soviética da Ucrânia. O corte do fornecimento de gás natural sempre foi uma das principais armas. Talvez a UE tenha de pagar uma dívida ucraniana de US$ 3 bilhões.

No momento, a Rússia tenta impedir a reversão dos fluxos de gás usadas pelos países da UE para manter o suprimento de gás à Ucrânia. Subserviente a seus novos aliados em Moscou, a Hungria suspendeu indefinidamente todo fornecimento de gás natural à Ucrânia em 25 de setembro de 2014. O próximo passo do governo Putin é pressionar a Eslováquia.

Ataque a ônibus lança dúvida sobre trégua do Boko Haram

Uma bomba explodiu ontem numa estação rodoviária na cidade de Azare, no estado de Bauchi. Além de matar cinco pessoas e feriu outras 12, suscitou dúvidas sobre o acordo de cessar-fogo anunciado pelo governo da Nigéria com a promessa de que 219 adolescentes sequestradas há seis meses seriam libertadas.

O ataque foi atribuído à milícia terrorista muçulmana Boko Haram (Não à educação ocidental), responsável pelo sequestro das meninas, que luta para criar um califado na Nigéria.

EUA e aliados bombardeiam campo de petróleo na Síria

A Força Aérea dos Estados Unidos e seus aliados bombardeou hoje o campo de exploração de petróleo de Jafra, na província de Deir el-Zour, no Leste da Síria.

O campo é uma das principais fontes de financiamento da milícia extremista muçulmana Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que desde junho tenta implantar um califado nas terras que ocupa no Iraque e na Síria.

A milícia nasceu no Iraque depois da invasão americana de 2003, como um ramo da rede terrorista Al Caeda. Há um ano e meio, por causa de divergências na guerra civil na Síria, o grupo se separou da Caeda e pretende ser mais do que uma rede terrorista. Quer ter seu próprio Estado Nacional.

Uma ação terrorista realizada ontem contra o Parlamento do Canadá em que um soldado e o atirador, um canadense convertido ao islamismo, morreram está sendo encarada como uma tentativa de vingança contra os ataques da aliança liderada pelos EUA contra o Estado Islâmico, da qual o Canadá faz parte.

Hoje a polícia canadense chegou à conclusão de que Michel  Zehaf Bibeau agiu sozinho. Na luta contra o terrorismo, uma grande dificuldade é antecipar-se à ação dos chamados "lobos solitários" ou células terroristas de um homem só.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Atirador morto no Canadá era extremista muçulmano

O atirador morto hoje pela polícia do Canadá depois de invadir a sede do Parlamento, em Ottawa, foi identificado como Michel Zehaf Bibeau. Ele nasceu no país e tinha uma longa ficha criminal por posse de drogas, pequenos roubos e fraudes em cartões de crédito antes de se converter ao islamismo, informou a televisão americana CNN, citando como fontes agentes americanos.

Zehaf Bibeau atirou no cabo Nathan Cirillo, que guardava o Memorial da Guerra e morreu. Em seguida, o terrorista invadiu o Parlamento, onde saiu atirando até ser morto pelo chefe de segurança, Kevin Vickers, que está sendo tratado como herói.

A polícia de Ottawa e a Polícia Montada Real do Canadá ainda procuram outros atiradores ou cúmplices. O Congresso continua fechado e o centro da cidade isolado.

Em pronunciamento à nação, o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, declarou que "o país está sujeito a atentados terroristas como qualquer outro", mas "o Canadá não será intimidado". O caso está sendo tratado como terrorismo, informou o jornal The Globe and Mail.

Apesar da enorme diferença de proporções do ataque, é o equivalente para o Canadá dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, um alerta de que o país perdeu sua aura de paz e tranquilidade.

Na véspera, a polícia canadense tinha matado no Quebec outro muçulmano convertido, um extremista que atropelara dois soldados de propósito, matando um deles. Os ataques aconteceram no momento em que o Canadá elevou de baixo para médio o nível de alerta contra o terrorismo, diante de rumores de atentados no país detectados em salas de bate-papo de jihadistas na Internet.

Membro frequente de missões de paz das Nações Unidas, o Canadá se associou aos EUA na guerra contra a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que está recrutando vários jovens rebeldes ocidentais.

O grande medo no Ocidente não é que o EIIL faça atentados como os de 11 de setembro de 2001. É a volta para casa de terroristas treinados nas guerras do Oriente Médio.

Ao atacar o coração do Canadá, o terrorismo mostra como será difícil derrotar o Estado Islâmico. Não faltam rebeldes e desajustados nos países ocidentais para aderir ao jihadismo. Uma das preocupações centrais da guerra é evitar que os estilhaços atinjam os EUA e seus aliados.

No mês passado, o porta-voz do Estado Islâmico, Abu Mohamed al-Adnani, exortou os fiéis à sua visão fundamentalista a atacar soldados e civis dos países ocidentais.

Embora a maioria dos muçulmanos que vivem no Ocidente seja de cidadãos pacatos e cumpridores da lei, a minoria radicalizada é suficiente para gerar um mal-estar permanente na relação dos muçulmanos com a sociedade e se nutrir dele à medida que a discriminação produza novos voluntários do martírio.

Este é o principal desafio doméstico de travar uma nova guerra contra terroristas: manter a segurança interna sem comprometer as liberdades democráticas e os direitos civis.

Um soldado e um atirador morrem no ataque na capital do Canadá

Um soldado que guardava o Memorial de Guerra e um atirador que atacou a sede do Congresso do país foram mortos, informou hoje à tarde a polícia de Ottawa, a capital do Canadá. Outros suspeitos estão sendo procurados.

Mais cedo, houve ataques simultâneos ao Congresso, ao memorial e a um centro comercial da cidade. Há suspeita de que se trate de uma retaliação aos bombardeios dos Estados Unidos e aliados contra a milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, mas não foi confirmada nenhuma ligação com terroristas. Um cinegrafista amador filmou o tiroteio no Parlamento.

Nos EUA, todos os policiais federais receberam ordens para ficar de prontidão.

Atirador ataca guarda e invade Congresso do Canadá

Um atirador atirou contra um agente e invadiu hoje a sede do Congresso do Canadá, onde mais de 20 tiros foram disparados em seguida. A polícia isolou o prédio e investiga outros dois casos, noticia o jornal canadense The Globe and Mail.

O primeiro-ministro conservador Stephen Harper foi retirado pela segurança por uma porta lateral. Está em local seguro e deve fazer um pronunciamento à nação mais tarde. Pelo menos um atirador foi morto e duas pessoas foram hospitalizadas. Não há indícios até agora de que o morto tenha ligação com grupos terroristas.

Um soldado que guardava o Memorial da Guerra em Ottawa, a capital canadense, também foi ferido. Houve um terceiro tiroteio perto de um centro comercial. Toda a população da área foi aconselhada a fechar as janelas e não sair à rua. Há informações que falam em "vários atiradores".

Nos Estados Unidos, a polícia federal (FBI) ordenou a todos os agentes que fiquem de prontidão temendo retaliações do Estado Islâmico do Iraque e do Levante pela intervenção militar ocidental nas guerras civis no Iraque e na Síria.

Morre diretor do Washington Post durante escândalo de Watergate

O jornalista Benjamin Bradlee, o lendário diretor de redação do jornal The Washington Post, que denunciou o escândalo de Watergate, em 1972, e derrubou o presidente dos Estados Unidos Richard Nixon, morreu hoje aos 93 anos.

Ao comandar a cobertura do escândalo que levou à única renúncia até hoje de um presidente americano, Bradlee tornou-se o diretor de jornal mais importante de sua geração. Ele dirigiu o diário mais importante da capital dos EUA durante 26 anos. Foi responsável por sua modernização.

O escândalo Watergate, revelado pelos repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein, é um dos momentos mais importantes do jornalismo no século passsado. A partir uma invasão de propriedade e de um roubo aparentemente comum em que a presença de um advogado importante despertou suspeita, eles revelaram uma tentativa de instalar sistemas de escuta na sede central do Partido Democrata, na época na oposição, durante a campanha eleitoral de 1972, e uma rede de intrigas que levaria até o Salão Oval da Casa Branca. 

Leia mais no Washington Post, hoje propriedade de Jeff Bezos, o bilionário fundador da Amazon.com, que o comprou por US$ 250 milhões.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Estado Islâmico pega armas jogadas para curdos na Síria

A milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante ficou com pelo menos um dos pacotes de armas, munições e suprimentos jogados por aviões militares dos Estados Unidos para os guerrilheiros curdos na cidade de Kobane, no Norte da Síria, revelou hoje em Londres o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental ligada à oposição.

As armas recolhidas pelos extremistas muçulmanos incluem granadas de mão, munição e granadas disparadas por morteiros. Somam-se ao vasto arsenal de armas americanas tomadas do Exército do Iraque em junho, no início da atual ofensiva em duas frentes.

No fim de junho, o líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, proclamou um califado na região, ignorando as fronteiras estabelecidas no Oriente Médio depois do fim da Primeira Guerra Mundial.

Depois que dois jornalistas americanos foram degolados, o presidente Barack Obama decidiu intervir com bombardeios aéreos, mas se negou a envolver tropas dos EUA em operações terrestres. Apesar dos bombardeios, o EIIL mantém a ofensiva na Batalha de Kobane.

General rebelde se alia ao Parlamento da Líbia

O Parlamento da Líbia anunciou hoje uma aliança formal com o general da reserva Khalifa Hifter, que tomou a iniciativa de enfrentar as milícias fundamentalistas muçulmanas que tentam impor sua lei ao país, noticiou hoje a agência Reuters.

Três anos depois da queda e morte do ditador Muamar Kadafi na chamada Primavera Árabe, as milícias que o derrubaram ainda lutam pelo poder na Líbia. O país está à beira da guerra civil, com o novo Parlamento eleito neste ano instalado provisoriamente na cidade de Tobruk, porque a capital, Trípoli, foi tomada por milícias jihadistas.

Nenhuma das milícias mostrou força suficiente até agora para dominar o país inteiro, as forças governamentais são fracas por causa da fraqueza das instituições da era Kadafi e potências estrangeiras relutam em se envolver.

China cresce em ritmo anual de 7,3%

A economia da China avançou no terceiro trimestre de 2014 num ritmo de 7,3% ao ano, um pouco abaixo dos 7,5% do segundo trimestre, anunciaram hoje em Beijim as autoridades econômicas do país. É o menor índice de crescimento chinês desde o auge da crise financeira internacional, em 2009, mas é a inveja de todas as outras grandes economias.

Alguns analistas apontam contradições. A inflação, de 1,6% ao ano, é a menor em quase cinco anos, trazendo o fantasma da deflação. A venda de casas novas está diminuindo. Os preços dos produtos primários estão caindo. O investimento estrangeiro está se retraindo.

"O problema, a questão central que estamos encarando no momento é 'qual o verdadeiro estado da economia?'", observa Louis Kuijs, economista sênior do banco britânico Royal Bank of Scotland em Hong Kong, citado pelo jornal The New York Times. "É complicado porque as forças negativas aparecem com força na indústria, mas não no setor de serviços.

Em parte, a desaceleração está nos planos do regime comunista chinês de reduzir a dependência no crescimento baseado em crédito barato para mudar o foco da segunda maior economia do mundo, em vias de se tornar a primeira pelo critério de paridade do poder de compra, para o consumo.

No mês passado, o primeiro-ministro Li Keqiang orgulhou-se durante encontro do Fórum Econômico Mundial ao dizer que a China criou 10 milhões de empregos urbanos nos primeiros oito meses de 2014. Por isso, acrescentou, ele não preocuparia se o crescimento não atingir a meta de 7,5% prevista para este ano.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Turquia abre passagem para guerrilheiros curdos

Sob pressão dos Estados Unidos, a Turquia concordou hoje em abrir sua fronteira para que guerrilheiros curdos entrem na Síria e se juntem à resistência na cidade de Kobane, alvo de uma ofensiva da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Desde ontem, os EUA estão jogando armas, munições e suprimentos médicos para os curdos em Kobane.

Três aviões de transporte militar americanos C-130 jogaram de paraquedas a partir de domingo 27 pacotes com a ajuda de emergência, mostrando à Turquia ser capaz de fazer isso sem cruzar território turco.

Depois de 135 ataques aéreos, a Força Aérea dos EUA e seus aliados conseguiu conter a ofensiva jihadista. A vitória na Batalha de Kobane depende de uma operação terrestre que nem os EUA nem seus aliados ocidentais querem fazer.

Como a Turquia também reluta em cruzar a fronteira da Síria, concordou hoje em dar passagem a guerrilheiros do Curdistão iraquiano, que tem hoje um governo autônomo dentro do Iraque. Num contra-ataque, o Estado Islâmico lançou 15 ataques contra os curdos no Iraque.

O governo turco não quis ajudar os guerrilheiros curdos da Síria porque as chamadas Unidades de Proteção Popular são aliadas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), um antigo inimigo com quem negocia a paz nos últimos dois anos. O PKK luta há 30 anos para tornar parte do Sudeste da Turquia em um Curdistão independente, com territórios que hoje fazem parte do Irã, do Iraque e da Síria.

Uma vitória curda no Norte da Síria com o apoio de guerrilheiros curdos da Turquia e do Iraque deixaria ainda mais próximo o sonho de criar o Curdistão, adiado no fim da Segunda Guerra Mundial. Deve ser uma das consequências da guerra contra o Estado Islâmico.

Moçambique suspende apuração em meio a fraude

Depois da descoberta de indícios de fraude, a apuração dos votos nas eleições de Moçambique foi suspensa na província de Tete, no Noroeste do país, anunciou hoje a comissão nacional eleitoral. Quando a apuração passava de 60% dos votos, a comissão percebeu que havia recebido folhas com resultados de 234 urnas. Como havia na província 178 seções eleitorais, a fraude ficou evidente.

No dia da eleição, 15 de outubro de 2014, o presidente Armando Guebuza declarou que o país estava em festa, com quase 11 milhões de moçambicanos aptos a votar. Mas eleitores queimaram urnas em Tete, alegando que estavam estufadas de votos fraudulentos a favor do candidato Filipe Nyussi, da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), que governa o país desde a independência de Portugal, em 1975.

Pela contagem oficial em outras províncias, Nyusi lidera a apuração. Estaria praticamente eleito, com 62% dos votos válidos contra 32% para Afonso Dhlakama, da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), um antigo grupo rebelde direitista criado com o apoio dos regimes segregacionistas da Rodésia e da África do Sul, e 6% para Daviz Simango, filho de um ex-vice-presidente da Frelimo que criou um dissidência da Renamo, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

Estas foram as eleições mais disputadas da história de Moçambique. Em 1994, nas primeiras eleições depois da guerra civil entre Frelimo e Renamo (1975-92) denúncias de fraude ameaçaram reiniciar o conflito, mais o país estava esgotado.

Ao fim de três décadas de guerra, contando a luta pela independência, a renda média anual era de US$ 80 por pessoa. Parte da população que vivia no interior numa agricultura de subsistência havia sido forçada a fugir para as grandes cidades. Um cinturão de miséria com casas de pau a pique e sapê e 2 milhões de pessoas cercava a capital, Maputo.

Hoje a renda per capita subiu para US$ 650 por ano. Pelo critério de paridade do poder de compra, a renda média sobe para US$ 1.045, a sétima pior do mundo, à frente apenas de outros países africanos: Níger, Libéria, Maláui, Burúndi, República Democrática do Congo e República Centro-Africana.

Com salário mínimo equivalente a US$ 60, a pobreza generalizada ainda é o maior problema dos 25 milhões de habitantes de Moçambique, apesar dos investimentos estrangeiros, especialmente no setor de energia (gás natural, petróleo e hidrelétricas). O crescimento médio foi de 8% ao ano de 1994 a 2006. Caiu para 6% a 7% de 2007 a 2011. Chegou a 7,5% em 2012 e voltou a 8% no ano passado.

O português é a língua mais falada em Moçambique. Pelos dados oficiais, mais da metade fala português, mas, em casa, só 12,8% o usam como primeira língua.

Governador de Hong Kong denuncia interferência estrangeira

Sem acusar nenhum país diretamente, o governador regional de Hong Kong, Leung Chung-ying, denunciou hoje a participação de "forças externas" na onda de manifestões pela democracia no território. Desde 28 de setembro de 2014, um movimento estudantil defende a realização de eleições diretas para governador em 2017.

"Não vou entrar em detalhes, mas não é um movimento totalmente interno", alegou Leung, seguindo a orientação do regime comunista da China, que se nega a fazer qualquer concessão democrática para evitar reivindicações em outras regiões do país, e insinua que os Estados Unidos e a Europa fomentam os protestos.

O líder do movimento estudantil, Joshua Wong, de apenas 17 anos, reagiu com ironia: "Minhas ligações com o exterior se limitam a um telefone celular sul-coreano, um computador americano e meu Gundam japonês", referindo-se a uma série de desenhos animados. "Com certeza, é tudo fabricado na China."

Já o presidente da Federação dos Estudantes de Hong Kong, Alex Chow, cobrou do governador a apresentação de provas para embasar a acusação. Uma nova reunião de diálogo está marcada para terça-feira. Mais uma vez, parece uma jogada do governador para ganhar tempo, apostando no esvaziamento das manifestações.

No fim de semana, houve confrontos entre manifestantes e a polícia. Mais de 20 pessoas saíram feridas e pelo menos quatro foram presas.

Hong Kong era uma colônia britânica estabelecida com base no Tratado de Nanquim, de 1842, que pôs fim à Primeira Guerra do Ópio (1839-42). Quando foi devolvida, em 1997, a República Popular da China, comunista, se comprometeu a manter o regime capitalista e as liberdades democráticas durante pelo menos 50 anos, com a fórmula "um país, dois sistemas", formulada pelo falecido líder Deng Xiaoping tendo em vista a reintegração de Taiwan.

Pela Lei Básica, uma espécie de Constituição de Hong Kong, o próximo governador deve ser eleito diretamente pelo povo. Quando o regime comunista chinês indicou a determinação de vetar candidatos, os protestos populares começaram.

Jokowi assume com desafio de reformar a Indonésia

O ex-governador de Jacarta Joko Widodo, de 53 anos, tomou posse hoje como sétimo presidente da Indonésia, o maior país muçulmano do mundo e o quarto maior de todos em população, com 250 milhões de habitantes distribuídos em 6,6 mil ilhas que se estendem por 5 mil quilômetros do Oceano Índico ao Pacífico.

Primeiro presidente de fora da elite indonésia, Jokowi, como é conhecido popularmente, terá como desafio enfrentar a burocracia e reformar o mercado de trabalho para manter o crescimento na média de 6% ao ano. Em 2013, a expansão foi de 5,8% e há uma desaceleração em 2014.

No ano passado, a Indonésia superou a Índia, tornando-se a segunda economia que mais cresce no Grupo dos 20 (19 países mais ricos do mundo e a União Europeia), atrás apenas da China. Beneficiando-se do "milagre econômico asiático", a Indonésia se industrializou nas últimas décadas.

Em 2012, a indústria respondeu por 46,4% do produto interno bruto da Indonésia, de US$ 895 bilhões, o 16º maior do mundo. Como tem custos baixos, pelo critério de paridade do poder de compra, sobe para o 9º lugar, com PIB estimado em US$ 2,389 trilhões. Em renda média por habitante, é o 101º mundo, com US$ 9.635 por ano pelo critério de PPP.

Um desequilíbrio grave é o subsídio aos combustíveis, que consome 20% do orçamento. Vem de um tempo em que a Indonésia era exportadora de petróleo. O país pertence à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Mas, com a queda na produção de 1,5 milhão de barris por dia no fim do século passado para 1 milhão de barris hoje e o aumento do consumo, o país se tornou importador.

Sem maioria no Congresso, Jokowi vai depender da reconciliação com o candidato derrotado, Prabowo Subianto, genro do falecido ditador Mohamed Suharto, que inicialmente entrou na Justiça para contestar o resultado das urnas. Num sinal de trégua, eles se encontraram na sexta-feira.

Enfermeira da Espanha está livre do vírus ebola

A enfermeira espanhola María Teresa Romero Ramos, primeira pessoas contaminada pelo vírus ebola fora da África, foi declarada livre da doença hoje depois de um segundo exame de laboratório para confirmação. O anúncio foi feito em Luxemburgo, durante uma reunião do Conselho de Ministros do Exterior da União Europeia.

Na mesma reunião, os países europeus discutiram como aumentar a ajuda aos países africanos mais afetados, Libéria, Serra Leoa e Guiné, e garantiram a repatriação imediata de trabalhadores de saúde infectados no combate à epidemia de febre hemorrágica que já matou cerca de 5 mil pessoas.

Ontem, o ministro do Exterior da França, o ex-primeiro-ministro Laurent Fabius, se opôs a uma suspensão dos voos entre a Europa e os países mais atingidos pela doença na África. A exemplo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, Fabius alegou que isso dificultaria o rastreamento de suspeitos de transmitir a doença. Os passageiros teriam a tendência de negar que venham ou tenham estado em países com muitos casos de ebola.

Hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a Nigéria livre de ebola. País mais populoso da África, com 177 milhões de habitantes, era vista como o maior risco de proliferação da doença. O Senegal foi considerado livre do mal na sexta-feira passada.

domingo, 19 de outubro de 2014

Espanha vai treinar Exército do Iraque

Como contribuição à luta contra a milícia extremista muçulmana Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), militares espanhóis vão ajudar a treinar o Exército do Iraque, anunciou ontem o ministro da Defesa da Espanha, Pedro Morenes, depois de encontro com o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, informa o sítio de notícias France24.

Os instrutores espanhóis chegam ao Iraque no fim de 2014 e não devem se envolver em missões de combate.

A Espanha, na época governada pelo primeiro-ministro conservador José María Aznar, participou da invasão do Iraque liderada pelos EUA de George W. Bush em março de 2003. Diante da reação negativa da opinião pública, o então líder da oposição, José Luis Rodríguez Zapatero, prometeu retirar as tropas espanholas. Com a vitória do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) nas eleições de 11 de março de 2004, a Espanha saiu da guerra do Iraque.

Alemanha dá desconto a Israel em navios de guerra

A Alemanha concordou em dar um desconto de 300 milhões de euros a Israel na compra de três navios de guerra, mudando uma decisão de maio de 2014 que havia rejeitado o pedido, revelou hoje o sítio de notícias France24.

O pedido havia sido negado originalmente por causa da forte oposição da opinião pública alemã, majoritariamente pacifista, às operações militares israelenses nos territórios árabes ocupados, suscitando especulações sobre um atrito entre a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Por causa dos crimes do passado nazista, a Alemanha segue uma política de apoio a Israel. O governo israelense planeja usar os navios de guerra para proteger suas plataformas de petróleo no mar.

Ucrânia mata nove pessoas em bombardeio a Donetsk

Pelo menos quatro civis foram mortos e outros nove saíram feridos ontem de um bombardeio da Ucrânia contra a cidade de Donetsk, tomada por rebeldes apoiados pela Rússia, informou hoje a agência de notícias russa RIA Novosti. O ataque também matou cinco rebeldes e feriu outros 30, acrescentou o comandante militar da autoproclamada República Popular de Donetsk.

Cerca de 3,7 mil pessoas foram mortas e outras 9 mil feridas desde o início, em abril de 2014, da revolta da população de origem russa no Leste da Ucrânia contra o governo central de Kiev, fomentada pelo Kremlin para manter o controle sobre a ex-república soviética.

Apesar do acordo de cessar-fogo assinado em 5 de setembro, as escaramuças se repetem esporadicamente e a Rússia está ampliando as sanções econômicas em retaliação às impostas pelos Estados Unidos e a União Europeia.

Os bombardeios tornam a paz e a reconciliação cada vez mais difícil na Ucrânia, onde o novo presidente iniciou um expurgo dos funcionários do antigo governo do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovich, que renunciou em 22 de fevereiro, durante uma revolta popular em que mais de cem pessoas morreram.

Sob o peso das sanções, a economia russa está estagnada. Dentro do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que reúne grandes economias emergentes, a Rússia deve ficar estagnada ou até ter uma pequena recessão em 2014. É o único país do grupo a crescer menos que o Brasil, que deve avançar apenas 0,3% neste ano.

Moody's rebaixa nota de crédito da Rússia

Por causa da baixa expectativa de crescimento, do conflito com a Ucrânia, das sanções internacionais e da fuga de capital, a agência de classificação de risco Moody's baixou na sexta-feira a nota de crédito da dívida pública da Rússia de Baa2 para Baa1.

 O acordo sobre fornecimento de gás natural da Rússia à Ucrânia, anunciado no mesmo dia, não foi suficiente para mudar a perspectiva de crédito. A Rússia tinha cortado o fornecimento de gás por causa de um pagamento atrasado de US$ 5 bilhões. O presidente ucraniano, Petro Porochenko, declarou ontem que pode usar um empréstimo de emergência negociado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para salvar a dívida.

Com o rebaixamento, devem aumentar os juros pagos pelo governo e as empresas russas para tomar empréstimos no mercado financeiro internacional.

Ucrânia demite 17 mil funcionários em Donetsk e Luhansk

O Ministério do Interior da Ucrânia demitiu 17 mil funcionários públicos das províncias de Donetsk e Luhansk, sob as acusações de "traição e irresponsabilidade" por ficarem ao lado dos rebeldes apoiados pela Rússia que tentam anexar o Leste ucraniano à Federação Russa.

Com uma lei sancionada em 9 de outubro de 2014, o presidente Petro Porochenko iniciou um expurgo dos funcionários do antigo governo de Viktor Yanukovich. O ex-presidente renunciou em 22 de fevereiro, em meio a uma revolta popular, depois de abandonar, em novembro de 2013, sob pressão da Rússia, negociações de associação à União Europeia.

A guerra movida por Porochenko sem sucesso para tentar retomar os territórios ocupados pelos rebeldes apoiados pelo Kremlin e o expurgo acentuam a divisão na sociedade ucraniana, que tem uma grande população étnica, linguística e culturalmente russa.

Na semana passada, Porochenko esteve com o presidente russo, Vladimir Putin, num encontro da União Europeia, mas não houve maior avanço. O homem-forte da Rússia deu um chá de banco na chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, e ampliou as sanções a produtos ocidentais, incluindo vários tipos de alimentos.

Em seu projeto de resgatar pelo menos parte do poder imperial soviético, Putin recusa-se a aceitar a independência da Ucrânia. A radicalização em Kiev joga a seu favor.

sábado, 18 de outubro de 2014

Saddam planejou sequestro de primeiro-ministro de Israel

O ditador iraquiano Saddam Hussein, deposto, condenado e executado por crimes contra a humanidade durante a invasão americana, planejou o sequestro do primeiro-ministro Menachem Begin depois que a Força Aérea de Israel destruiu, em junho de 1981, o reator nuclear de Osirak para impedir que o Iraque fizesse a bomba atômica.

Um militante palestino sequestraria o chefe de governo de Israel e o levaria para a Jordânia ou Síria, revelou Badie Aref Izzat, um confidente de Saddam, ao jornal árabe editado em Londres Al-Quds Al-Arabi, citado pelo jornal conservador israelense The Times of Israel.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Irã e Paquistão trocam tiros na fronteira

Guardas de fronteira do Irã mataram um e feriram três membros da patrulha de fronteiras do Paquistão hoje ao atacar um veículo da corporação, noticiou o jornal paquistanês Dawn (Aurora) citando como fonte o porta-voz da patrulha, Khan Casey.

O Corpo de Fronteiras do Paquistão, uma força paramilitar, disse que nos últimos dois dias a guarda de fronteiras do Irã violou várias vezes a pretexto de combater extremistas. O carro da patrulha foi atingido em Mand Tehsil, no distrito de Kech, no Baluquistão.

Em outro incidente, 30 guardas iranianos tomaram a cidade paquistanesa de Nokundi e mantiveram os moradores reféns durante seis horas.

O inspetor-geral do Corpo de Fronteiras, general Ejaz Shahid, condenou com veemência as incursões de guardas iranianos e advertiu que a patrulha do Paquistão vai reagir em caso de futuras violações. Os dois países têm 900 quilômetros de fronteira comum.

Bombardeios dos EUA detêm avanço do Estado Islâmico em Kobane

Com a intensificação dos ataques aéreos, os Estados Unidos conseguiram deter o avanço da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante na cidade predominantemente curda de Kobane, no Norte da Síria, chamada pelos árabes de Ain al-Arab.

Os jihadistas foram expulsos do Leste de Kobane, com a exceção de duas áreas, declarou um comandante da resistência curda, mas os EUA advertem que a "situação é delicada".

Pela primeira vez, os EUA revelaram ter mantido contato com o Partido da União Democrática Curda da Síria na semana passada, antes de intensificar os bombardeios, para coordenar as ações militares.

Ao menos 662 pessoas foram mortas em um mês na Batalha de Kobane, informa o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, com sede em Londres, sendo 374 milicianos do Estado Islâmico, 268 guerrilheiros curdos e 20 civis.

Venda de carros novos subiu 6,4% em setembro na UE

Apesar dos tropeços na recuperação econômica da União Europeia, o mercado europeu de automóveis cresceu em setembro de 2014 pelo 13º mês consecutivo, desta vez num ritmo de 6,4%, com emplacamento de 1.235.501 veículos novos, informou hoje a Associação Europeia dos Fabricantes de Veículos.

Houve crescimento significativo das vendas de veículos nas maiores economias da Europa, a começar pela Espanha, com impressionantes 26,2%, seguida de França (6,3%), Reino Unido (5,6%), Alemanha (5,2%) e Itália (3,3%). As maiores quedas  foram registrada na Holanda (-5,2%) e na Áustria (-4,3%).

De janeiro a setembro, nos três primeiros trimestres deste ano, o aumento de vendas foi de 6,1%, mais uma vez puxado pelo crescimento recorde da Espanha (17,2%), seguida por Reino Unido (9,1%), Itália (3,6%), Alemanha (2,9%) e França (2,1%).

Índia testa míssil nuclear de médio alcance

A Índia testou com sucesso hoje um míssil nuclear de cruzeiro subsônico com alcance de 700 quilômetros, informou a televisão indiana IBN.

O teste foi realizado na cordilheira de Chandipur, no estado de Odisha, numa segunda tentativa, depois de uma experiência fracassada no ano passado. O míssil Nirbhay (Destemido) pode ser disparado de terra, mar ou ar.

Pelo Twitter, o primeiro-ministro conservador Narendra Modi congratulou "os cientistas que testaram com sucesso o míssil Nirbhay. É um grande ímpeto na nossa capacidade de defesa".

A Índia começou a desenvolver armas atômicas depois de uma derrota para a China numa guerra de fronteiras, em 1962. Testou sua primeira bomba nuclear em 1974, mas só assumiu abertamente o status de potência nuclear em maio de 1998, levando o inimigo histórico, o Paquistão, a fazer o mesmo em seguida.

Desde que se tornaram potências nucleares, os dois países não entraram mais em guerra aberta, mas costumam se enfrentar em escaramuças na fronteira incerta entre as montanhas do Himalaia. O Paquistão reivindica a realização de um plebiscito no estado indiano de Jamu e Caxemira, onde a maioria é muçulmana e gostaria de aderir ao Paquistão.

Sem força suficiente para enfrentar a vizinha poderosa, o Paquistão se vale de uma série de milícias extremistas muçulmanas para travar uma guerra indireta. O episódio mais violento dos últimos anos foi um ataque terrorista do grupo Lashkar-e-Taiba, o Exército dos Puros, contra a maior cidade da Índia, Mumbai, de 26 a 28 de novembro de 2008, em que 164 pessoas foram mortas e outras 308 saíram feridas.